De cabelos molhados, moletom folgado e com a pinscher Regina e a lulu da pomer?nia Amora no colo, Lu?sa Sonza chega ao est?dio de fotografia de Danilo Borges, em S?o Paulo, discreta e t?mida. Antes de sentar na cadeira do camarim, a cantora de 20 anos cumprimenta com um beijo no rosto cada um da equipe que lhe aguarda para esse ensaio de capa da QUEM.
Enquanto apliques s?o colocados para alongar suas madeixas loiras e a maquiagem disfar?a seus tra?os angelicais, a personalidade forte da estrela vai se revelando. Filha do agricultor C?sar, de 53 anos, e da professora Eliane, de 48, Lu?sa nasceu em uma fam?lia de mulheres unidas e batalhadoras de Tuparendi, cidade de quase 9 mil habitantes do Rio Grande do Sul. Desde pequena, ela se destacava por suas atitudes que iam contra o padr?o de comportamento esperado das meninas da regi?o.
“Sempre fui muito moleca, de subir em ?rvore, jogar bola com os meninos", conta ela, cuja as dificuldades enfretadas por sua fam?lia a transformaram na mulher forte que ? hoje. "Minha av? (Marli Gerloff, 67 anos) criou a minha m?e sozinha porque o meu av? foi assassinado quando minha m?e, que era a mais velha das tr?s filhas, tinha apenas 14 anos. Elas tiveram que ter muita for?a”, explica. Ela ainda hoje se lembra dos ensinamentos que recebia. “Minha m?e sempre me falou: ‘Voc? nunca pode depender de um homem e largar o seu trabalho’”.
Aos sete anos, j? sabia o que queria ser: cantora. Ap?s dez anos no vocal da Banda Sol Maior - que costumava fazer at? 21 shows por m?s em casamentos, eventos e feiras -, e do sucesso em seu canal do YouTube interpretando covers, a ga?cha entendeu que precisava deixar sua cidade e correr atr?s da pr?pria carreira.
“Eu tinha essa vontade de sair da minha cidade. Fiquei dez anos trabalhando l? e acreditava que algo maior fosse acontecer, mas n?o sabia como. Eu entrava em uma ansiedade, em uma crise de medo... Ficava angustiada”, relembra ela, que se mudou para S?o Paulo h? 3 anos.
Enquanto buscava sua identidade musical e ganhava espa?o como cantora, Lu?sa conheceu o grande amor de sua vida, Whindersson Nunes, o youtuber de mais sucesso do Brasil. Os dois, que come?aram a conversar por mensagens no Instagram -- ap?s ele visualizar um v?deo dela --, ficaram noivos com dois anos de namoro. O pedido foi feito em uma grava??o do canal do YouTube do humorista, que atualmente tem mais de 35 milh?es de seguidores.
No come?o do ano passado, Lu?sa se casou com o piauiense, na ?poca com 23 anos, em S?o Miguel dos Milagres, Alagoas. Os holofotes se viraram para ela e com a fama vieram as cr?ticas. “Sofri muito no come?o. Pense em mim: t?o feminista que sou, do jeito que fui criada, ganhando dinheiro desde os sete anos, ser diminu?da a ‘est? come?ando e n?o sabe o que est? fazendo’. Mas todos os desafios para mim foram incr?veis e ?timos para o meu crescimento porque me fizeram querer ser melhor de mim. Talvez eu n?o faria (o que fiz), se tivesse tudo de m?o beijada e n?o tivesse que correr atr?s de me diferenciar e de desvincular essa imagem (do Whindersson). Ele ? um artista muito grande e talentoso. Eu pensei: ‘como ? que eu vou sair disso e criar a minha pr?pria identidade?’. Consegui com muito trabalho”, conta.
Neste per?odo, Lu?sa tamb?m lidou com a depress?o. Com as terapias semanais, ela conseguiu superar o problema. "Eu tive vergonha, medo, sofri de depress?o. ? uma coisa s?ria e tratei logo no come?o", relembra ela, que durante o ensaio leu o desabafo que Whindersson dividiu com os seus seguidores do Twitter sobre o per?odo de ang?stia que estava enfrentando.
Preocupada, ela prontamente ligou para o marido para se certificar de que ele estava bem e mesmo abalada, posou para os ?ltimos cliques da sess?o fotogr?fica para depois seguir direto para sua casa, onde encontraria Whindersson.
"Como qualquer pessoa que ama a outra, estou do lado dele, oferecendo amor, carinho, aten??o e apoio nesse momento. Diminu? o ritmo de trabalho e me concentrei em alguns compromissos j? marcados para ficar do lado do Whindersson. N?o parei agenda, como muitos falaram, eu s? desacelerei para ficar com meu marido e oferecer a ele tudo que fosse preciso naquele momento", explicou dias depois do epis?dio.
Atualmente com v?rios hits emplacados como Devagarinho, Boa Menina e Pior Que Possa Imaginar, a cantora tamb?m se dedica ao seu primeiro ?lbum. "Esse ?lbum trar? diversas nuances de uma mesma Lu?sa. Vou mostrar ao p?blico minhas inspira?es, meus ideais, posturas, hist?rias, desabafos. Voc?s v?o me conhecer mais e entender quem sou, um ser em constante muta??o e com aprendizados que se renovam todos os dias", garante.
Apesar de jovem, voc? tem muita atitude. Como foi sua cria??o na pequena Tuparendi?
Tive uma inf?ncia no interior e sempre fui muito do mato. Tenho uma liga??o grande com a natureza, plantas, terra e com os animais. Morei l? at? os 17 anos. Sempre fui muito moleca, de subir em ?rvore, jogar bola com os meninos. Nunca fui muito de brincar de Barbie. Sonhava em ser jogadora de futebol, mas tamb?m queria ser de tudo: astronauta, ginasta... O empoderamento come?ou cedo. Vim de uma fam?lia de mulheres. Minha av? criou a minha m?e sozinha porque meu av? foi assassinado quando minha m?e, que era a mais velha das tr?s filhas, tinha apenas 14 anos. Ela teve for?a para criar as tr?s meninas em uma ?poca em que n?o era t?o f?cil ser uma m?e sozinha. Minha av? trabalha como cabeleireira at? hoje. Sempre vi essa for?a e uni?o delas. Isso se estendeu a mim. Tive essa mulheres fortes na minha vida e tenho hoje a minha prima (Nadine Gerloff Darui, 21 anos, atriz, modelo e influencer) que inclusive vive comigo. N?s nos ajudamos muito e sempre tive vontade de ver isso nas outras mulheres. Em cidade pequena, todas as rela?es s?o muito pr?ximas e eu via muitas vezes algumas mulheres contra as outras. Eu queria que isso fosse diferente. Foi a partir disso que eu criei essa vontade de sair (da cidade) e fazer uma coisa maior. Queria que o que eu via dentro de casa, se estendesse para as outras mulheres, sem saber que aquilo era empoderamento e feminismo.
No interior, principalmente, muitas pessoas t?m aquela ideia ainda de que a mulher tem que se casar e ter filhos...
Vi muitas mulheres desencorajadas a serem algu?m na vida. Minha m?e sempre me falou: ‘Voc? nunca pode depender de um homem e largar o seu trabalho por nada neste mundo. Nunca se sinta menos que algu?m por ser mulher’. Porque muitas vezes ela mesma acabou fazendo isso por n?o ter o entendimento de que n?o precisava parar a sua vida, de que n?o devia ser julgada por escolher o trabalho ? casa. Ela sempre me incentivou e meu pai tamb?m. Deste aprendizado, quis expandir para outras pessoas. J? que eu tenho tanta voz, por que n?o us?-la para algo que acredito e para o bem? Quando comecei o meu relacionamento com o Whindersson vi at? mais essa opress?o do que no interior. As pessoas achavam que eu tinha que seguir um r?tulo e ser determinada coisa. Teve gente que falou que eu n?o poderia ser artista porque o meu marido j? era, sendo que eu canto desde os sete anos de idade. Eu jamais deixaria minha carreira por causa de um relacionamento. S?o duas coisas totalmente separadas. Essas coisas que aconteceram comigo, principalmente quando comecei o meu namoro, que evoluiu para o casamento, me deram certeza de que a minha miss?o era mostrar que, n?o era porque eu estava casada, que eu precisava largar minha carreira ou ter filho. Meu trabalho vem acima de tudo sempre.
Voc? come?ou a cantar muito cedo, n??
Quando eu tinha uns quatro anos, meu pai viajava muito de carro e para economizar, passava dias dirigindo. Para ele n?o dormir, eu cantava a noite inteira com o meu pai m?sicas como Sin?nimos (Z? Ramalho), No Dia Em Que Eu Sa? De Casa (Zez? Di Camargo e Luciano) e Filha (Rick & Renner)... Meus pais sempre gostaram muito de m?sica. O sonho da minha m?e era ser cantora. Ent?o, sempre apreciamos m?sica. Eu pedi e eles me deixaram participar de festivais desde cedo.
Depois voc? fez parte da Banda Sol Maior, que tinha o vocal formado por um homem e v?rias meninas. Como foi esse come?o de carreira?
A Banda Sol Maior era uma banda de casamento e tocava muito em igrejas e feiras. Acho que cantei em todos os casamentos daquela gera??o. Sempre foi um ambiente muito saud?vel. A banda me deu muita experi?ncia de palco, de cantar em grupo e de saber que uma devia apoiar a outra. A gente fazia muitos shows, chegava a 21 shows por m?s, e n?o tinha acompanhamento nenhum. N?o tinha aquecimento vocal e era s? retorno de ch?o. Uma ficava rouca, a outra ia l? e ajudava. At? hoje tenho amizade com elas. Algumas foram madrinhas do meu casamento. N?o foi uma ?poca f?cil. Mas me fez crescer muito cedo e lidar com coisas que, como crian?a, n?o tinha que lidar. Tive que ser adulta e ter muita responsabilidade antes do tempo. Era realmente um trabalho. Tinha que me submeter a coisas como qualquer outro assalariado. Tive que calar a boca muitas vezes, chorar escondida... Ter essa experi?ncia cedo me fez crescer como pessoa e ter mais responsabilidade.
Recentemente, voc? disse que a m?sica te salvou de muitas coisas...
A m?sica salva a gente de v?rias maneiras. Eu mesma recebo mensagens: ‘Estava em depress?o e comecei a acompanhar voc? e seus clipes e sua alegria me motivou’ ou ‘Eu queria ser cantora, mas tinha vergonha, e voc? me motivou’. N?o foi diferente comigo: eu tive vergonha, medo, sofri de depress?o. ? uma coisa s?ria e tratei logo no come?o. A m?sica sempre me motivou a querer mais e criou um sentido para a minha vida. Ela me salva de qualquer coisa ruim.
Lu?sa Sonza Aspas (Foto: )
Esse sentimento veio em decorr?ncia desta vontade de ir atr?s da sua carreira?
Eu tinha essa vontade de sair da minha cidade. Fiquei dez anos trabalhando l? e acreditava que algo maior fosse acontecer, mas n?o sabia como. Eu entrava em uma ansiedade, em uma crise de medo... Ficava angustiada. Mas a depress?o veio em um momento mais tarde, quando comecei a lidar com a fama. Foi muito no come?o. Quando foi diagnosticada, j? tratei e ainda fa?o terapia toda semana. N?o ? s? para quem est? com problema, terapia tem que ser para todo mundo. Mas n?o tenho muito o que dizer sobre essa fase. Sou reservada.
Voc? come?ou a se tornar conhecida pelos covers. Como foi descobrir a pr?pria identidade musical?
Descobrir a minha identidade musical foi a parte mais dif?cil. A sociedade te pressiona a entrar em um r?tulo: ‘Voc? faz sertanejo, m?sica eletr?nica, pra balada?’. Eu me encontrei em um momento em que pensei: ‘Me perdi. Eu quero fazer tudo’. Eu quero tocar as pessoas de v?rias formas. At? que eu pensei: ‘N?o sei e tudo bem n?o saber’. Ao mesmo tempo que eu n?o sabia, fui fazendo e encontrando o meu estilo. Voc? vai entender que nem sempre o que voc? gosta de escutar ? o que voc? tem que cantar necessariamente. L?gico que tem que amar de paix?o o que canta, mas seu eu for cantar o que eu gosto de ouvir, vou parecer uma louca. Eu gosto de funk, blues, rock, pop, sertanejo... Se eu fosse tentar cantar todos os estilos, talvez eu me perdesse.
Foi por causa do YouTube tamb?m que voc? conheceu o Whindersson Nunes. Foi complicado ter que lidar com o r?tulo de ser mulher dele depois de anos trabalhando como cantora?
Sofri muito no come?o. Pense em mim, t?o feminista que sou, do jeito que fui criada, ganhando dinheiro desde os sete anos. Da? eu sou diminu?da a: ‘est? come?ando e n?o sabe o que est? fazendo’. Mas todos os desafios para mim foram incr?veis e ?timos para o meu crescimento porque me fizeram querer ser o melhor de mim. Talvez eu n?o faria, se tivesse tudo de m?o beijada e n?o tivesse que correr atr?s de diferenciar essa imagem, de desvincular essa imagem (do Whindersson). Ele ? um artista muito grande e talentoso. Eu pensei: ‘como ? que eu vou sair disso e criar a minha pr?pria identidade, me desvinculando dele?’. Consegui com muito trabalho. Foi muita vontade minha porque n?o ? f?cil. As pessoas querem diminuir a gente, ainda mais por ser mulher. N?o ? s? comigo. Se voc? reparar, qualquer mulher que tem uma carreira ? vinculada a um homem. Acho que isso me d? mais for?a para mostrar que a mulher ? independente, sim. Nunca fiz nada que me vinculasse a ele. At? mesmo porque s?o nichos diferentes. Levei isso como desafio e hoje considero que consegui me desvincular totalmente. Tem f? que nem sabe e me fala: ‘Voc? namora com o Whindersson?’. Para mim, o maior elogio ? falar isso.
? verdade que voc? sempre fez quest?o de dividir todas as contas com o Whindersson, mesmo quando n?o ganhava t?o bem quanto ele?
Sempre dividi as contas e at? hoje tudo ? totalmente dividido. Gra?as a Deus, cheguei em um patamar diferente, mas j? tive que ralar muito para fazer isso. Tudo ? dividido em casa: aluguel, luz, ?gua, mercado... E ele ganhava muito mais do que eu. Mas eu queria isso porque acho que a gente tem que correr atr?s do nosso. A gente tem que buscar essa independ?ncia desde cedo porque o homem busca. Ele ? ensinado a crescer, arrumar um bom emprego, ser bem de vida e sustentar a casa. A mulher ? ensinada a encontrar um homem que fa?a isso. Eu n?o acho que tenha que ser assim. A mulher tem que aprender a ganhar o seu dinheiro e ser independente. O trabalho, acima de tudo, ? a coisa mais importante para uma mulher. Eu tenho pais que me incentivaram a ser uma mulher que busca sua independ?ncia. O Whindersson tamb?m sempre foi muito parceiro e me respeitou como mulher, minhas escolhas e minha carreira. Assim como eu respeito a dele e sei que ? a coisa mais importante da vida dele. Um incentiva o outro. Acho isso lindo. Queria que todos os relacionamentos fossem assim. Ele estava dois meses fora e falava: ‘amor, quero voltar. N?o aguento mais’. Eu falava: ‘amor, este ? o seu sonho e voc? tem que ficar. A gente vai ter o resto da vida para se ver’.
Quais foram as suas primeiras impress?es do Whindersson?
O Whindersson ? incr?vel. Se voc? conversa um dia com ele, j? nota isso. Ele ? uma das pessoas mais inteligentes que eu j? conheci. Com uma vis?o incr?vel de carreira e de vida. E acima de tudo, ele tem um cora??o bom. Sempre vi isso nele. Eu n?o tinha isso na minha realidade antes, de pessoa que tivesse a ?ndole boa. Interior voc? sabe como ?. Amo a minha cidade e minhas ra?zes, me orgulho muito dela, mas ? como aquela frase: 'conviv?ncia n?o ? o problema, conviv?ncia revela os problemas'. Em cidade grande a gente tem essa dist?ncia maior das pessoas. Em cidade pequena, todo mundo se conhece. Ele veio de cidade pequena tamb?m, mas ele tinha ?ndole diferente e alma totalmente iluminada. Ele ? muito para frente. Ele faz aquelas dancinhas nos v?deos, mas ele ? uma pessoa muito inteligente. Admiro muito isso nele. Acho que admira??o ? o primeiro pilar do relacionamento. A primeira coisa que voc? tem que pensar ?: ‘Eu admiro essa pessoa?’. Se voc? n?o admira, o relacionamento n?o vai para frente, as coisas ficam mais dif?ceis, n?o tem respeito.
Volta ou outra, voc? comenta que os f?s te cobram filhos. Isso incomoda?
Eu sinto essa press?o para ter filhos, mas n?o ligo. Deixa as pessoas quererem. Eu e o Whindersson que temos que decidir. Eu levo numa boa. J? me importei e me incomodei mais. Acho que muita gente quer ver porque ama a gente como casal, a nossa fam?lia com as nossas cachorrinhas, e criam essa expectativa. Acho que tem que parar de existir essa press?o. Conhe?o muita mulher que falava que tinha que ter filho porque o marido queria. E voc?? N?o importa se o marido quer ou n?o quer. Voc? ? a m?e! Pelo Whindersson, em tr?s meses de namoro, a gente j? tinha filho. Eu falei: ‘nem que a vaca tussa’. E ele respeitou isso. O mais importante ? n?o ter a press?o dentro de casa e ter o respeito. Muitas mulheres vivem isso de se sentir pressionadas a terem filhos em um momento em que n?o est?o preparadas, que teriam que se dedicar ? carreira, mas deixam a carreira de lado... Essa ? a cena cl?ssica. E isso n?o deve acontecer. Mulheres, respeitem o seu tempo!
Nos seus outros relacionamentos, voc? sofreu com homens que achavam que uma menina para casar n?o podia rebolar at? o ch?o ou usar roupas mais ousadas?
Passei por isso, mas sempre tive personalidade muito forte. Eu quebro tudo e movo montanhas. ? que nem eu falo em Boa Menina: ‘n?o deixem te dizer o que deve fazer’. Muitas vezes, foi implantado em mim esse pensamento do que uma boa menina deve ser. Tive uma desconstru??o para entender que n?o era assim. Mas nunca fui muito presa tamb?m a isso. Por mais que eu era ensinada que o certo era assim, eu falava: ‘Foda-se o certo! Eu fa?o o que eu quiser’. Hoje sei que este n?o ? o certo, que a mulher tem que fazer o que quiser e que por ser recatada ela n?o ? mais ou menos que outra mulher. Mulher tem que ser o que ela quiser ser, assim como o homem. A gente tem que lembrar sempre de respeitar o pr?ximo.
Como ? ser casada com um humorista? Tem como rolar uma DR?
N?s dois somos bem brincalh?es. ?s vezes, a gente tenta brigar, mas tudo acaba em riso. ? come?o de relacionamento, n?? Quando eu tiver dez anos de relacionamento, talvez n?o seja a mesma coisa. Tem muito di?logo. Incr?vel como a gente consegue conversar e sempre entrar em um acordo que ? bom para os dois. Quando a gente discute, a gente logo j? entra em um consenso e acaba rindo. Sou mais brincalhona que ele na rela??o. Sempre um acaba fazendo o outro rir. A gente acha engra?ado ser casado e estar tendo DR de casado. Porque a gente ? muito novo. ? aquilo de: ‘baixa a tampa do vaso’, ‘tira a toalha da cama’. No final acaba virando uma brincadeira.
A Carolina Dieckmann, que assim como voc? teve nudes vazados, quando compartilha em sua rede social uma foto mais sensual, costuma receber coment?rios como: ‘depois reclama quando vaza nudes’. Voc? enfrenta isso tamb?m?
A gente tem que continuar lutando. O corpo ? meu e eu fa?o o que eu quiser. A gente est? t?o retr?grado e atrasado. N?o sinto raiva porque ? cria??o dos brasileiros. Uma sociedade patriarcal, machista. N?o vou julgar, mas quem tem consci?ncia tem que lutar sem ?dio. O ?dio n?o resolve nada. Sei que n?s mulheres, quando escutamos um neg?cio desses como ‘merece ser estuprada’, sente raiva, mas a gente tem que ser superior neste momento. Se voc? tem ?dio no seu cora??o e quer me diminuir como ser humano por eu ser mulher ou expor meu corpo, fique na sua pequeneza e sua bolha que ? totalmente ignorante. A gente tem que tentar conversar e as mulheres t?m que se unir. As mulheres que querem vestir uma burca, tem que respeitar as mulheres que querem andar de biqu?ni fio-dental. E vice-versa. Respeito e amor resolvem tudo. Quando voc? rebate com ?dio, vira uma guerra e ningu?m vence. A gente tem que lutar, mas lutar com clareza e amor. Tem vezes em que tenho que parar, pedir ilumina??o divina, porque sou estressada. A vontade que eu tenho ? mandar meio mundo ? merda porque a gente se revolta com o jeito que as pessoas pensam sobre cor da pele, orienta??o sexual. ? t?o absurdo que n?o entra na minha cabe?a, mas a gente tem que respirar fundo e pensar: 'vamos mudar isso e vamos tentar conscientizar as pessoas de uma maneira superior e n?o entrar nessa onda de ?dio que a gente vive hoje'.
E em rela??o aos padr?es de beleza, j? sofreu muito com isso?
Sempre tive uma autoestima alta, mas com 15 quilos a mais foi a fase em que tive mais autoestima baixa. Com a exposi??o, recebi muitos coment?rios me diminuindo, me chamando de gorda. Foi uma ?poca em que passei a odiar muito o meu corpo. Tenho muitas estrias e celulite, como qualquer outra mulher... Tenho o peito natural, n?o tenho silicone, e tirei uma foto que foi um bombardeio. As pessoas falando que o meus peitos eram ca?dos. Nesta ?poca, j? estava muito segura, mas se fosse um pouco antes... A partir do momento em que comecei a amar meu corpo do jeito que ele era, emagreci porque passei a respeit?-lo. Isso foi muito louco. Hoje em dia tenho zero problema. Como de tudo mesmo. N?o fa?o dieta e continuo com o meu corpo do jeito que eu gosto e bonito. Eu tenho uma beleza considerada padr?o, mas tenho celulite, estrias, muitas varizes. Hoje em dia eu ando lindamente, mostro celulite. Se aparecer, apareceu. N?o for?o para aparecer. Se tem aquela luz que fica tudo lindo, tudo bem. Sou totalmente resolvida com o meu corpo. N?o mudaria nada.
Voc? n?o ? contra pl?sticas?
A galera tem uma fixa??o em me colocar silicone, mas neste momento estou satisfeita com o meu peito assim. Se um dia resolver colocar, n?o vejo problema algum tamb?m. J? coloquei boca. Nada vai fazer eu tirar porque essa boca sempre foi minha. Estou totalmente realizada por enquanto. Quando eu quiser mudar, mudo. ? assim que tem que ser, ter essa liberdade de querer mudar ou n?o.
Voltando a falar de carreira, voc? j? faz planos de investir internacionalmente no seu trabalho?
Sempre planejei a minha carreira, desde de Tuparendi. Pensava: 'quando eu chegar a tantos milh?es de seguidores, farei a primeira m?sica autoral'. Tudo sempre foi muito planejado. Sou muito nova e me considero uma artista em constru??o. Tenho muita coisa em constru??o que ainda n?o mostrei pelo tempo de carreira em que estou conhecida. Quero ainda mostrar muita coisa para o meu pa?s antes de ir para fora. N?o fiz turn? ainda aqui, nem lancei o meu primeiro ?lbum. At? ent?o, fiz singles, que fizeram muito sucessos e um EP, que n?o fez sucesso, mas que foi um come?o e mostrou que a Lu?sa n?o fazia mais covers. Meu p?blico entendeu que eu era autoral. ? uma carreira bonita e exponencial, mas que ? muito recente. Tenho muito p?blico em Portugal, no M?xico e inclusive nos Estados Unidos, mas o foco ? no Brasil ainda. O planejamento da carreira para fora est? longe de come?ar ainda.
E como ser? o seu primeiro ?lbum?
Esse ?lbum trar? diversas nuances de uma mesma Lu?sa. Vou mostrar ao p?blico minhas inspira?es, meus ideais, posturas, hist?rias, desabafos. Voc?s v?o me conhecer mais e entender quem sou, um ser em constante muta??o e com aprendizados que se renovam todos os dias. Tem muita coisa autoral, parcerias e sobre ritmos, temos varia?es de estilos dentro do pop, justamente para mostrar essa diversidade que o ?lbum se prop?e.
CR?DITOS
Reportagem: Marina Bonini
Fotos: Danilo Borges
Stylist: Jo?o Fran?a Ribeiro
Assist?ncia e produ??o: J?nior Martins e Marina Costa
Make: Pedro Moreira
Assistente de make: Daniel Ara?jo de Oliveira
CAPA
Brincos Eduardo Caires
LOOK BEGE
Top Skazi, short Minha Av? Tinha, casaco Burberry, bota Croqui, colar Higher, 2 pele Comme Des Gar?ons
LOOK PRETO
Mai? Gucci, cinto Kaoli, jaqueta de couro Miumiu, sand?lia Versace
LOOK VERMELHO
Minha v? tinha e jaqueta Ellus