
?A delegada Ana Maria Santos, que presta esclarecimentos durante o julgamento do caso Eliza Samudio, nesta ter?a-feira (20), no F?rum de Contagem (Minas Gerais), deu detalhes sobre o depoimento dado ? pol?cia pelo primo do goleiro Bruno Fernandes, Jorge Luiz Rosa, em 2010. Segundo o depoimento de Rosa, a ex-amante do goleiro foi amarrada e chutada antes de ser morta. Os tr?s r?us que est?o sendo julgados, incluindo Bruno, negam o crime.
"Depois de amarrada, o homem [executor de Eliza] deu uma gravata e durante o tempo em que era apertada, apertada, ela foi perdendo f?lego, foi virando os olhos, a l?ngua dela foi indo para fora, saiu espuma da boca dela e ela caiu ao ch?o e depois de poucos movimentos, ficou l?, morta", disse a delegada, referindo-se ao depoimento do primo de Bruno.
Rosa afirmou ainda que o homem que matou Eliza tinha o apelido de Nen?m, tamb?m conhecido como Bola - apelido do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, que tamb?m ? r?u no caso mas vai ser julgado apenas no futuro. O executor era grisalho e apresentava um problema no dente, ainda de acordo com o depoimento.
Segundo o depoimento do primo, Bola pediu para Luiz Henrique Ferreira Rom?o, Macarr?o, amarrar as m?os da ex-amante do goleiro.
Os r?us est?o sendo julgados desde segunda-feira (19) por c?rcere privado e pela morte da ex-amante do goleiro. Na ?poca dos relatos, Rosa era adolescente. Atualmente, ele est? inserido no Programa de Prote??o a Crian?as e Adolescentes Amea?ados de Morte, de acordo com o Minist?rio P?blico.
Durante o depoimento, o primo de Bruno disse que Eliza dormiu trancada em um quarto, quando era mantida sob c?rcere privado no Rio de Janeiro. O filho da ex-amante de Bruno foi mantido com a ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro, que tamb?m ? r? no processo e responde em liberdade.
Questionada pelo promotor Henry Castro, que atua no caso, a delegada afirmou que o depoimento do primo do goleiro dado ? pol?cia transmitiu confian?a. "Sem d?vida nenhuma, pela riqueza de detalhes, pelo modo como ele fez aquela narrativa", disse. "Tamb?m mexeu com nosso emocional naquele momento."
Destitui??o
A ju?za Marixa Fabiane, que preside o julgamento do caso Eliza Samudio, negou um pedido do goleiro Bruno para a destitui??o do seu advogado Francisco Simim, no F?rum de Contagem. O goleiro pediu destitui??o de toda sua defesa, mas a ju?za entendeu que o goleiro pretendia adiar seu julgamento.
Bruno pediu para falar com a ju?za logo ao in?cio da sess?o e afirmou que n?o se sentia seguro para continuar com seu advogado, Rui Pimenta. O goleiro pediu tempo para contratar outro advogado, mas a ju?za Marixa Fabiane lembrou que ele ainda possu?a outro defensor, Francisco Simim, que tamb?m representa sua ex-mulher, a r? Dayanne Rodrigues.
O goleiro retornou ao banco dos r?us, mas, depois de alguns minutos, pediu a palavra novamente. Nesse momento, a ju?za anunciou que ele estava destituindo tamb?m Francisco Simim de sua defesa. A magistrada afirmou que isso estava ocorrendo "claramente com vistas ao desmembramento do julgamento".
Bruno, ainda no banco dos r?us, negou e afirmou que n?o queria prejudicar a defesa de Dayanne. O promotor Castro, ent?o, pediu para que Dayanne, que responde em liberdade, tivesse mais tempo para ser defendida por outro advogado. Bruno, r?u preso, tem prefer?ncia de julgamento. A ju?za seguiu este entendimento.
Para evitar o adiamento, a ju?za determinou que a r? Dayanne seja julgada em outra data, possivelmente junto com o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o executor de Eliza. Ele foi o primeiro a ter o j?ri desmembrado, nesta segunda, depois que sua equipe de advogados deixou o plen?rio.
O advogado destitu?do, Rui Pimenta, disse ter sido pego de surpresa pela decis?o do goleiro. "O Bruno agradeceu o trabalho feito, mas disse que queria mudar de estrat?gia", afirmou. O defensor disse que o goleiro perguntou se ele ficaria chateado, e Pimenta respondeu que de forma nenhuma. "Fa?o votos que isso [a destitui??o] seja bom para ele", comentou.
Segundo o defensor, ele continua atuando para o goleiro Bruno no pedido de habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 1? de outubro deste ano, o ministro Joaquim Barbosa, do STF, negou liminarmente o pedido. O m?rito ainda n?o foi julgado.
Multa
No come?o do segundo dia do j?ri do caso Eliza, nesta ter?a-feira, a ju?za estipulou multa aos advogados do ex-policial Bola. Eles abandonaram o j?ri na segunda-feira (19), atitude que foi considerada "injustificada" pela magistrada.
A multa ? de R$ 18.660 para cada um dos defensores, o equivalente a 30 sal?rios m?nimos. Somados, eles ter?o que pagar R$ 55.980 em at? 20 dias, de acordo com a decis?o da ju?za. Os advogados de Bola s?o tr?s: ?rcio Quaresma, Zanone de Oliveira J?nior e Fernando Magalh?es.
Os respons?veis pela defesa do ex-policial Bola haviam deixado o j?ri por discordarem do limite de 20 minutos estipulado pela ju?za Marixa para cada defesa apresentar seus argumentos preliminares. "A defesa n?o vai continuar nos trabalhos, n?s n?o vamos nos subjugar ? aberra??o jur?dica de impor limites onde n?o h?", disse Quaresma.
No entendimento da ju?za, o abandono ocorreu "sem haver raz?o juridicamente relevante". "Esse tipo de conduta causa grande preju?zo ao estado e ? sociedade que implica em gasto de dinheiro p?blico", afirmou ela, durante o julgamento.
O fato ser? comunicado ? Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que deve avaliar a conduta dos defensores, ainda de acordo com a magistrada.
Testemunhas
O segundo dia de julgamento deve prosseguir com os depoimentos das testemunhas de acusa??o. Na segunda, o ex-motorista do goleiro Bruno Fernandes, Cleiton Gon?alves, foi ouvido no j?ri. Al?m de Bruno, outros dois r?us - incluindo Luiz Henrique Ferreira Rom?o, o Macarr?o - est?o sendo julgados.
Al?m da delegada e de outras testemunhas arroladas, o detento Ja?lson Alves de Oliveira ainda deve ser ouvido. Ele diz ter ouvido uma confiss?o de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.
Somente ap?s a conclus?o dos depoimentos das testemunhas de acusa??o ? que ser?o ouvidas as testemunhas de defesa. A previs?o ? que o julgamento dure pelo menos duas semanas.