Piaui em Pauta

Gianecchini revela que quer entrar no mar após transplante.

Publicada em 20 de Novembro de 2011 às 22h45


?O Fant?stico traz o depoimento emocionante de um guerreiro: Reynaldo Gianecchini d? uma entrevista exclusiva a Patricia Poeta. O ator fala sobre a luta contra o linfoma, um tipo de c?ncer que ataca as defesas do organismo. Comenta a morte recente do pai, v?tima de um c?ncer. Revela que passou por um tratamento espiritual. E agradece o apoio dos f?s, que h? mais de 10 anos, acompanham a carreira desse gal? que conquistou o Brasil.

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Patr?cia Poeta: Eu lembro que dias atr?s, antes de eu vir gravar essa entrevista com voc?, eu mandei uma mensagem para voc? no telefone, perguntando como ? que voc? estava e voc? respondeu dizendo que estava em um momento de muita luz e muito entendimento. O que voc? quis dizer com isso?
Reynaldo Gianecchini: Tem sido um processo de muito entendimento. Desde que eu recebi a not?cia da minha doen?a e todos os acontecimentos depois. O fato de eu ter um pai tamb?m com essa doen?a, que j? estava antes de eu saber da minha. Ent?o, quando voc? se depara com a quest?o da morte t?o pr?xima, voc? come?a a analisar o que voc? tem de concreto, que ? o presente. Viver intensamente aquele presente.

Reynaldo Gianecchini: Meu pai acabou falecendo e as pessoas ficavam muito assim: ‘nossa, que trag?dia, quanta coisa ao mesmo tempo’. E eu tenho que te dizer que foi um momento lindo de descoberta assim da minha vida tamb?m. Eu tive uma despedida maravilhosa do meu pai. Teve um momento que ele ficou inconsciente, porque ele teve que tomar morfina. E a? todo mundo foi descansar e eu falei: ‘quero ficar com meu pai’. Senti muita vontade de falar com ele, que eu acredito que ele estava me ouvindo. Quando eu comecei a falar, nesse momento, as fun?es dele come?aram a cair e ele foi. E eu vendo tudo aquilo, no monitorzinho dele as fun?es dele caindo, sabendo que era aquele momento que ele ia embora, eu comecei a cantar, comecei a beijar ele. Reafirmei todo meu amor, eu disse que eu ia cuidar da fam?lia. Pedi perd?o, falei que eu o perdoava tamb?m pelas coisas que podiam ter sido e n?o foram.

Patricia Poeta: Foi uma despedida forte foi muito forte.
Reynaldo Gianecchini: Foi muito forte.

Patr?cia Poeta: J? que ? a primeira vez que voc? est? falando sobre tudo, sobre esses ?ltimos meses, vamos come?ar l? do come?o. Voc? descobriu que estava com c?ncer em julho desse ano. Que sintomas que voc? teve que levaram voc? a procurar um m?dico e a fazer os exames?
Reynaldo Gianecchini: Os sintomas s?o todos poderiam ser de doen?as banais. Eu comecei com alergia. A? a garganta come?ou a ficar com alguns gangliozinhos, e eu sempre tive muito problema de garganta. Ent?o, voc? acha que ? uma bact?ria. Eu fiz todos os exames de bact?rias e v?rus que podiam ser e nada batia, deu tudo negativo. A? come?ou a suspeitar e falou ‘vamos fazer uma an?lise do g?nglio’. Ent?o, eu comecei o tratamento quase dois meses depois dessa suspeita. Eu tenho um c?ncer raro, ? um linfoma muito raro. Ent?o, foi mais dif?cil de diagnosticar.

Patricia Poeta: E como voc? reagiu quando recebeu essa confirma??o de que, sim, voc? tinha c?ncer?
Reynaldo Gianecchini: ? engra?ado, ? muito maluco. Voc? acha que n?o tem aquela doen?a. Falei para minha m?e: ‘m?e, n?o tenho isso n?o, n?o ? poss?vel’. A? depois, quando ? diagnosticado mesmo, quando vem o laudo cert?ssimo, eu falei: ‘beleza, vamos embora, vamos encarar’.

Na cirurgia para implantar um cateter para a quimioterapia, veio o susto: “Eu tive que parar na UTI, porque teve um derramamento de sangue. Depois foi superado. Eu tive que fazer uma opera??o para limpar tudo, antes de come?ar a quimioterapia. Eu comecei j? bem debilitado. O come?o foi bem tumultuado”, lembra o ator.

Essa primeira interna??o durou 26 dias. “Quero dizer que estou muito forte e que essa minha for?a vem em grande parte desse carinho todo, desse amor, dos amigos, das pessoas que t?m me mandado emails. Eu tenho lido todos”, anunciou o ator ? ?poca.

Reynaldo Gianecchini: Essas pessoas todas que me escrevem, desde os meus amigos mais queridos at? os menos conhecidos, at? os totalmente desconhecidos que eu recebo, que mandam carta para o hospital ou descobrem meu email, essas pessoas me emocionam demais.

Patricia Poeta: Voc? imaginava que era t?o querido assim pelos brasileiros?
Reynaldo Gianecchini: Honestamente n?o. Foi uma surpresa, e ? essa parte me faz chorar, quando eu falo, mas de felicidade.

Patricia Poeta: No in?cio das sess?es, voc? raspou a cabe?a. Raspou porque quis ou sua m?dica aconselhou?
Reynaldo Gianecchini: Por duas coisas, primeiro porque eu acho um pouco deprimente aquela coisa de cabelo ficar caindo, segundo, porque eu acho mais pr?tico tamb?m. Eu tenho um cateter aqui acoplado que dificulta um pouco o banho. Ent?o, n?o d? para voc? ficar tomando conta de uma cabeleira. Mas quando raspei, eu lembrei muito daquela cena que eu fiz. Eu fiz a novela com a Carolina Dieckmann, do Manoel Carlos, “La?os de fam?lia”, que a minha mulher, que era a Carol, raspava a cabe?a, porque tinha leucemia. ? muito maluco eu estar vivendo isso. No dia, a pessoa estava raspando a minha cabe?a e eu s? pensava nisso. Na fic??o, eu estava chorando muito. E na minha vida real, eu me achei com cara de guerreiro. Um guerreiro mesmo.

Patricia Poeta: Sabe o que me chamou muito a aten??o? Todas as vezes que n?s nos falamos por telefone, voc? sempre tinha uma mensagem positiva e voc? sempre falava com a voz de uma pessoa muito feliz. Eu acho isso realmente impressionante. Foi assim desde o come?o do tratamento?
Reynaldo Gianecchini: Desde o in?cio.

Patr?cia Poeta: Em nenhum momento, bateu uma tristeza, uma inseguran?a?
Reynaldo Gianecchini: Acho que teve. A gente tem todos esses momentinhos. Tem uma fase tamb?m que ? meio barra pesada, mas, ao mesmo tempo, no pr?ximo momento voc? come?a a ver que est? tudo t?o bem. A? ? um momento que passa.

Patricia Poeta: ? verdade que voc? buscou ajuda espiritual, al?m da medicina tradicional, nesses ?ltimos meses?
Reynaldo Gianecchini: ? verdade. Na verdade, o meu pai estava muito em contato com amigos esp?ritas, que fazem essas curas espirituais. N?o ? nem ‘n?o deu certo, porque ele morreu’. Eu n?o acho que n?o deu certo. Meu pai entrou em contato com a espiritualidade dele, com o divino dele, e isso foi muito legal. Existem tratamentos no Brasil que eles chamam de cirurgias espirituais. Quem acredita nisso, s?o esp?ritos que s?o m?dicos que v?m e d?o uma ajuda aqui para a gente na mat?ria e fazem uma opera??o espiritual.

Patricia Poeta: E fizeram com voc??
Reynaldo Gianecchini: E fizeram comigo.

Patricia Poeta: Nessa cirurgia espiritual, voc? sentiu algum efeito?
Reynaldo Gianecchini: Fisicamente, eu n?o senti nada. Eu sinto muita for?a de uma energia muito boa, de uma corrente boa de amor, isso eu sinto o tempo todo.

Foram mais de tr?s meses de quimioterapia. Ao todo, seis sess?es.

Patricia Poeta: Teve um momento das sess?es de quimioterapia que a sua imunidade baixou, que voc? voltou para o hospital.
Reynaldo Gianecchini: Eu peguei uma bact?ria que ningu?m sabe direito, na verdade, porque ? dif?cil detectar, no pulm?o. Eu tive que ficar na UTI para ficar em observa??o. S?o os percal?os do caminho que tem, pela natureza da quimioterapia.

Patr?cia Poeta: Voc? j? est? preparado para isso, psicologicamente.
Reynaldo Gianecchini: Mas essa minha jornada no hospital foi particularmente interessante porque eu convivi com muita gente. Eu fico em uma ?rea de transplantados, muita gente com leucemia ou com linfomas.

Patr?cia Poeta: Um ajudando o outro, dando for?a para o outro...
Reynaldo Gianecchini: E cada vez que tem uma supera??o, tem uma festa em um dos quartos. E a? todo mundo se junta. Toda vez que a medula d? certo, pega, canta um parab?ns com bolo e tudo. A pessoa est? renascendo ali, e todo mundo aparece e faz parte daquela festa.

Patricia Poeta: Agora terminadas essas sess?es de quimioterapia, voc? passa por um transplante. Como ? que vai ser esse transplante?
Reynaldo Gianecchini: ? um autotransplante.

O autotransplante de medula ?ssea ? feito para recuperar o sistema imunol?gico depois da quimioterapia. Primeiro, os m?dicos fazem uma bi?psia da medula do paciente. Se ela n?o tiver c?lulas cancer?genas, uma por??o ? retirada e congelada. Em uma segunda etapa, uma quimioterapia ainda mais intensa destr?i de vez os tumores e todas as c?lulas de defesa do organismo. Os m?dicos ent?o reimplantam a medula ?ssea retirada e o corpo volta a produzir c?lulas saud?veis.

Patricia Poeta: Quando isso vai acontecer?
Reynaldo Gianecchini: Em breve, em dezembro agora, m?s que vem.

Patricia Poeta: Como ? que voc? est? se sentindo? Qual ? sua expectativa para esse momento?
Reynaldo Gianecchini: Eu me sinto curado desde o primeiro dia. ? engra?ado. Eu n?o jogo essa possibilidade de perder, embora tudo possa acontecer na vida, mas eu acredito muito na for?a da vida.

Patricia Poeta: Vamos falar de futuro? Podemos falar de futuro?
Reynaldo Gianecchini: Podemos.

Patricia Poeta: Como ? que voc? imagina que vai ser a sua vida nas pr?ximas semanas?
Reynaldo Gianecchini: Eu n?o tenho feito planos de nada, na verdade. Eu vou para essa fase do transplante, delicada, porque voc? fica com a imunidade muito baixa, tem que ficar um pouquinho mais isolado. Depois do transplante, vou come?ar a pensar em trabalho.

Patricia Poeta: Quando voc? tiver vencido tudo isso, tiver passado pelo transplante, qual vai ser a primeira coisa que voc? vai querer fazer?
Reynaldo Gianecchini: Nossa! Eu n?o tinha pensado nisso. Me veio na mente entrar no mar. Eu tenho uma rela??o louca com o mar. Gosto muito e sinto falta.

Patricia Poeta: E onde voc? vai querer estar, no mar onde?
Reynaldo Gianecchini: Pode ser qualquer mar para mim. Est?o valendo todos, mas provavelmente no Rio, que eu estou h? muito tempo sem ir para o Rio.

Patricia Poeta: Quem sabe a gente tamb?m n?o vai fazer o registro desse momento.
Reynaldo Gianecchini: Quem sabe, indo para o mar.

Patricia Poeta: Gianecchini,obrigada pela sua entrevista, saiba que pelo pa?s tem muita gente torcendo por voc?, pela sua recupera??o, e n?s do Fant?stico, com certeza, estamos entre essas pessoas, pode ter certeza.
Reynaldo Gianecchini: Agrade?o demais voc? e eu quero agradecer todo mundo. Eu n?o tenho palavras para descrever e nem para agradecer todo esse carinho, todo esse amor. Eu espero um dia poder retribuir tudo isso.
Tags: Gianecchini revela - Câncer

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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