Piaui em Pauta

Acusada de participação na morte de cabo do Bope diz no Tribunal do Júri que foi envolvida no crime

Publicada em 20 de Setembro de 2021 às 23h11


Tha?s Monait Neris de Oliveira passa nesta segunda-feira (20) por julgamento no Tribunal Popular do J?ri, que julga crimes dolosos contra a vida, no F?rum Criminal de Teresina. Ela ? acusada de participa??o na morte do cabo do Bope Claudemir de Paula Sousa, em dezembro de 2016.

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Em depoimento, ela negou que tenha participado do crime, dizendo que foi envolvida no crime por "gostar de pessoas erradas", por estar no local com o namorado, Francisco Luan, tamb?m acusado de envolvimento no crime.

O julgamento teve in?cio por volta das 10h e Thais Monait, que est? gr?vida, est? presente no julgamento, sendo acompanhada por uma defensora p?blica. O juiz da 1? Vara do Tribunal do J?ri, Ant?nio Noll?to, preside a sess?o de julgamento.

A fam?lia da v?tima, que foi ao F?rum, n?o foi autorizada a acompanhar o julgamento presencialmente, que est? sendo transmitido online pelo Tribunal de Justi?a. Pedindo pela puni??o dos acusados, Carlienne de Paula, irm? de Claudemir, lamentou a saudade e a aus?ncia de condena??o ap?s cinco anos do crime.

"Vivemos a expectativa dessa primeira condena??o depois de quase cinco anos do assassinato do meu irm?o. A pol?cia investigou e identificou essa quadrilha que foi organizada pra matar o Claudemir. Queremos acreditar que hoje ser? a primeira de todas as condena?es. Todos os dias sentimos a saudade e a injusti?a. Sei que a saudade nunca vai passar, mas a injusti?a precisa chegar ao fim", declarou.


Tha?s ? r? no processo, acusada de ser respons?vel por monitorar os passos do cabo e ter dado o sinal do momento que ele saiu da academia para o atirador. Al?m dela, outros sete foram acusados do crime.

Tr?s deles morreram v?timas de homic?dios em diferentes situa?es: Weslley Marlon Silva, Igor Andrade Sousa e Fl?vio Willame da Silva (leia mais ao fim da reportagem).

Depoimento da acusada
Thais come?ou a ser ouvida por volta das 12h30, ap?s depoimento das testemunhas, e disse que estava em casa no momento do crime. Momentos antes, segundo ela, estava em um trailler pr?ximo ao local do crime, por tr?s da academia, de forma que, segundo ela, n?o seria poss?vel apontar aos executores quem seria a v?tima a ser assassinada.

Ela negou que tenha participado do crime, dizendo que foi envolvida no crime por "gostar de pessoas erradas", por estar no local com o namorado, Francisco Luan, tamb?m suspeito de envolvimento no crime.

Segundo ela, um dia antes, ela descobriu que o namorado estava conversando com outra mulher pelo celular e suspeitou de trai??o. No dia do crime, ela teria ido ao trailler por tr?s da academia por insist?ncia do namorado, que queria esclarecer a situa??o.


"Se eu errei por por gostar das pessoas erradas, mas n?o era eu l?, n?o tenho nada a ver com esse crime, n?o fui eu que apontei quem era essa pessoa. Eu fui l? com meu namorado, por volta das 19h30 deixei ele em casa, passei na casa da minha tia e fui para casa", disse.

Ela disse que apenas no dia seguinte soube que o nome dela estaria envolvido no caso e pediu aos pais que ligassem ? pol?cia para que ela se apresentasse.

"Eu me apresentei porque n?o estava devendo nada. Foram atr?s de mim porque a namorada do Luan estava envolvida, mas n?o sei [se ele estava envolvido]", disse.

"Tenho a consci?ncia limpa, eu sei, Deus sabe, que n?o matei ningu?m n?o apontei, seria incapaz de fazer isso, tirar a vida de algu?m", disse ela ainda no julgamento.

A defesa da r? alegou que n?o h? provas cabais que Tha?s Monait estava no momento do crime, at? porque n?o havia necessidade, visto que os executores possu?am muitas informa?es da v?tima. A Defensoria P?blica apresentou o depoimento de uma das testemunhas que alega n?o reconhecer Tha?s Monait no local.

Testemunhas ouvidas
Fernando Cardoso, policial militar, amigo da v?tima e que realizou a pris?o de acusados do crime logo ap?s a morte do cabo, foi o primeiro a ser ouvido.

Ele informou durante depoimento que Thais foi apontada por outros suspeitos como uma das envolvidas, tendo sido respons?vel por indicar aos executores quem era a v?tima a ser assassinada.

Ela teria ainda sido vista em v?deos de c?meras de seguran?a com o namorado, Francisco Luan (tamb?m acusado de envolvimento na morte), momentos antes do crime, em locais onde o cabo estava, nas proximidades da resid?ncia do policial e da academia onde ele foi morto.


Eles estariam monitorando os passos da v?tima para indicar o momento exato para que ele fosse assassinado.

Francisco Carlos Pereira dos Santos, policial civil que participou da investiga??o e da pris?o de suspeitos do caso, deu depoimento semelhante, indicando que ouviu dos outros suspeitos que Thais seria a "olheira" e teria dado a "ordem" para o momento da execu??o do cabo Claudemir.

O cabo Eriosvaldo da Silva Abreu, policial militar, informou que conhecia a acusada e ? amigo do pai de Thais, tamb?m prestou depoimento. Ele disse que ajudou no momento em que Thais resolveu se entregar.

Os tr?s informaram que em depoimentos anteriores Thais confessou participa??o no crime. E os tr?s negaram que ela tenha sido torturada para confessar a participa??o.

Maria Francisca Feitosa de Oliveira, foi a ?ltima testemunha a ser ouvida, os outros convocados n?o compareceram e n?o foram localizados. Ela ? av? de uma das filhas de Thais (ela possui dois filhos e est? gr?vida do terceiro) e disse n?o ter conhecimento de detalhes do envolvimento da acusada no crime.

Pris?o decretada
A Justi?a piauiense decretou a pris?o preventiva de Thais Monait Neris de Oliveira, tr?s dias antes do julgamento, depois que Tha?s n?o foi encontrada no endere?o informado na justi?a e n?o pediu autoriza??o para se ausentar de Teresina. Ela estava morando no Distrito Federal h? cerca de um ano, segundo a fam?lia.

Ela foi presa, pela primeira vez, dois dias depois do crime, ao se entregar. Em janeiro de 2018 teve a pris?o revogada e teve medidas cautelares impostas.

No entanto, em abril do mesmo ano teve novamente a pris?o decretada depois de ser presa suspeita de assalto na Zona Leste de Teresina. Em junho de 2020 foi novamente posta em liberdade por excesso de prazo.

H? tr?s dias, teve a pris?o preventiva decretada por novamente descumprir as medidas cautelares impostas.


“A acusada n?o foi localizada no endere?o constante dos autos (...). De acordo com a certid?o do Oficial de Justi?a, a av? da acusada informou que ela estaria residindo no estado do Goi?s h? mais de um ano. Inclusive, dentre os documentos pessoais da denunciada, juntados pela Defesa consta ‘Caderneta da Gestante’ de Bras?lia-DF, em nome de Tha?s Monait Neris de Oliveira. Dessa forma, ? poss?vel constatar que, de fato, a acusada ausentou-se definitivamente do munic?pio de sua resid?ncia, sem a devida autoriza??o deste Ju?zo, nem comunicou sobre a eventual mudan?a de endere?o, descumprindo, portanto, compromissos assumidos quando da concess?o da liberdade provis?ria”, destacou a decis?o judicial.


Morte de policial tem quase cinco anos
A morte do cabo Claudemir de Paula Sousa completa cinco anos em 6 de dezembro de 2021. At? o momento, nenhum dos acusados foi julgado. Deles, tr?s morreram e outros cinco tiveram seus julgamentos adiados e respondem pelo crime em liberdade, ap?s terem sido presos e terem apresentado recursos.

Fl?vio Willame da Silva, 33 anos, foi morto com dez disparos de arma de fogo, em 11 de dezembro de 2020, no Centro de Teresina. Outro acusado, Igor Andrade Sousa, 22 anos, morreu no dia 7 de fevereiro de 2020, ap?s cerca de seis meses em recupera??o por ter sido baleado em agosto de 2019.

O primeiro acusado a morrer foi Weslley Marlon Silva, segundo a pol?cia, ele foi o respons?vel por monitorar o policial e mat?-lo a tiros. O r?u foi morto durante troca de tiros com a pol?cia em agosto de 2018.

Restam agora os r?us: Maria Ocionira Barbosa de Sousa, ex-namorada do policial e apontada como coautora intelectual do crime, Leonardo Ferreira Lima, que, segundo a pol?cia, foi o mandante do crime, Jos? Roberto Leal da Silva, conhecido como Beto Jamaica, acusado de agir como intermediador.

E ainda Francisco Luan de Sena e Tha?s Monait Neris de Oliveira, ambos acusados de atuar como 'olheiros'. Hoje, todos em liberdade, aguardando julgamento.

Crime encomendado
Claudemir Sousa, 33 anos, estava saindo da academia onde treinava no bairro em que morava, Saci, Zona Sul de Teresina, quando foi morto pelos criminosos.

No dia seguinte cinco pessoas foram presas, entre elas um homem que usava tornozeleira eletr?nica. A investiga??o da Pol?cia Civil e do Minist?rio P?blico apontou que Leonardo Ferreira Lima e Maria Ocionira Barbosa de Sousa encomendaram a morte da v?tima. Os suspeitos mantinham um relacionamento amoroso e eram parceiros em supostas fraudes ao INSS.


A pe?a do MP defende que, temendo que a reaproxima??o prejudicasse sua rela??o amorosa e financeira, os acusados planejaram o homic?dio e ofereceram R$ 20 mil aos executores.

A negocia??o foi intermediada pelo acusado Jos? Roberto Leal da Silva, conhecido como Beto Jamaica, que contratou Weslley Marlon Silva, Francisco Luan de Sena e Igor Andrade de Sousa para a execu??o.

A den?ncia aponta ainda Tha?s Monait Neris de Oliveira, que serviu de 'olheira' para avisar quando a v?tima sa?sse da academia.
Tags: Tribunal Popular - Claudemir de Paula

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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