Piaui em Pauta

Mundo perde a Enciclopédia da bola: morre o alvinegro Nilton Santos.

Publicada em 27 de Novembro de 2013 às 19h14


?Fazia frio naquela noite de 8 de junho de 1958 em Uddevalla, cidadezinha na Su?cia. Ali, no est?dio Rimnersvallen, o Brasil estreava na Copa do Mundo contra a ent?o perigosa ?ustria. A Sele??o vencia por um 1 a 0, gol de Mazzola. O jogo n?o estava nada f?cil. Aos seis minutos do segundo tempo, um lance mudaria a partida e, de certa forma, contribuiria para uma nova ordem do futebol mundial. O time austr?aco tentava atacar pelo lado direito. A bola foi lan?ada para o ponta Horak. Nilton Santos, o lateral-esquerdo brasileiro, ? ?poca j? com 33 anos, se antecipou. Tomou-lhe a bola e se lan?ou ao ataque.
- Volta, Nilton! - berrava o t?cnico Vicente Feola, preocupad?ssimo com o contra-ataque.
Como todo craque que se preza, Nilton Santos desobedeceu ?s ordens do treinador. Voltar, nada. Seguiu na arrancada, incomum aos laterais, na ?poca meros marcadores. Tabelou com Mazzola e, na ?rea, tal como um atacante extraclasse, tocou com categoria por cima do goleiro: era o segundo gol brasileiro na vit?ria por 3 a 0 (assista ao v?deo acima). Ali come?ava o caminho do primeiro t?tulo brasileiro. Ali come?ava uma nova forma de se atacar. Ali o mundo come?ava a conhecer, de fato, o maior lateral-esquerdo de todos os tempos. Nada menos que a Enciclop?dia do Futebol, como era carinhosamente chamado Nilton Santos, bicampe?o mundial pelo Brasil, tantas vezes campe?o pelo Botafogo, ?nico clube em que atuou e hoje chora, com todo o Brasil, a sua morte, aos 88 anos, ap?s infec??o pulmonar e longa luta contra o mal de Alzheimer. O ex-jogador estava internado desde s?bado ? noite na Funda??o Bela Lopes, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, com complica?es respirat?rias.

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Ao ser informado do falecimento, o presidente Maur?cio Assump??o imediatamente ordenou que a bandeira alvinegra fosse colocada a meio mastro na sede de General Severiano. O ex-jogador deve ser? velado no sal?o nobre da sede, na Zona Sul do Rio, com previs?o para in?cio ?s 20h. O clube emitiu nota oficial de lamento pela morte, e a CBF decretou luto no futebol do pa?s e a observa??o de um minuto de sil?ncio nos jogos.
S?o muitas as hist?rias emblem?ticas de Nilton dos Santos, nascido a 16 de maio de 1925 na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Se em 1958 o craque mostrou que lateral podia atacar e at? se aventurar a fazer gols - marcou 11 como profissional em toda a carreira, um n?mero alto para a ?poca -, no bicampeonato mundial de 1962 fez da malandragem uma arma poderos?ssima para salvar o Brasil. Nilton Santos era Enciclop?dia at? para consertar o pr?prio erro.

Foi no jogo contra a Espanha, em Vi?a del Mar, no Chile, em 6 de junho (assista ao v?deo ao lado). A Sele??o perdia por 1 a 0 e estava desnorteada quando o lateral derrubou na ?rea o ponta Enrique Collar. Era p?nalti. Mas o ?rbitro estava distante do lance e n?o percebeu os dois passos ? frente de Nilton logo ap?s ter feito a falta. E esses passos o deixavam fora da ?rea. Foi o suficiente para o chileno S?rgio Bustamante marcar falta. O Brasil acabou vencendo por 2 a 1 e caminhou rumo ao bicampeonato mundial.
Bastariam essas duas hist?rias para Nilton Santos entrar para a hist?ria do futebol. Mas Nilton Santos fez muito, muito mais. Era t?o bom e perfeito com a bola nos p?s que ganhou o apelido de Enciclop?dia. De fato, sabia tudo de bola. Que o digam os torcedores do Botafogo, beneficiados pela exclusividade de vibrar com as jogadas do maior lateral de todos os tempos - ? oficial, a Fifa reconheceu em 2000.
Alto (1,84m), habilidoso (ambidestro), veloz, cl?ssico, elegante, forte. Nilton j? era assim desde moleque, tanto no futebol de praia quanto no Flexeiras, onde chegou com 14 anos ap?s experi?ncia no remo, que lhe dera mais for?a f?sica. E foi assim que se fez no Botafogo, onde chegou com 23 anos ap?s ter se destacado no time do Ex?rcito - era o ?nico soldato em meio a tenentes e capit?es.
Santo baile de Garrincha
Ao assinar contrato em branco com o clube, se tornou o maior soldado em preto e branco: ? o recordista de jogos (718 partidas), ganhou o Rio-S?o Paulo de 1962 e 1964 e foi campe?o carioca em 1954, 1957, 1961 e 1962. No bicampeonato estadual, formava o tima?o-base da Sele??o bicampe? mundial, com Didi, Zagallo, Amarildo... E Man? Garrincha.


Ali?s, Garrincha e o ex-lateral estavam sempre ligados por causos curiosos. Nilton Santos era Enciclop?dia at? para levar um baile. Foi o que aconteceu no primeiro treino do Man? no clube alvinegro. O jogador das pernas tortas nem tomou conhecimento do astro botafoguense.
- Ele me deu um baile. Pedi que o contratassem e o pusessem entre os titulares. Eu n?o queria enfrent?-lo de novo - disse certa vez, ?s gargalhadas, o maior f? da Alegria do Povo, como passou a ser chamado Man?.
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Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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