Piaui em Pauta

Oliver Sacks, médico autor de 'Tempo de despertar', morre aos 82 anos.

Publicada em 30 de Agosto de 2015 às 12h29


?O neurologista e escritor best-seller brit?nico Oliver Sacks morreu aos 82 anos neste domingo (30), v?tima de c?ncer, informa o jornal "The New York Times", que o descrevia como "o aclamado poeta da medicina moderna". O autor de livros de sucesso como "Tempo de despertar" (1973), adaptado para o cinema em 1990 com Robin Williams e Robert De Niro, "O homem que confundiu sua mulher com um chap?u" (1985) e "Um atrop?logo em Marte" (1995) estava em sua casa, em Nova York.

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Em fevereiro, Sacks havia revelado seu estado terminal em um artigo publicado na se??o de opini?o do "New York Times". "H? um m?s pensava que estava bem de sa?de, inclusive muito bem", escreveu na ?poca. "Mas a minha sorte acabou. Umas semanas atr?s soube que tenho v?rias met?stases no f?gado."
No texto, contou que havia sido diagnosticado e tratado, nove anos antes, de um raro melanoma que o deixou cego de um dos olhos, mas que recentemente tinha se tornado parte do "desafortunado 2%" dos pacientes nos quais esse tipo particular de c?ncer se expande.
Obras
Em "Tempo de despertar", Sacks faz um relato autobiogr?fico em que conta sua experi?ncia com pacientes que sofrem de uma condi??o chamada encefalite let?rgica. Narra tamb?m como, a partir da administra??o de um rem?dio de uso controverso, chamado levodopa, os doentes conseguiram sair, pelo menos brevemente, de seus estados catat?nicos.
A hist?ria foi adaptada em um filme hom?nimo em 1990, protagonizado por Robin Williams, no papel do m?dico, e Robert De Niro, no papel de um paciente. O longa teve tr?s indica?es ao Oscar.
Em "O homem que confundiu sua mulher com um chap?u", Sacks contou hist?rias de casos de v?rias condi?es neurol?gicas raras. Em outros livros explorou a surdez, o daltonismo e as alucina?es.

Autobiografia
Oliver Sacks nasceu em 1933, em Londres, em uma fam?lia de m?dicos e cientistas (a m?e era cirurgi? e o pai, cl?nico geral). Sacks formou-se em medicina em Oxford e depois se mudou para os Estados Unidos para fazer resid?ncia em S?o Francisco, na University of California (UCLA). Morava em Nova York desde 1965, onde trabalhou como neurologista.

Em abril deste ano, Sacks lan?ou sua autobiografia, publicada no Brasil em julho com o t?tulo "Sempre em movimento – Uma vida" (Companhia das Letras). Em suas mem?rias, o autor e neurocientista fala de sua carreira como m?dico e tamb?m sobre a homossexualidade e o v?cio em drogas na juventude.
"Quando eu tinha 12 anos, um professor bastante perspicaz anotou no seu relat?rio: 'Sacks vai longe, se n?o for longe demais', coisa que acontecia com frequ?ncia", escreve. "Quando menino, muitas vezes eu ia longe demais nas minhas experi?ncias qu?micas, enchendo a casa com gases t?xicos; por sorte, nunca incendiei o lugar."

No trecho em que lembra quando, no final da adolesc?ncia, conversou com o pai sobre o fato de ser gay, Sacks diz que pediu pediu segredo. "Mas meu pai contou e, na manh? seguinte, ela [a m?e de Sacks] desceu de cara muito fechada, uma cara que eu nunca tinha visto antes. 'Voc? ? uma abomina??o', disse ela. 'Quisera que voc? nunca tivesse nascido.' Ent?o saiu e passou v?rios dias sem falar comigo. Quando voltou a falar, n?o houve nenhuma men??o ao que ela dissera (e nunca mais voltou ao assunto), mas alguma coisa mudara entre n?s. Minha m?e, t?o aberta e que me dava tanto apoio de in?meras maneiras, era dura e inflex?vel nessa ?rea."

Artigo no 'New York Times'
Pouco antes de lan?ar "Sempre em movimento", no artigo do "New York Times", Sacks escreveu: "Sinto-me grato por ter tido nove anos de boa sa?de e produtividade desde o diagn?stico original, mas agora estou de cara com a morte".
"Agora depende de mim escolher como quero viver os meses que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que puder."
No ensaio, disse: "Escrevi, viajei, pensei e escrevi. Eu me vinculei com o especial mundo dos leitores e dos escritores. Tenho outros livros quase terminados".
Sobre o tempo que lhe restava, adiantou que n?o veria not?cias nem prestaria mais aten??o nas pol?micas polit?cas ou no calend?rio clim?tico.
"Isto n?o ? indiferen?a, mas desapego. O Oriente M?dio continua importando muito para mim, o aquecimento, a crescente desigualdades, mas estes j? n?o s?o mais meus problemas. Pertencem ao futuro."

Tags: Oliver Sacks, médico - O neurologista e esc

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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