Piaui em Pauta

'Nem o conhecia', diz proprietário de academia acusado de racismo.

Publicada em 02 de Março de 2016 às 10h25


N?o existiu discrimina??o porque ele nem era presente na academia, e eu nem o conhecia", disse o empres?rio dono de academia envolvido em caso de racismo no Piau?. Ele preferiu n?o ser identificado na reportagem, mas contou ao G1 a sua vers?o sobre a acusa??o que recebeu de Katia Rejane de Sousa, a mulher que denunciou o empres?rio de ter impedido o filho de frequentar o local porque ele teria a 'apar?ncia de marginal'.

? Siga-nos no Twitter

O caso foi parar na Delegacia Direitos Humanos e Repress?o ?s Condutas Discriminat?rias do Piau?, e nesta semana o empres?rio foi indiciado pela Pol?cia Civil do estado. Ele deve responder na justi?a sob a acusa??o de racismo e caso seja julgado como culpado, pode pegar de um a tr?s anos de pris?o.

"N?o existiu discrimina??o porque ele n?o era presente na academia, e eu nem o conhecia. Inclusive, nem ela, nem o marido, nem o filho foram impedidos de malhar no meu estabelecimento porque depois do acontecido, ela mesma escolheu por bem n?o frequentar mais a academia nem permitir que o filho continuasse os treinos", contou.

De acordo com o dono da academia, Katia Rejane devia mensalidades na academia e o d?bito j? durava mais de 90 dias. "Ao ser cobrada, ela se alterou", disse ele. O empres?rio mostrou ? reportagem do G1 a carteirinha de Katia, do filho e do companheiro da mulher, informando que apenas a do garoto estava em dia.

"Eu at? perguntei quando que ela poderia acertar as parcelas, porque quando os clientes atrasam assim, n?s abrimos para o di?logo. Mas ela se alterou na recep??o da academia, chamou o filho e se retirou de l?. Tem pessoas que n?o gostam de serem cobradas, e pelo visto ela n?o ficou ? vontade", disse.

Por conta do ocorrido, o dono da academia chegou a mudar a forma de cobran?a no estabelecimento e instalou catracas com identifica??o biom?trica para controlar a entrada e sa?da de clientes.

"N?o ?ramos t?o radicais ao ponto de impedir nossos clientes de treinar simplesmente por atraso. Dependendo do caso, n?s at? liberamos. S? que o problema ? que ela devia mais de 90 dias e chega a um momento em que n?o d?. Perguntei quando poderia acertar as mensalidades e ela se alterou", disse.

"S?o centenas de clientes com os mais diferentes perfis. Em meio a tantos, eu nem conhecia o rapaz, porque ele tamb?m n?o era presente. E nem sabia que era filho dela. Discriminado por conta da apar?ncia e por ter tatuagem? Tenho dois filhos e um deles tem a idade do rapaz, e ainda tem tatuagem. Minha mulher tamb?m tem tatuagem", contou.

As investiga?es
O delegado Emir Maia, da Delegacia Direitos Humanos e Repress?o ?s Condutas Discriminat?rias, que investigou o caso, encerrou o inqu?rito na sexta-feira, dia 26, e indiciou o empres?rio por racismo, crime inafia??vel e imprescrit?vel. O caso segue para a promotoria do Minist?rio P?blico ainda nesta semana.

A den?ncia
A professora e orientadora social Katia Rejane de Sousa, de 41 anos, registrou um boletim de ocorr?ncia acusando o dono da academia que o rapaz teria 'apar?ncia de marginal'. O fato aconteceu no bairro Monte Castelo, na Zona Sul de Teresina. De acordo com Katia, a apar?ncia do filho foi julgada pelo fato dele exibir tatuagens pelo corpo.
Tags: 'Nem o conhecia' - -

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas