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Efeito de vacina só a partir de maio', diz diretor do Butantan sobre queda nos casos de Covid-19.

Publicada em 10 de Janeiro de 2021 às 00h09


O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse, neste s?bado (9), que a queda nos n?meros de casos de Covid-19 e de mortes ap?s a aplica??o da vacina s? deve ser percebida a partir de maio.

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“Efeito de vacina s? a partir de maio desse ano. Antes de maio, n?o teremos impacto de vacina??o na pandemia. Vamos come?ar a ter diminui??o de ?bitos, progressiva, diminui?es de interna??o, progressiva, mas isso s? se vai sentir de fato a partir de maio.”

A declara??o foi dada durante evento no Centro Universit?rio Claretiano, em Batatais (SP). Segundo Covas, o impacto n?o ? imediato porque as vacinas que est?o sendo usadas n?o impedem a doen?a, mas a gravidade dela.

“A vacina mais comum que n?s usamos em termos de volume ? a da gripe (...) Toma vacina e acha que n?o vai ter gripe. De fato, ele n?o vai ter o quadro grave de gripe, n?o vai ficar hospitalizado, n?o vai desenvolver pneumonia, mas vai ter sintoma. Esse ? o efeito, ela impede a gravidade da doen?a. ? assim essa vacina que n?s vamos introduzir. Ela vai impedir a gravidade da doen?a, mas n?o vai impedir a infec??o. No longo prazo, ? medida que os casos v?o diminuindo, que as pessoas v?o sendo imunizadas at? naturalmente pelo pr?prio v?rus, a epidemia vai diminuindo”, afirmou.

O diretor disse ainda que ap?s a imuniza??o, a ocorr?ncia do Sars-Cov-2, v?rus que provoca a Covid-19, deve se tornar sazonal. Desta forma, Covas acredita que a vacina vir? a ser incorporada ao calend?rio nacional.

A expectativa dele ? que, a longo prazo, com o aprimoramento dos imunizantes desenvolvidos, seja necess?ria apenas uma dose por tempo determinado.

“Nesse momento, a hip?tese mais prov?vel ? que ele permane?a e tenha ocorr?ncia sazonal. Se o v?rus se mantiver, precisar? ser incorporado ao calend?rio nacional de vacina??o. Se ser?o uma ou duas doses, essas vacinas ainda est?o na fase inicial de desenvolvimento, ainda s?o rec?m-nascidas. Ainda vai haver espa?o para crescimento tecnol?gico dessas vacinas, desenvolvimento, aperfei?oamento, at? que l? na frente n?s tenhamos uma vacina com excelente qualidade, com uma dose, uma dose a cada dez anos, por exemplo, que ? o sonho de todo mundo que trabalha com vacinas.”

Cen?rio preocupante
No momento em que o Brasil ultrapassa as 201 mil mortes causadas pela Covid-19 e chega aos 8 milh?es de infectados, Covas afirmou que a previs?o ? que a pandemia ganhe for?a at? fevereiro.

“A ?poca mais dif?cil da pandemia se aproxima. Vamos ter uma acelera??o no n?mero de casos, no n?mero de ?bitos, como est? acontecendo todos os dias. Brasil j? passando da casa de mil ?bitos por dia. Vamos chegar no fim de janeiro, com certeza, no mesmo n?vel ou em um n?vel superior ao que enfrentamos em julho do ano passado. Em fevereiro, n?s vamos enfrentar uma situa??o pior do que a que n?s enfrentamos at? ent?o.”

Segundo ele, as pessoas perderam o medo do v?rus e os jovens voltaram a ter uma atividade social. Com a circula??o maior de pessoas, o diretor disse que h? maior transmiss?o da doen?a. Ele alertou ainda para um poss?vel risco de colapso na rede de sa?de porque os hospitais enfrentam dificuldade em contratar m?o de obra.

"Mesmo com todos os leitos existentes, mesmo com a ativa??o de leitos que est? se fazendo. Nesse momento, ? poss?vel que haja dificuldade em prover assist?ncia m?dica. Respiradores existem, camas de UTI existem. Hoje a maior dificuldade s?o os recursos humanos, m?dicos, enfermeiros, fisioterapeutas. Eles est?o cansados, n?o suportam mais depois de um ano. Temos dificuldade para contratar m?o de obra. ? uma situa??o muito grave."

CoronaVac e o Plano Nacional
Anteriormente, o governo de S?o Paulo informou que a imuniza??o no estado com a Coronavac, vacina desenvolvida pelo Butantan em parceria com o laborat?rio chin?s Sinovac, come?a no dia 25 de janeiro.

Neste s?bado, Covas confirmou que o governo federal incorporou todas as doses ao Plano Nacional de Imuniza??o (PNI) e deve gerir o calend?rio de distribui??o das vacinas em todo o pa?s.

"Ontem de noite tive reuni?o com os t?cnicos do Minist?rio da Sa?de. No momento, o Butantan tem 6 milh?es de doses e ser?o incorporadas pelo minist?rio, a medida que houver libera??o do uso emergencial. Essas vacinas ser?o distribu?das por todos os estados de forma proporcional, obedecendo crit?rios demogr?ficos e n?mero de pessoas nas faixas de risco. Todos os estados ser?o atendidos. Com essas e mais 2 milh?es vindo pela FioCruz. Teremos em janeiro 8 milh?es de doses para iniciar a campanha [nacional] de vacina??o", afirmou.

O executivo do Butantan tamb?m disse que a expectativa do instituto e do Minist?rio da Sa?de ? que a distribui??o comece em at? 48h depois da libera??o do uso emergencial da Coronavac pela Ag?ncia Nacional de Vigil?ncia Sanit?ria (Anvisa).

Anvisa diz que faltam documentos
O pedido para uso emergencial da CoronaVac foi enviado na sexta-feira (8) pelo Butantan ? Anvisa. A ag?ncia, que tem dez dias para analisar a documenta??o, come?ou a triagem no mesmo dia.

Na tarde deste s?bado, a Anvisa informou, em nota, que a documenta??o entregue est? incompleta. Entre as informa?es adicionais que a Anvisa solicitou ao Butantan est?o dados de "caracter?sticas demogr?ficas e basais cr?ticas da popula??o do estudo (idade, sexo, ra?a, peso ou IMC) e outras caracter?sticas (por exemplo, fun??o renal ou hep?tica, comorbidades)" e a contabiliza??o de "dados sobre a disposi??o dos participantes, com uma contabilidade clara de todos os participantes que entraram no estudo".


Em nota, a Anvisa disse que est? em contato com o Butantan para discutir "prazos e cronogramas para apresenta??o dos dados faltantes". Neste s?bado, as equipes t?cnicas da ag?ncia e do instituto j? realizaram duas reuni?es para tratar da quest?o.

"O instituto foi informado sobre a necessidade dos documentos complementares, essenciais ? an?lise e conclus?o sobre a efic?cia e seguran?a da vacina. Na oportunidade, foram discutidos prazos e cronogramas para a apresenta??o dos dados faltantes", diz trecho da nota.

Segundo a nota, o Instituto Butantan informou que "apresentar? os dados com brevidade" e a ag?ncia "continuar? a avaliar a documenta??o que j? foi enviada, de forma a otimizar esfor?os para uma decis?o c?lere sobre o pedido".

No caso da documenta??o enviada pela Funda??o Osvaldo Cruz (Fiocruz), que tamb?m solicitou uso emergencial para aplica??o do imunizante desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford e o laborat?rio AstraZeneca, os dados est?o completos, segundo a Anvisa. A an?lise do pedido segue agora para a pr?xima fase.
Tags: O diretor do Butanta - Vacina

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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