
Na noite anterior ao nosso encontro, Bruna Linzmeyer havia sonhado com a fil?sofa e ativista Djamila Ribeiro. “A gente se encontrava, bebia e conversava at? perder a hora. ? sempre assim com ela, os assuntos v?o longe”, conta com entusiasmo. H? cerca de dois anos, Djamila – que tamb?m ? colunista desta revista – se tornou figura frequente na rotina da atriz gra?as ao grupo de estudos feministas, que nasceu depois do epis?dio de ass?dio denunciado pela figurinista Su Tonani contra o ator Jos? Mayer. “Entendemos que nos unir era t?o importante quanto a den?ncia da pr?pria Su no jornal. Mulheres devem se amparar e conversar sobre o que atravessa suas viv?ncias. ? uma forma de nos fortalecer.”
Pois desde ent?o isso ? grande parte do que Bruna tem feito: ouvir e falar com mulheres sobre mulheres. ? verdade que sua carreira vai de vento em popa e que ela nunca trabalhou tanto, e t?o bem, como agora – s? em 2018 foram dois filmes e uma novela; para 2019 j? est?o programados dois longas e dois curtas-metragens. Mas ? tamb?m verdade que o lugar p?blico que ocupa ganhou um tamanho e uma for?a nunca imaginados por ela. Bruna ? hoje a refer?ncia de mulher l?sbica que lhe faltou quando menina. E sabe o valor disso: “J? ouvi de garotas que conseguiram conversar sobre suas sexualidades com os pais e contar que gostam de outras garotas a partir de uma declara??o que fiz”.
Por isso mesmo, Bruna n?o abre m?o de viver seus afetos ? luz do sol. O namoro com a artista pl?stica Priscila Visman ? assim desde que come?ou, em 2016. “N?o vou deixar de beijar minha namorada em p?blico porque algu?m poderia bater uma foto e isso virar not?cia. Nunca foi uma op??o me esconder”, diz ela. “Claro que perdi contratos por me assumir l?sbica. E claro que fiquei assustada, principalmente porque tinha um apartamento para pagar e meus pais n?o s?o ricos, pelo contr?rio. Mas n?o tive muita escolha. Ou me assumia e vivia a minha vida, ou tinha um c?ncer, tinha depress?o. Adoecia. A minha sorte ? que, por outro lado, me posicionar aproximou de mim marcas que pensam como eu, que acreditam que o exerc?cio da liberdade ? valioso.” O mesmo vale para as axilas n?o depiladas e n?o escondidas na capa desta edi??o. “Se n?o falamos sobre elas, n?o viram uma quest?o a ser debatida. ? a? que quero chegar. Me depilei durante muito tempo. Ter pelos j? foi estranho para mim. Hoje, acho estranho uma mulher n?o os ter. E mais: acho sexy quando uma mulher tem e acho sexy em mim.”