Ap?s a Defensoria P?blica afirmar que os tr?s jovens condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piau? n?o estavam no local do crime, a delegada AnaMelka Cadena, titular da Delegacia da Mulher da Zona Sudeste de Teresina, afirmou na quarta-feira (5) n?o ter d?vidas quanto a participa??o dos adolescentes no ato.
.jpg)
“A Pol?cia Civil trabalha com responsabilidade. Juntamos todos os elementos que foram levantados, identificamos a participa??o dos quatro, apresentamos o indiciamento ao Minist?rio P?blico e a Justi?a condenou esses adolescentes”, contou em entrevista para TV Clube.
O defensor Gerson Henrique Silva Sousa pediu reformula??o da senten?a que condenou a tr?s anos de interna??o como medida socioeducativa pelo estupro coletivo contra quatro garotas, que redundou na morte de Danielly Rodrigues, de 17 anos.
Segundo ele, n?o h? provas de que os tr?s menores internados no Centro de Interna??o Provis?ria de Teresina (Ceip) estariam no local do crime e para isto apresentou testemunhas.
A delegada AnaMelka Cadena disse que recebeu o pedido da defensoria com normalidade, j? que faz parte do processo criminal. Apesar do recurso, a policial disse que o trabalho da Pol?cia Civil foi muito bem feito.
“Faz parte do processo o acesso ? ampla defesa. O inqu?rito tem a per?cia de local que identificou o ato sexual, temos sangue de um menor no cal??o do maior. Com isso o quebra- cabe?a vai sendo montado e todos s?o colocados juntos na cena do crime. Sabemos que mesmo que tenha havido conjun??o carnal, isso pode n?o ter gerado fluido na v?tima, mas achamos sem?m no short de um dos acusados. Confiamos no trabalho feito”, disse a delegada.
Defensoria diz que jovens s?o inocentes
Segundo a defensora geral do Piau?, Hildete Evangelista, o ?nico elemento que liga os tr?s jovens ? cena do crime e ao estupro coletivo ? o depoimento de Gleison Viera da Silva, que acabou sendo morto pelos tr?s jovens que s?o representados pela Defensoria P?blica.
“As pr?prias v?timas n?o reconheceram os adolescentes. Se o defensor acredita que os tr?s jovens n?o s?o coautores do crime, ele tem obriga??o de recorrer da decis?o. Ele se baseia nas provas mostradas nos autos e constr?i a sua tese de defesa”, disse.
Recurso segue para o TJ-PI
O juiz Leonardo Brasileiro, da Comarca de Castelo do Piau?, encaminhou na quarta-feira o processo do estupro coletivo ao Tribunal de Justi?a do Piau?. Segundo ele, a decis?o foi baseada nas provas levantadas do caso e caber? ao ?rg?o analisar o recurso apresentado pela defesa dos tr?s menores acusados do crime.
"? direito da Defensoria de recorrer e tudo ser? analisado pelo Tribunal de Justi?a. Neste momento, o defensor vai tentar convencer os desembargadores sobre a tese por ele levantada. Ouvimos v?rias testemunhas, s?o v?rias provas documentais no processo e eu garanto que analisei todas elas e a tese de defesa de que os menores n?o estariam no local do crime foi afastada desde o in?cio", declarou o juiz.
O promotor de Justi?a Ces?rio de Oliveira, respons?vel pelo caso do estupro coletivo ocorrido com quatro adolescentes em Castelo do Piau?, afirmou ao G1 que todas as teses apresentadas pela defesa s?o inconsistentes.
"A apela??o tem 50 p?ginas, v?rios argumentos e mais de 20 testemunhas foram apresentadas pela defesa, mas nenhuma mostra o ?libi de que os menores n?o estariam no local do crime. Pelas provas apresentadas, pelo o hor?rio do estupro eles n?o estariam em outro lugar do que l? na cena do crime. ? direito da defesa recorrer, no entanto, j? solicitei ao juiz manter a senten?a na ?ntegra, porque n?o h? nenhum reparo a ser feito", comentou.
CNMP investiga morte
A investiga??o que apura a morte de Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, ser? acompanhada de perto pela Comiss?o da Inf?ncia e Juventude do Conselho Nacional do Minist?rio P?blico (CIJ/CNMP). Em despacho, o conselheiro e presidente da CIJ, Walter de Agra, afirmou que a v?tima foi colocada no mesmo alojamento com outros tr?s adolescentes que j? tinham feito amea?as contra Gleison. A inten??o ? apurar se houve neglig?ncia ao colocar todos o envolvidos na mesma cela.
Tanto v?timas quanto agressores s?o sentenciados pelo cometimento do estupro coletivo contra quatro garotas no m?s de maio em Castelo do Piau?, a 190 km de Teresina.
"E esse 'linchamento' foi alertado pelo pr?prio Gleison, de que seria morto caso ficasse junto aos demais, pois fora amea?ado; no entanto, mesmo tendo avisado sobre a suposta amea?a, foi colocado nos mesmos aposentos, o que causou o seu espancamento e consequentemente a sua morte", afirmou Walter de Agra em despacho no CNMP.
De acordo com o conselheiro, embora o CNMP n?o possua compet?ncia constitucional para apurar diretamente a morte do adolescente Gleison, faz-se necess?rio acompanhar, no ?mbito do Conselho, a atua??o do Minist?rio P?blico do Estado do Piau? no caso.