?Um esquema criminoso de desvio de recursos p?blicos do Fundo de Manuten??o e Desenvolvimento da Educa??o B?sica (Fundeb) em Fartura do Piau? (PI) foi alvo da Opera??o Shallow Grave (cova rasa, em tradu??o literal), deflagrada na manh? desta quinta-feira (13) pela Pol?cia Federal com o aux?lio da Controladoria-Geral da Uni?o (CGU).
Segundo a PF, os investigados usaram um coveiro como “laranja” para esconder a origem dos recursos. O g1 entrou em contato com as prefeituras de Fartura do Piau? e S?o Raimundo Nonato (PI), onde o coveiro atua, mas n?o teve retorno at? a ?ltima atualiza??o desta reportagem.
A investiga??o come?ou depois que a pol?cia detectou movimenta?es financeiras suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o n?cleo empresarial e pol?tico de Fartura do Piau?.
Os policiais suspeitam de que esses recursos tenham sido usados para pagamentos de vantagens indevidas a agentes p?blicos e pol?ticos.
“As irregularidades investigadas envolvem crimes de fraude em licita?es, desvio de recursos p?blicos, corrup??o ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associa??o criminosa, cometidos entre 2021 e 2024, com o uso de recursos federais destinados ? educa??o no munic?pio”, afirmou a PF.
De acordo com a CGU, o coveiro utilizado como “laranja” recebeu altas quantias de uma empresa, contratada pela Prefeitura de Fartura do Piau? para a execu??o de obras na cidade, e repassou parte dos valores para servidores do munic?pio.
Em an?lises feitas pela Controladoria-Geral, duas licita?es feitas pelo munic?pio em 2022 e 2023, que resultaram na contrata??o da empresa investigada, estavam “repletos de irregularidades, com evid?ncias concretas de fraude”. Para a PF, a empresa tem caracter?sticas de opera??o de fachada.
"A empresa investigada recebeu pagamentos do munic?pio, entre 2021 e 2024, que totalizaram, aproximadamente, R$ 4,2 milh?es. Nesses tipos de crimes, as obras contratadas, quando executadas, s?o feitas de maneira prec?ria, em qualidade e quantidade inferiores ? devida, justamente para possibilitar os desvios de recursos p?blicos”, informou a CGU.
Uma fiscaliza??o feita pelo ?rg?o apontou que os servi?os de reforma em escolas de Fartura do Piau?, por exemplo, tiveram um custo superfaturado de R$ 237 mil.
Sequestro de bens e valores
Ao todo, seis equipes da PF fizeram, acompanhadas de auditores da CGU, buscas e apreens?es em sete endere?os nas cidades de Teresina (PI), S?o Raimundo Nonato e Cama?ari (BA).
Conforme a pol?cia, a 3? Vara Federal de Teresina tamb?m determinou o sequestro de bens e valores, na quantia aproximada de R$ 715 mil, para garantir o ressarcimento dos poss?veis danos aos cofres p?blicos.
“As a?es de hoje visam interromper a pr?tica criminosa, reunir provas para fortalecer a investiga??o e identificar outros envolvidos, tanto agentes p?blicos quanto particulares, al?m de recuperar bens e ativos adquiridos com os recursos desviados da educa??o”, completou a PF.