
?John John Florence nasceu em 1992, Gabriel Medina ? de 1993. O mito Kelly Slater j? era campe?o mundial quando os dois nasceram e jamais poderia imaginar que continuaria na ativa para competir ao lado dos principais surfistas jovens do mundo. E o futuro do surfe foi colocado ? prova nesta segunda-feira com uma bateria ?pica entre o havaiano (22) e o brasileiro (21) nos tubos de Teahupoo, no Taiti, palco da s?tima etapa do Circuito Mundial de Surfe. Como era de se esperar, os dois ?dolos da nova gera??o deram um show e elevaram o n?vel de dificuldade em uma final antecipada, com seis notas superiores a 9. Melhor para o atual campe?o mundial e defensor do t?tulo do evento, que dispensou um 9.07 para somar 19.00 (9.27 9.73) de 20 poss?veis e eliminar John John, com 18.84 (.9.57 9.27), avan?ando para a quarta fase.
- Estava muito animado antes da bateria. O John John ? um dos melhores aqui, ? um dos meus surfistas prediletos tamb?m. Estou amarrad?o de pegar tubos, as condi?es estavam incr?veis e estou feliz por vencer mais uma bateria. Sabia que seria dif?cil. E meu pai disse: continue com essa estrat?gia, esperando as melhores ondas. Ele conseguiu duas notas acima de nove no meio, mas, gra?as a Deus, peguei aquela onda louca e passei. Estou muito feliz de surfar aqui e me sentindo muito bem. Eu amo essa onda. Ganhei aqui no ano passado e estou em busca de mais uma vit?ria - disse Gabriel Medina.
Filipe Toledo, Wiggolly Dantas e Italo Ferreira, que eliminou Jadson Andr?, tamb?m venceram na terceira fase. A decep??o veio com Adriano de Souza, o Mineirinho. L?der do ranking, o paulista do Guaruj? teve um rival ingrato: Bruno dos Santos, convidado ap?s o vice nos trials e primeiro brasileiro a sagrar-se campe?o no Taiti, em 2008. Bruninho, freesurfer e avesso ?s competi?es, tem a bancada quase como seu quintal de casa, devido ? presen?a frequente no pico. O atleta de Niter?i fez 16.20 a 13.70 e complicou a vida de Adriano, que poder? perder a lycra amarela. A sorte dele ? que Mick Fanning, vice-l?der, foi surpreendido pelo espanhol Aritz Aranburu e tamb?m foi eliminado. Na quarta fase, Toledo encara os aussies Kai Otton e Owen Wright, na abertura, enquanto Medina mede for?as com Bruno e Italo na sequ?ncia. Wiggolly ter? pela frente Aranburu e um advers?rio a ser definido, na terceira bateria.
Bruninho j? havia deixado claro para Mineirinho o quanto ele era perigoso nos tubos de Teahupoo logo na primeira fase, quando o derrotou pela primeira vez e obrigou o l?der do CT a lutar pela sobreviv?ncia na repescagem. Na terceira fase, eles voltaram a se encontrar, e o panorama se manteve. Ap?s um in?cio equilibrado, Bruninho pegou um belo tubo (7.33) e passou ? frente: 9.10 a 2.77. Adriano tentou responder na mesma moeda, por?m, n?o conseguiu concluir a manobra. Endiabrado, o campe?o da etapa em 2008 se entocou novamente e arrancou um 8.43 para colocar o paulista em combina??o (15.77) a 18 minutos do fim.
Mineirinho pegou um tuba?o, arrancou 8.10 dos ju?zes e passou a buscar um 8.11 para assumir a ponta. A cinco minutos do fim, o l?der se jogou na bancada, mas o 5.60 n?o foi suficiente para o deixar na frente. O paulista n?o desistiu, mas o mar n?o cooperou. Na onda seguinte, mais uma nota razo?vel: 5.50. Enquanto isso, Bruninho reinava absoluto. E ainda substituiu o 7.33 por um 7.77 no fim para chegar a 16.20 e avan?ar, com tranquilidade, rumo a mais uma vit?ria.
Na sequ?ncia, o defensor do t?tulo no Taiti pegou um tuba?o e desapareceu atr?s da parede de ?gua. No fim, ele ainda levantou voo para comemorar, com estilo, assim como fez na final contra Kelly Slater no ano passado. Ganhou 9.07 e chegou a 15.64. John John finalmente achou um belo tubo, tirou nota 7.77 e entrou com tudo na briga. Cria do North Shore da ilha de Oahu, o havaiano passou a buscar um 7.88 para virar. Enquanto isso, Medina brincava e arrancava aplausos e gritos do p?blico. Era como se estivesse em um playground. Confort?vel, o brasileiro encaixou um a?reo e continuou com boas batidas e rasgadas. Com 6.60, ampliou para 15.67. Mas Florence mostrou que tamb?m tem um repert?rio de encher os olhos. Com muita t?cnica e equil?brio, ele brilhou em um a?reo 360?, de costas e sem as m?os: 9.57. A pontua??o de 17.34 o colocou pela primeira vez na lideran?a e jogou a press?o para o outro lado.
Medina n?o se intimidou e demonstrou frieza para reverter o resultado. Cir?rgico, surfou um tubo com perfei??o em busca do 9.58 que o colocaria novamente na frente. Os ju?zes demoraram a soltar as notas. Para dar sorte ao azar, o brasileiro pegou mais um tubo para garantir e ficou muito profundo. Na primeira tentativa, um 9.27. John John se manteve ativo e para n?o marcar bobeira tirou um 9.27 com mais um belo tubo: 18.84. Medina esperava ansioso para saber a sua pontua??o na ?ltima onda. Medina queria um 9.58 e, a tr?s minutos do fim, recebeu a 9.73 para assumir a ponta, com 19.00. Florence ainda arriscou no fim, mas n?o encontrou sa?da nos tubos. Aliviado, Medina soltou um grito de vit?ria e segue vivo rumo o bicampeonato no Taiti.
Onze vezes campe?o mundial, Slater se rendeu ao talento dos dois jovens surfistas e lamentou a necessidade de uma elimina??o.
- Eu s? precisava de uma desculpa para postar esse registro do #ButtonsKaluhiokalani (meu primeiro surfista favorito). E a bateria cl?ssica que acabou de terminar entre os meus dois surfistas prediletos, John John Florence e Gabriel Medina, deu uma boa. Foi uma das melhores baterias que eu j? vi, forte candidata ao pr?mio de melhor bateria do ano. Ser? dif?cil ter uma disputa igual. S? algu?m com o desejo do Gabriel Medina, a sua competitividade e seu talento bruto poderia superar o desempenho do JJF. Muito ruim algu?m ter de perder.
Quarto colocado no ranking mundial, Filipe Toledo teve sabedoria nas escolhas das ondas e muita paci?ncia para bater Brett Simpson na primeira bateria da terceira fase em Teahupoo. Mas a tarefa do brasileiro n?o foi nada f?cil. Com o mar pequeno e as condi?es n?o t?o boas nos primeiros minutos de disputa, Filipinho preferiu esperar para dar o bote.
J? o surfista americano usou outra estrat?gia e come?ou melhor. Logo na sua terceira onda, Brett Simpson tirou um 8,17, saiu na frente e liderou a disputa at? pouco mais de seis minutos para o fim. Foi quando o brasileiro entrou em a??o. Com os mesmos 8,17 de Brett e um 6,17 na sequ?ncia, Filipinho virou para n?o perder mais. Com a vit?ria nas m?os, o vencedor das etapas de Gold Coast, na Austr?lia, e do Rio de Janeiro ainda teve tempo de achar o melhor tubo da bateria, que valeu um 8,80 dos jurados. Ainda dentro d'?gua, o brasileiro mostrou bastante tranquilidade e afirmou que ainda n?o pensa no t?tulo mundial.
- Eu acho que foi minha melhor bateria. Consegui estar no lugar certo, na hora certa. Tentei ir o mais fundo poss?vel e consegui pegar tr?s boas ondas. Eu estou apenas tentando aproveitar e curtir o momento sem pensar no t?tulo mundial – afirmou Filipinho.
Em um duelo brasileiro, formado por dois surfistas nordestinos, ambos do Rio Grande do Norte, Italo Ferreira despachou o amigo Jadson Andr? e segue firme na disputa. Candidato a calouro do ano, o atleta de Ba?a Formosa come?ou atr?s do placar, mas, aos poucos, foi mostrando todo o seu repert?rio radical e inovador, agradando os ju?zes. Jadson adotou uma postura mais agressiva no in?cio, mas acabou levando a virada e n?o recuperou a lideran?a. Cir?rgico nos tubos de Teahupoo, Italo venceu o surfista da vila de Ponta Negra por 16.10 a 8.83.
CONFIRA AS BATERIAS DA 3? FASE
1. Filipe Toledo (BRA) 16.97 x 12.50 Brett Simpson (EUA)
2. Bede Durbidge (AUS) 12.00 x 13.13 Kai Otton (AUS)
3. Owen Wright (AUS) 18.23 x 15.70 Dusty Payne (HAV)
4. Italo Ferreira (BRA) 16.10 x 9.83 Jadson Andr? (BRA)
5. John John Florence (HAV) 18.84 x 19.00Gabriel Medina (BRA)
6.Adriano de Souza (BRA) 13.70 x 16.20 Bruno Santos (BRA)
7. Mick Fanning (AUS) 6.67 x 15.17 Aritz Aranburu (ESP)
8. Wiggolly Dantas (BRA)16.83 x 8.66 Matt Wilkinson (AUS)
9. Josh Kerr (AUS) x Adrian Buchan (AUS)
10. Kelly Slater (EUA) x Sebastian Zietz (HAV)
11. Jeremy Flores (FRA) x Joel Parkinson (AUS)
12. Julian Wilson (AUS) x CJ Hobgood (EUA)