
Em tom vigoroso, Mait? Proen?a avisa que n?o bebe ?gua em copo descart?vel. “? para servir no de vidro, nem que seja naquele de requeij?o”, orienta a uma das funcion?rias do Teatro XP, no Leblon. Em seguida, faz quest?o de exibir um recipiente retr?til de silicone adquirido numa loja de acess?rios ecol?gicos recentemente. “Tenho que conscientizar a minha equipe”, justifica. Os argumentos firmes demonstram que n?o h? frescura ali. Apesar do rosto levemente maquiado, dos fios louros muito bem penteados — e do fato de ter o Copacabana Palace como quintal de casa —, a apar?ncia e as atitudes de mulher sofisticada escondem uma surpreendente lista de nega?es: Mait? n?o frequenta sal?es de cabeleireiro, jamais pinta as unhas e nunca foi figurinha f?cil de consult?rios dermatol?gicos. Aos 60 anos rec?m-completados, ela jura n?o ligar tanto para o espelho.
— Sou vaidosa, mas n?o obcecada — revela a adepta de exerc?cios de ioga (“quase todos os dias”).
Desde o ?ltimo fim de semana, a figura de presen?a imponente ocupa o palco na Zona Sul do Rio para celebrar a idade redonda e as quatro d?cadas de carreira. Como protagonista do mon?logo “A mulher de Bath”, na pele de uma senhora que enterrou cinco maridos, a paulistana discursa, sem papas na l?ngua, sobre assuntos como casamento, vingan?a e sexo. A ideia ? provocar o p?blico com reflex?es de car?ter feminista.
— N?o adianta ficar falando com quem j? concorda comigo. Preciso alcan?ar quem pensa diferente e acha chato esse pleito. Nada melhor do que o humor para isso — defende.
Fora da fic??o, os temas controversos tamb?m s?o pauta constante nos l?bios bem desenhados. Mait? gosta de opinar acerca da oposi??o entre os universos masculino e feminino. Sobre copos, corpos, l?quidos e secre?es, h? sempre o que ser dito, afinal.
— Homens sabem pouco sobre as mulheres, inclusive na cama. Mas, com jeito, a gente pode ensinar, porque n?o ? falta de interesse. Eles n?o sabem que pouco sabem — dispara, antes de acrescentar que est? namorando (ela n?o revela o nome): — As mulheres tamb?m entendem pouco dos homens, mas desconfio de que t?m menos o que aprender. N?o vou ser expl?cita, mas acho que a fisiologia masculina ? menos complexa.
A postura transparente com que lida com tabus ainda ? vista com espanto por alguns. Ela n?o se incomoda com a repercuss?o pol?mica de determinadas a?es e declara?es nos ?ltimos meses. Em entrevista recente, logo ap?s o fim de um contrato de 37 anos com a Globo, Mait? denunciou uma s?rie de ass?dios sofridos ao longo da trajet?ria profissional. Se n?o fosse mulher, suas falas seriam encaradas com mais tranquilidade, ela tem certeza.
— As pessoas que se colocam s?o atacadas, sobretudo numa sociedade de ?nimos exaltados e opini?es rasas e radicais. Sou do time da verdade, e durmo melhor assim. N?o sofro de ins?nia. Apesar de ser uma pessoa bastante reservada, tenho o temperamento justiceiro e n?o sossego at? que as coisas estejam como devam estar — argumenta, com f?lego: — N?o sou do tipo quietinha e sou fraca como engolidora de sapos. Mas n?o gosto de reclamar. Prefiro agir, colocar ?s claras, conversar, encontrar um caminho poss?vel. Assim vou me virando nesse mundo de homens. Al?m disso, gosto muito deles. Detestaria viver sem eles. Ent?o, aprendi a conviver.
Distante da teledramaturgia desde “Liberdade, liberdade” (2016), Mait? tem recebido convites para integrar o elenco de outras emissoras da TV. Ela nega todos. Por enquanto, as prioridades s?o os palcos e a rotina ao lado da filha, Maria Marinho, de 27 anos (fruto do casamento com o empres?rio Paulo Marinho).
— Quero e preciso fazer cada vez melhor o que escolho. Neste momento, meu desejo ? fazer menos e estar mais. O tempo virou um luxo. ? tanto sinal me convocando para isso e para aquilo, que n?o consigo mais pensar de forma criativa. Quero tempo para viver! — ressalta, ponderando que, num futuro qualquer, pode, sim, encarnar personagens em novelas b?blicas: — N?o tenho preconceito quando se trata de trabalho. Tudo pode ser feito de forma honrada. As portas estar?o sempre abertas a propostas.
Est? a? a prova: Mait? Proen?a realmente n?o descarta nada.