
Em um ensaio caprichad?ssimo e exclusivo para QUEM, L?via Andrade mostrou que est? com um corpo perfeito para este Carnaval. Com 104 cm de quadril, a apresentadora e atriz evid?ncia as curvas irretoc?veis – com direito a barriga bem sequinha – com o corpo pintado como o de uma sereia.
A escolha pela pintura faz alus?o ao enredo Imp?rio dos Mist?rios, que a escola de samba Imp?rio de Casa Verde, a ca?ula da elite do Carnaval de S?o Paulo, apresentar? em 2016. “Adorei o tema deste ano”, conta L?via, que aproveita para fazer mist?rio sobre a fantasia que usar?. “? o ano em que mais investirei. Ficar? bem cara. Por enquanto, ela j? est? em R$ 35 mil. Mas ainda n?o est? finalizada e a gente vai inventando, n?? Mais pena, mais pedra...”
Comedida, consciente e veterana na folia, ela conta que reaproveita itens de um ano para o outro: “O pessoal surta no Carnaval. Sempre fui muito controlada. Afinal, a fantasia ? praticamente descart?vel. Guardo algumas pe?as como lembran?a. Geralmente, as minhas fantasias s?o recicladas nos anos seguintes.”
QUEM: Voc? ? uma das veteranas no Carnaval de S?o Paulo. Ainda consegue se divertir como antes?
L?VIA ANDRADE: S?o 22 anos no Carnaval. Este ano ? o que estou me divertindo mais. Quero conseguir curtir. Muita gente se prepara para os outros, para as fotos, para o que v?o comentar. Eu gosto de participar para me divertir.
QUEM: Este ano marca sua volta para a Imp?rio de Casa Verde...
L.A.: Eu desfilei aqui por tr?s anos. Agora, o carnavalesco ? o Jorge Freitas – j? desfilei com ele na Gavi?es da Fiel, quando fomos bicampe?es –, al?m do mestre Zoinho, da bateria. N?s nos damos muito bem. Ter voltado para a Imp?rio deve ter me dado um g?s especial. Conhe?o toda a comunidade. Nasci aqui, sou daqui. Fui criada no bairro da Casa Verde. ? onde tudo come?ou e estou de volta.
QUEM: ? especial estar ? frente da bateria?
L.A.: Muito. Estou h? anos na corte da bateria. Consigo isso sem pagar. ? por respeito, amizade, por estar integrada. Nunca precisei pagar por um t?tulo. E tamb?m nunca aceitei receber.
QUEM: Existiu algum cuidado especial com o corpo?
L.A.: Antes dos 30, eu n?o era muito ligada nessa coisa do corpo. Comecei a me cuidar quando fiz 30. N?o me preocupava tanto com corpo, est?tica e boa forma. Deveria, n?? Afinal trabalho com imagem e a televis?o d? uma engordada... Comecei a me cuidar quando completei 30 anos. Ano passado, tamb?m estava bem de corpo, com condicionamento, mas minha sa?de n?o estava t?o legal.
QUEM: Voc? passou por uma crise de ros?cea em 2015.
L.A.: Tive ros?cea h? pouco tempo. Com a ros?cea atacada, precisei diminuir as atividades f?sicas. Dei uma parada por um per?odo, mas n?o perdi o corpo que havia conquistado. Consegui manter o corpo numa boa. Acho que o corpo de Carnaval ? o corpo para a vida. N?o tem que exagerar na academia, fazer dietas malucas. Tem gente que faz, mas vale a pena? Eu acho que n?o. Enquanto voc? pode usar o short que quiser, o top que quiser, tudo bem. ? um corpo feliz. Quando come?a a falar “ai, esse n?o, esse n?o vai cair bem”, ? a hora de se preocupar.
QUEM: J? n?o se sentiu 100% com o corpo?
L.A.: ? assim: voc? tem que estar tranquila com voc?. As pessoas n?o podem se levar por modismos de corpo da vez, dieta do momento. O mais legal ? ser diferente. N?o quero ter a beleza padr?o e estar no meio de um monte de gente parecida. N?o quero ter a perna trincada igual a de 10 mulheres, nem a barriga igual a de outras 20 que est?o na m?dia. Quero ter o meu corpo. Gosto de curvas. Acho que curvas deixam o corpo mais feminino. Corpo tem que ter curvas. N?o tem que ser trincado. Gosto de barriga sequinha, corpo durinho, com formas legais, mas sem trincar.
QUEM: Teve cuidados est?ticos para este Carnaval?
L.A.: Claro, afinal isso ajuda muito. Nesta ?poca, fa?o alguns procedimentos para firmar a pele, abandonar a celulite, ativar o col?geno. Al?m de ter um acompanhamento m?dico com o nutr?logo Ronaldo Gorga. Ele me auxiliou no processo de controle da minha ros?cea. Tive uma crise muito feia no fim do ano passado e o Carnaval batendo ? porta. N?o existe cura para a ros?cea, mas ele cessou a crise. E meu corpo continuou bacana.
QUEM: Seu corpo est? incr?vel. Tem recebido muitos elogios?
L.A.: Isso ? legal, tenho sim. Acho que com o corpo que estou hoje d? para escolher v?rios modelos de roupa, ousar mais. Talvez, por isso, esse Carnaval esteja t?o divertido.
QUEM: O que pode adiantar da fantasia?
L.A.: Adorei o tema da escola neste ano, que ? Imp?rio dos Mist?rios. Os ritmistas da bateria vir?o como templ?rios. Foi um ex?rcito religioso, com muito sangue, muita morte. H? o respeito pela religi?o, mas acredito que nem todo bem ? do bem; nem todo mal ? do mal. Pensei em uma fantasia nessa linha. A gente n?o sabe o que ? a morte.
QUEM: Voc? est? fazendo mist?rio! J? sabe o quanto vai gastar?
L.A.: Aproveitando este meu momento feliz e curtindo a vida, vou investir esse ano. ? o ano em que mais investirei na fantasia. Ela ficar? bem cara. Por enquanto, j? est? em R$ 35 mil. Mas ainda n?o est? finalizada e a gente vai inventando, n?? Mais pena, mais pedra...
QUEM: Ser? uma fantasia com luxo?
L.A.: Penso que Carnaval ? uma vez por ano. Neste ano posso dar uma extrapoladinha (risos). Tem gente que gasta muito mais em roupa, mesmo sem poder, parcelando a perder de vista. O pessoal surta no Carnaval, j? eu sempre fui muito controlada. Afinal, a fantasia ? praticamente descart?vel.
QUEM: Voc? n?o guarda suas fantasias?
L.A.: Algumas pe?as, como lembran?a. Geralmente, as minhas fantasias s?o recicladas. Tem uma parte que ? reaproveitada nos anos seguintes e outras partes s?o doadas.
QUEM: Voc? vir? mais coberta ou mais pelada?
L.A.: Tem que ter pele ? mostra, n?? Sempre tem que ter. Faz pat? do Carnaval. Mesmo quando a gente n?o est? com tudo em cima, o Carnaval ? para todo mundo se divertir. N?o importa o padr?o do corpo – com barriga ou sem barriga, acima do peso ou n?o, velho ou novo.
QUEM: Viviane Ara?jo declarou: "Se a bunda n?o tremer, ? falsa". Concorda com ela?
L.A.: Claro. Tem que balan?ar. Tem muita mulher que vai fazer a bonita na avenida, dar pinta. Quando diminu? meus peitos, tive que me readaptar com o peito menor que balan?ava menos. O balan?o faz parte do samba.
QUEM: Est? adaptada aos seios menores?
L.A.: Sim, sim. Mas, antes, balan?ava mais. Ele tinha uma certa evolu??o na avenida. Uma evolu??o pr?pria (risos).
QUEM: Voc? ? elogiada pelo samba no p?. J? chegou a ensinar algu?m?
L.A.: J? tentei ensinar, mas n?o sou boa. A pessoa tem que ter uma certa predisposi??o a sambar. Caso contr?rio, fica aquele samba de gringo (risos). Mas o importante ? ir para avenida e se divertir com o samba que tem. Geralmente, os figurinistas at? me falam para eu sambar menos. N?o consigo. Se voc? s? vai dar pinta, a fantasia fica impec?vel, n?o cai nenhuma pedrinha... Eu termino o desfile com a fantasia destru?da porque n?o vou dar pinta na Avenida. Vou sambar.
QUEM: Voc? falou que est? em uma fase muito feliz. A que se atribui essa felicidade?
L.A.: Depois que fiz 30 anos, tudo mudou na minha vida. Eu me sinto mais feliz, mais segura, mais tranquila. Al?m de estar com maior estabilidade emocional, financeira e profissional. Estou mais completa. Tinha medo de fazer 30 anos, mas curti. Tudo melhora: pele, horm?nios... ? engra?ado isso. E outra: s? fa?o o que gosto. Quando eu penso: “Ser??”, ? sinal de ? melhor n?o fazer. Acho importante saber escolher e dar uma peneirada nas minhas escolhas. Quem vive em uma correria louca, perde a identidade. N?o d? para ser muito artista o tempo inteiro. Grava??o, evento, inaugura??o, viagem.... Se voc? passa 24 horas por dia na fun??o de artista, voc? perde a identidade.
QUEM: Quando voc? n?o est? na “fun??o de artista”, como voc? est??
L.A.: Trabalho de um jeito que consigo ser mais transparente. Claro que, ?s vezes, rola um exagero no palco [do Programa Silvio Santos, em que integra o time fixo do Jogo dos Pontinhos e tem liberdade at? para chamar o apresentador de "Sissi"], mas mostro muito da minha personalidade l?. Sou uma pessoa adapt?vel e sei me divertir do luxo ao lixo. N?o sei te dizer o que eu prefiro. Gosto, por exemplo, de estar nos melhores lugares, mas tamb?m nos piores. Isso me deixa com os p?s no ch?o. Gosto de n?o perder a minha ess?ncia.
QUEM: Uma vez voc? j? me contou que sua fam?lia n?o ? do Carnaval. Hoje, sua fam?lia e seu noivo j? est?o acostumados?
L.A.: Sou madrinha de meio mundo no samba. Minha m?e at? fica brava quando n?o a chamo para desfilar. Meu noivo n?o ? do meio, n?o est? t?o acostumado, mas sabe do meu amor pelo Carnaval. Trouxe at? f?s para os desfiles. Tem alguns que desfilam aqui, outros na Gavi?es, na Nen?... Existe preconceito com o Carnaval, mas quem vive a experi?ncia de passar por ele, sabe que n?o precisa desse preconceito.
QUEM: Que tipo de preconceito ? o mais recorrente?
L.A.: Por ser mulher, por ter um corpo legal... A mulher quando ? bonita e gostosa, ela n?o pode ser bem sucedida. Bonita, gostosa, bem sucedida e sem ter nascido em ber?o de ouro? Claro que h? preconceito. Superei essas barreiras e corri atr?s. ? s? o tempo para provar que n?o dependi de ningu?m. Os 30 me trouxeram essa tranquilidade de saber que n?o preciso provar nada a ningu?m. Mulheres do Carnaval, no geral, s?o vistas de forma preconceituosa.
QUEM: Quem s?o seus ?cones no Carnaval?
L.A.: Luma de Oliveira, Monique Evans e Luiza Brunet. A Monique sempre foi ousada. Atualmente, em S?o Paulo, como rainha de bateria a melhor ? a Camila Silva, da Vai Vai. Ela tem um ziriguidum que ? s? dela e sabe ser o centro das aten?es. No Rio, gosto da Cris Vianna. Ela samba, ? simp?tica e representa muito bem uma bateria.
CR?DITOS
Make up art?stico: Victor Nogueira
Agradecimentos: Imp?rio de Casa Verde e RL Produ?es