
?Personagem simp?tica e marcante, mas at? agora secund?ria, a Tia Jurema (Zezeh Barbosa) vem, nos ?ltimos dias, protagonizando um drama particular em Lado a Lado (18h). Com a personagem, os autores Jo?o Ximenes Braga e Cl?udia Lage fazem uma defesa contundente da liberdade de credo e, de quebra, explicam as ra?zes das religi?es africanas e do sincretismo religioso no Brasil.
A hist?ria da praticante de candombl? que ? presa acusada de feiti?aria acontece pouco depois de a Globo ser alvo de cr?ticas de l?deres evang?licos por levar ao ar uma novela que remete a S?o Jorge (embora Salve Jorge n?o tenha vi?s religioso) e uma miniss?rie (O Canto da Sereia) cuja protagonista era filha de Iemanj?.
Numa boa sequ?ncia, com resolu??o pouco comum a um dos mist?rios da trama, Jurema viu no jogo de b?zios que o filho de Isabel (Camila Pitanga), dado como morto, est? vivo. Essa pista levou a hero?na a descobrir que a ex-baronesa Const?ncia (Patr?cia Pillar) escondia o neto bastardo desde o come?o da novela. Desmascarada, para se vingar, a megera convenceu o padre a fazer uma den?ncia ? pol?cia, acusando a m?e-de-santo de feiti?aria.
Com pris?o decretada, Jurema, numa cena tocante, teimou em deixar o morro para visitar uma certa Tia Ciata – sim, aquela quituteira baiana real que teve papel fundamental no nascimento do samba nos morros cariocas –, mas n?o chegou ao destino. Na pequena Rio de Janeiro de 1910, a discuss?o do caso da pobre Tia Jurema vai do morro ao centro. Numa conversa com o padre Oleg?rio (Cl?udio Tovar), Isabel chegou a dizer: “Ela faz no morro o que o senhor faz aqui na cidade – cuida dos mais necessitados.”
De acordo com o C?digo Penal de 1890, artigo 157, “praticar o espiritismo, a magia e seus sortil?gios, usar de talism?s e cartomancias” era mesmo crime, punido com pris?o de seis meses e multa de 500 mil r?is. A liberdade religiosa no pa?s s? passaria a vigorar com o novo c?digo, de 1940, mas os efeitos pr?ticos do artigo 157 seriam sentidos at? meados dos anos 1960.