Publicada em 08 de Agosto de 2012 às 17h36
Com seu primeiro salário, Liedson teve que comprar camisa do Flamengo em parcelas; agora, em 2012, ele chegou com status de jogador que pode escolher seu número
No seu retorno ao Flamengo, Liedson traz na bagagem antigas hist?rias de uma vida de origem humilde. Na adolesc?ncia, ele foi empacotador de supermercado, ajudante de pintor e de pedreiro, carpinteiro, auxiliar de mec?nico, porteiro de hospital e carregador de malas em hotel. Com o primeiro sal?rio na carteira assinada, ele realizou um singelo, por?m, significativo sonho: comprou, em parcelas, uma camisa do Flamengo, seu time de cora??o. Ap?s a passagem pela G?vea em 2002, ele se projetou no futebol, foi para Europa, virou ?dolo no Sporting, se naturalizou portugu?s e disputou a Copa do Mundo de 2010. Dez anos depois, o atacante retorna ao Rubro-Negro realizado financeiramente e disposto a retribuir tudo que o clube lhe proporcionou, com juros e corre??o monet?ria.
- No meu primeiro emprego de carteira assinada eu ganhava o que hoje equivale a R$ 100, quem quiser pode conferir (risos). Sempre fui torcedor do Flamengo, desde crian?a. Eu queria comprar uma camisa, sonhava com isso, mas era muito cara. Com o primeiro sal?rio que ganhei, fui ? loja, dividi em cinco, seis vezes, e consegui comprar – revelou Liedson.
Imagem: Janir Jr./ Globoesporte.comCom seu primeiro sal?rio, Liedson teve que comprar camisa do Flamengo em parcelas; agora, em 2012, ele chegou com status de jogador que pode escolher seu n?mero
Na alegria ou na dureza, era apenas o come?o da rela??o com o Flamengo. O atacante ? filho de uma fam?lia humilde de Valen?a, cidade que fica a cerca de 260 quil?metros de Salvador. O pai era pescador, a m?e cuidava da casa e, desde cedo, Liedson teve que ajudar a completar o or?amento. O sonho do futebol s? virou realidade tardiamente.
Liedson jogava bola apenas em peladas e times amadores. Somente aos 22 anos, o atacante chegou ao Po?es-BA, onde fez um teste depois de se destacar em um torneio intermunicipal em Salvador, quando foi artilheiro, com 14 gols em 15 jogos. Assinou seu primeiro contrato profissional, passou por Prudent?polis-PR e chegou ao Inter de Santa Maria-RS, de onde foi dispensado por ser franzino. Parecia o fim, mas era apenas o come?o do jogador que chegou a receber o apelido de Levezinho durante a carreira. saiba mais Todos na briga: chegada de Dorival reabre disputa por posi?es no Flamengo Flamengo projeta conclus?o de CT bancado por torcedores para dezembro Flamengo pode acertar com Dorival nesta ter?a "Isso ? Flamengo, ? cora??o", diz Joel Santana ap?s vit?ria sobre o Bahia Proposta do Flamengo para Diego ? de R$ 500 mil mensais por um ano Leia mais sobre Flamengo
- Comecei tarde no futebol, mas posso me orgulhar de ter uma carreira brilhante. Estou de volta ao Flamengo, de corpo e alma – disse Liedson, na sua apresenta??o nesta ter?a-feira, com a humildade e simplicidade que marcam sua carreira.
Em 2002, o atacante acertou com o Coritiba e foi artilheiro da Copa Sul-Minas, com 14 gols. No mesmo ano, chegou ao Flamengo, e marcou 15 vezes em 29 jogos. Foi a senha para se transferir para o Corinthians. Depois, rompeu as fronteiras do Brasil e virou ?dolo do Sporting, de Portugal. Em terras lusitanas, foi artilheiro em duas temporadas, disputou 313 partidas e marcou 172 gols. Naturalizado, em 2010 disputou a Copa do Mundo da ?frica do Sul.
- Em 2002, cheguei ao Flamengo ainda desconhecido, vindo do Coritiba. Tive uma proje??o fant?stica, apareci n?o s? para o Brasil, mas para a Europa tamb?m. Foi um reconhecimento grande, o Flamengo me ajudou em tudo que conquistei na minha vida, sal?rios, t?tulos. Sempre foi um clube que me ajudou, espero retribuir.
Atrav?s da bola, Liedson conseguiu sua independ?ncia financeira, ajuda a fam?lia e tem alguns luxos como carros, roupas de marca, cord?o de ouro. Mas sem a ostenta??o comum entre os boleiros. A fala continua mansa. Aos 34 anos, com tr?s cirurgias no joelho esquerdo, o atacante diz que n?o est? bichado. E, acostumado a vencer adversidades, promete trabalho duro para dar alegrias ? torcida rubro-negra.
O menino pobre, que comprou a camisa do seu clube de cora??o em parcelas, hoje tem o direito de escolher at? o n?mero que ir? usar. Filho de um homem que retirava seu sustento do mar, Liedson jamais foi um pescador de ilus?es. O jogador carregou malas, mas jamais empacotou seus sonhos. A camisa 31 do Flamengo ? dele. E isso n?o tem pre?o.