O amistoso contra a limitada Z?mbia, no Ninho do P?ssaro, em Pequim, era um teste para os reservas da Sele??o mostrarem servi?o na busca de uma vaga para a Copa de 2014. Esperava-se um Alexandre Pato participativo, vibrante. Um Lucas veloz, perigoso. Um Ramires din?mico. E que Lucas Leiva, Ded? e Maxwell entrassem em campo com os dentes trincados - o goleiro Diego Cavalieri nem conta, foi pouco exigido. Mas foi o zagueiro do Cruzeiro, ao marcar de cabe?a o segundo gol aos 20 minutos, quem aproveitou melhor a oportunidade. E isso aconteceu depois de Felip?o ter devolvido ? equipe alguns titulares. Entre eles, Oscar, que com 13 minutos do segundo tempo, em bela jogada individual e com a sorte de a bola resvalar no zagueiro, abriu o caminho para a vit?ria de 2 a 0.
Mais importante que o modesto resultado desta ter?a-feira foi ver que ainda h? vagas abertas na Sele??o. N?o h?, por exemplo, um reserva para Oscar na arma??o das jogadas. Pato, Lucas e Ramires sa?ram no intervalo sob o olhar de desconfian?a e precisam de mais chances. Hernanes, Henrique e Bernard tamb?m entraram na segunda etapa e, com pouco tempo em campo, ainda ser?o avaliados. Lucas Leiva cumpriu seu papel, burocraticamente. Maxwell n?o comprometeu e pode ter at? garantido sua vaga na lateral, mas lhe falta a desenvoltura no apoio t?o marcante em Marcelo.
Os pr?ximos jogos que servir?o de teste para Felip?o avaliar o elenco ser?o em novembro. No dia 16, em Miami, provavelmente contra Honduras. E no dia 19, diante da R?ssia, em Toronto, no Canad?. Tudo vai depender da classifica??o direta de ambas para a Copa do Mundo.
Decep??o
Foi um primeiro tempo frustrante. Contra uma Z?mbia limitada e pouco agressiva, os reservas do Brasil ficaram devendo. Os defensores foram pouco exigidos, principalmente Diego Cavalieri, que fez apenas uma defesa, num chute fraco. Sem um gar?om no meio-campo para servir o ataque, com meio-campo de tr?s volantes e uma sa?da de bola lenta, ficou dif?cil mostrar um futebol veloz e cheio de op?es, apesar de Neymar ter mantido a sua m?dia e algumas chances at? terem sido criadas.
A Sele??o seguiu a cartilha l?gica de quem entrou com um time muito mexido e tem um craque como Neymar: explor?-lo o m?ximo poss?vel. Com sua criatividade e seus dribles, ficaria mais f?cil abrir a defesa advers?ria. E foi depois de um daqueles de seu variado cartel que o camisa 11 sofreu a falta, ao receber a bola de Lucas, logo aos dois minutos. Na cobran?a, cada vez mais apurada, a bola estourou o travess?o. O goleiro Mweene ainda se esticou para, com um soco, evitar um rebote.?
Contra um advers?rio cujo ponto forte definitivamente n?o ? a marca??o, estava f?cil para o Brasil atacar, ainda que com tantas mudan?as no time. Daniel Alves subia sem culpa e arriscou de fora da ?rea, com perigo. A Sele??o adiantava a marca??o, e o goleiro Mweene errou ao sair jogando. Pato, lento, perdeu a oportunidade clara de abrir o placar.
O jogo tinha cara de goleada, e estava t?o f?cil que a Sele??o come?ou a complicar perdendo tantos gols. Mais avan?ado, Ramires tamb?m queria mostrar servi?o. Recebeu com carinho de Neymar e ficou livre, mas desperdi?ou a chance. Lucas Moura, outro que corre contra o tempo para assegurar seu lugar, tamb?m arriscou um bom chute, com perigo, mas sem sucesso. Quatro chances perdidas em 16 minutos.
A Z?mbia bem que tentava, mas esbarrava nas suas limita?es e no nervosismo. Ded? nem era t?o exigido assim. Na lateral esquerda, faltava a Maxwell a voca??o do apoio t?o n?tida em Marcelo. Apenas uma vez em 45 minutos o lateral foi ao fundo para centrar na cabe?a de Neymar, que mandou pelo alto.
Lucas Leiva limitava-se muito a uma marca??o at? desnecess?ria diante do fraco advers?rio, mas correspondia. Ded? se sa?a bem no duelo com os atacantes, mas n?o dava para medir for?as. No meio, Paulinho, titular absoluto, era quem mais aparecia com louvor, ao lado de Neymar. Ramires at? que se esfor?ou. Pato e Lucas Moura ficaram devendo. E o primeiro tempo terminou com o mesmo personagem do come?o como destaque. Neymar, sempre ele, disparando rumo ao gol. Sem receber falta, mandou cruzado de canhota, exigindo bela defesa do esfor?ado Mweene, ?quela altura a maior figura de Z?mbia. Aos 43 minutos, a Sele??o tinha o seu melhor momento, numa jogada individual. Era necess?rio muito mais no Ninho do P?ssaro.
Ded? chora no gol
Felip?o mostrou que n?o ficou satisfeito ao mexer no intervalo. Sacou de uma vez s? Ramires, Pato e Lucas Moura para devolver ao time Oscar, Hulk e J?. Bastou para a Sele??o encontrar o seu jogo de toques e r?pidos deslocamentos.
O goleiro Mweene voltou a brilhar, salvando chances de Daniel Alves e David Luiz (em cobran?a de falta) O time encaixou melhor. Oscar fez bela jogada individual pela meia esquerda e bateu com efeito. A bola ainda tocou na zaga e encobriu o goleiro: 1 a 0 Brasil.
Neymar dava el?stico, Paulinho batia de longe. Ao menos a Sele??o mostrava a disposi??o e algumas boas jogadas das ?ltimas partidas. Hernanes entrava no lugar de Paulinho e David Luiz. Aos 20, em cobran?a de falta pela esquerda, Neymar centrou na cabe?a de Ded?, que n?o desperdi?ou a chance: era o segundo gol do Brasil e um ponto a favor para o zagueiro do Cruzeiro, que chorou na comemora??o.
Pouco depois, ele ganhava a companhia de Henrique, que entrou no lugar de David Luiz. A Z?mbia n?o oferecia o menor perigo, e Bernard, na vaga de Neymar, j? apagado, fazia sua boa jogada com Maxwell e Oscar. O camisa 11 limpou e bateu nas m?os de Mweene, um dos destaques da partida, que foi at? os 51 minutos, sem muitas novidades.