Piaui em Pauta

As negociações secretas que levaram ao acordo para libertação de reféns em Gaza.

Publicada em 22 de Novembro de 2023 às 10h23


?Pouco depois de militantes do Hamas fazerem ref?ns durante seu ataque mortal ao sul de Israel em 7 de outubro, o governo do Catar contatou a Casa Branca com um pedido: forme uma pequena equipe de conselheiros para ajudar nos trabalhos para libertar os capturados.

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O trabalho, iniciado dias ap?s a tomada dos ref?ns, finalmente deu frutos com o an?ncio de um acordo de troca de prisioneiros. Tudo foi mediado pelo Catar e pelo Egito, sendo aprovado por Israel, pelo Hamas e pelos Estados Unidos.

O esfor?o secreto incluiu um tenso envolvimento diplom?tico pessoal do presidente dos EUA, Joe Biden, que manteve uma s?rie de conversas urgentes com o emir do Catar e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nas semanas que antecederam o acordo.


Os trabalhos tamb?m envolveram horas de negocia?es meticulosas, incluindo o secret?rio de Estado dos EUA, Antony Blinken, o diretor da CIA, Bill Burns, entre outras autoridades norte-americanas.

Duas autoridades envolvidas no esfor?o forneceram detalhes do trabalho que levou a um acordo segundo o qual 50 ref?ns ser?o libertados em troca de 150 prisioneiros palestinos, durante uma pausa de quatro dias nos combates.

Media??o

Pouco depois de 7 de outubro, o Catar – um mediador de longa data numa regi?o vol?til – abordou a Casa Branca com informa?es sens?veis sobre os ref?ns e o potencial para a sua liberta??o, disseram as autoridades. Os catarianos pediram que fosse criada uma pequena equipe, que chamaram de “c?lula”, para trabalhar a quest?o em particular com os israelenses.


Sullivan instruiu o enviado dos EUA no Oriente M?dio, Brett McGurk, e outro funcion?rio do Conselho de Seguran?a Nacional a estabelecer a equipe. Isso foi feito sem avisar outras ag?ncias relevantes dos EUA porque Catar e Israel exigiram extremo sigilo, com apenas algumas pessoas informadas, disseram as autoridades.

McGurk, um diplomata experiente com profundo conhecimento no Oriente M?dio, mantinha liga?es matinais di?rias com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani. Tudo era relatado a Sullivan, e Biden foi informado diariamente sobre o processo.

Biden teve uma vis?o do que as v?timas do ataque do Hamas sofreram quando realizou uma longa e emocionante reuni?o, em 13 de outubro, com as fam?lias de norte-americanos que estavam sendo mantidos como ref?ns ou estavam desaparecidos.

Dias depois, Biden viajou para Tel Aviv para conversar com Netanyahu, em 18 de outubro. O presidente norte-americano disse que garantir a liberta??o dos ref?ns era um foco central das suas discuss?es com Netanyahu e o seu gabinete de guerra, bem como da assist?ncia humanit?ria.

Cinco dias depois, em 23 de outubro, o trabalho da equipe da Casa Branca ajudou a libertar duas ref?ns norte-americanas, Natalie e Judith Raanan.

Opera??o por terra

O retorno dos dois americanos provou que era poss?vel obter a liberdade dos ref?ns e deu confian?a a Biden de que o Catar poderia cumprir a miss?o por meio da pequena equipe que havia sido criada, disseram as autoridades.

Ent?o, iniciou-se um processo intensificado para retirar mais ref?ns. Quando isso aconteceu, o diretor da CIA come?ou a conversar regularmente com o diretor da intelig?ncia de Israel, David Barnea.

Biden viu uma oportunidade de obter a liberta??o de um grande n?mero de ref?ns e que um acordo para os prisioneiros era o ?nico caminho realista para garantir uma pausa nos combates, disseram as autoridades.

Em 24 de Outubro, com Israel pronto para lan?ar uma ofensiva terrestre em Gaza, o lado americano recebeu a not?cia de que o Hamas tinha concordado com os par?metros de um acordo para libertar mulheres e crian?as, o que significaria uma pausa e um atraso na invas?o terrestre.

Autoridades dos EUA debateram com os israelenses se a ofensiva terrestre deveria ou n?o ser adiada.

Os israelenses argumentaram que os termos n?o eram suficientemente firmes para atrasar a ofensiva, uma vez que n?o havia prova de vida dos ref?ns. O Hamas alegou que n?o poderia dar informa?es sobre quem estava detido at? que come?asse uma pausa nos combates.


Americanos e israelenses consideraram a posi??o do Hamas falsa. Uma autoridade disse que o plano de invas?o de Israel foi adaptado para apoiar uma pausa caso um acordo fosse fechado.

Processo complicado

Biden ent?o se envolveu em negocia?es detalhadas durante as tr?s semanas seguintes, enquanto propostas sobre uma potencial liberta??o de ref?ns eram trocadas. Foram feitas exig?ncias para que o Hamas apresentasse as listas de ref?ns que mantinha, suas informa?es de identifica??o e garantias de liberta??o.

O processo foi longo e complicado – a comunica??o era dif?cil e as mensagens tinham de ser passadas de Doha ou do Cairo para Gaza e vice-versa, disseram as autoridades.

O acordo que tomava forma previa que as mulheres e crian?as ref?ns seriam libertadas numa primeira fase, juntamente com uma liberta??o proporcional de prisioneiros palestinos que estavam nas m?os dos israelenses.

Os israelenses insistiram que o Hamas garantisse que todas as mulheres e crian?as sa?ssem nesta fase. O lado dos EUA concordou e exigiu atrav?s do Catar prova de vida ou informa?es de identifica??o de mulheres e crian?as detidas pelo Hamas.

O Hamas disse que poderia garantir 50 na primeira fase, mas recusou-se a apresentar uma lista de crit?rios de identifica??o. Em 9 de novembro, o diretor da CIA se reuniu em Doha com o l?der do Catar e da ag?ncia de intelig?ncia de Israel para analisar os textos do acordo em negocia??o.

O principal obst?culo nessa altura era que o Hamas n?o tinha identificado claramente quem estava detido.

Tr?s dias depois, Biden ligou para o emir do Catar, o xeque Tamim bin Hamad Al Thani, e exigiu saber os nomes ou informa?es claras de identifica??o dos 50 ref?ns, incluindo idades, sexo e nacionalidades. Sem a informa??o, disse uma autoridade, n?o havia base para avan?ar.

Pouco depois da liga??o de Biden, o Hamas apresentou detalhes dos 50 ref?ns que disse que seriam libertados na primeira fase de qualquer acordo.

Biden, em uma liga??o em 14 de novembro, instou Netanyahu a aceitar o acordo – o primeiro-ministro de Israel concordou.

Acordo fechado

O enviado dos EUA no Oriente M?dio se encontrou com Netanyahu naquele mesmo dia 14 de novembro em Israel.

Saindo de uma reuni?o, o primeiro-ministro israelense agarrou o bra?o do enviado e disse: “precisamos deste acordo”. Ele pediu para Biden ligar para o emir do Catar para tratar sobre os termos finais, segundo uma autoridade.

As negocia?es foram paralisadas quando as comunica?es foram interrompidas em Gaza.

Quando recome?aram, Biden estava em S?o Francisco participando da c?pula ?sia-Pac?fico. Ele ligou para o emir do Catar e disse que esta era a ?ltima chance. O emir prometeu exercer press?o para fechar o acordo, disseram as autoridades.

"O presidente insistiu que o acordo tinha que ser fechado agora. O tempo acabou", disse uma autoridade.
Em 18 de novembro, o enviado McGurk reuniu-se em Doha com o primeiro-ministro do Catar. O chefe da CIA, Burns, foi chamado depois de falar com a intelig?ncia de Israel. A reuni?o identificou as ?ltimas lacunas restantes para um acordo.

O acordo estava agora estruturado para que mulheres e crian?as fossem libertadas numa primeira fase, mas com uma expectativa de liberta?es futuras e com o objetivo de trazer todos os ref?ns para casa.

Na manh? seguinte, no Cairo, McGurk encontrou-se com o chefe da intelig?ncia eg?pcia, Abbas Kamil. Veio, ent?o, a not?cia de que os l?deres do Hamas em Gaza tinham aceitado quase todos os termos elaborados no dia anterior em Doha.

Restava apenas uma quest?o, ligada ao n?mero de ref?ns a serem libertados na primeira fase e ? estrutura final do acordo para incentivar a liberta??o de mais de 50 mulheres e crian?as, disseram as autoridades.

Seguiu-se uma enxurrada de contatos adicionais e o acordo finalmente foi concretizado.
Tags: As negociações - libertação de reféns

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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