Piaui em Pauta

Oscar Niemeyer, expoente internacional da arquitetura moderna, morre aos 104.

Publicada em 05 de Dezembro de 2012 às 23h48


?O arquiteto Oscar Niemeyer, ?cone da arquitetura moderna e um dos brasileiros mais reconhecidos no mundo, morreu nesta quarta-feira (5), aos 104 anos. Ele estava internado h? 33 dias no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, por causa de uma infec??o urin?ria. Ele tamb?m teve uma infec??o respirat?ria e respirava com a ajuda de aparelhos.

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Niemeyer foi um dos principais expoentes da arquitetura moderna e projetou o Brasil internacionalmente. O carioca ganhou reconhecimento a partir da explora??o das possibilidades pl?sticas e construtivas do concreto armado, produzindo obras grandiosas e inventivas, marcadas pelo abuso de curvas em detrimento das linhas e ?ngulos retos.

Suas obras --pr?dios p?blicos e privados, monumentos, esculturas e igrejas-- marcam a paisagem das principais cidades brasileiras e espalham-se por v?rios pa?ses do mundo, como Estados Unidos, Fran?a, Espanha, Alemanha, It?lia, Arg?lia, Israel e Cuba, entre outros.

Niemeyer projetou grande parte das obras de Bras?lia, entre elas a pra?a dos Tr?s Poderes, os pr?dios do Congresso Nacional, do STF (Supremo Tribunal Federal) e o Pal?cio do Planalto.

Em S?o Paulo, projetou o Memorial da Am?rica Latina, o edif?cio Copan e as constru?es do Parque do Ibirapuera; no Rio, concebeu o Museu de Arte Contempor?nea de Niter?i e a Marqu?s de Sapuca?; em Belo Horizonte, projetou todo o Conjunto Arquitet?nico da Pampulha.

O arquiteto desenhou tamb?m esculturas e mob?lias, escreveu livros e, depois do centen?rio, lan?ou at? um disco de samba. Marxista convicto, militou no PCB (Partido Comunista Brasileiro) durante v?rias d?cadas, mudou-se para a Fran?a durante a ditadura militar e manteve amizade com Lu?s Carlos Prestes e Fidel Castro.

Juventude e come?o da carreira
Niemeyer nasce em 15 de dezembro de 1907 no Rio, filho de Oscar Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro da Almeida. Sua fam?lia tinha ascend?ncia portuguesa, ?rabe e alem?. Cresceu no bairro de Laranjeiras, onde se casou com Annita Baldo em 1928.

Em 1929, iniciou os estudos na Escola Nacional de Belas Artes, dirigida pelo tamb?m arquiteto Lucio Costa, com quem Niemeyer come?ou a trabalhar em 1932.

“Gostava de desenhar, e o desenho levou-me ? arquitetura. Lembro-me que ficava com o dedo no ar desenhando. Minha m?e perguntava: 'o que est? fazendo menino?' 'Desenhando', respondia com a maior naturalidade. Realmente, fazia formas no espa?o, formas que guardava de mem?ria, corrigia e ampliava, como se as tivesse mesmo a desenhar”, afirmou o arquiteto, em declara??o publicada na p?gina do Instituto Oscar Niemeyer.

Em 1934, obteve diploma de engenheiro e arquiteto. Dois anos depois, conheceu o arquiteto modernista Le Corbusier. A obra do franc?s o influenciou de forma decisiva.

Viajou aos Estados Unidos em 1938 e elaborou o projeto do Pavilh?o do Brasil na Feira Mundial de Nova York.

Em 1945, ingressou no PCB e iniciou sua amizade com Prestes, a quem na velhice ajudaria a sustentar. "Fui sempre um revoltado. Da fam?lia cat?lica eu esquecera os velhos preconceitos, e o mundo parecia-me injusto, inaceit?vel. A mis?ria a se multiplicar como se fosse coisa natural e aceit?vel. Entrei para o Partido Comunista abra?ado pelo pensamento de Marx."

Regressou a Nova York em 1947, onde participou, ao lado de arquitetos do mundo todo, do projeto da sede da ONU (Organiza??o das Na?es Unidas).

Em 1950, foi publicada a obra “The Work of Oscar Niemeyer” (“O Trabalho de Oscar Niemeyer”), do arquiteto e historiador grego Stamo Papadaki, que ajudou a divulgar o arquitetura de Niemeyer no exterior.

Em 1954, fez sua primeira viagem ? Europa, onde conheceu Fran?a, It?lia, Alemanha, Rep?blica Tcheca e a Uni?o Sovi?tica.

No ano seguinte, fundou a revista "M?dulo", que circulou, em edi?es mensais, at? 1965, quando sua publica??o foi interrompida pelo governo militar –a revista foi retomada em 1975 e editada at? 1987.

Bras?lia e golpe militar
Em 1956, Niemeyer foi convidado pelo presidente e amigo Juscelino Kubitschek para projetar a nova capital do pa?s e organizar o concurso para a escolha do plano piloto, vencido por Lucio Costa. Dois anos depois, Niemeyer mudou-se para Bras?lia.

“E ali ficamos durante v?rios anos. Longe de tudo. Cobertos dessa poeira vermelha que durante os per?odos de seca se incrustava na pele e, na esta??o das chuvas, paralisados pelas ?guas torrenciais que ca?am sem controle sobre essa terra sem defesa.”

Em 1962, foi nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da rec?m-fundada UnB (Universidade de Bras?lia), ap?s convite do reitor Darcy Ribeiro. No ano seguinte, ganhou o Pr?mio L?nin da Paz, concedido pela Uni?o Sovi?tica.

Em 1964, quando estava em Lisboa, recebeu a not?cia do golpe que instaurou a ditadura militar. Retornou ao pa?s no final do ano, ap?s passagem por Israel. “Levei um grande susto com a not?cia do golpe. Durante tr?s dias, n?o descolava o ouvido do r?dio, na expectativa de uma boa not?cia qualquer. Nada se passava e n?s est?vamos aflitos, temendo um novo per?odo de opress?o e obscurantismo. Foi em abril de 1964”, recordou Niemeyer.

Em 1965, demitiu-se da UnB assim como outros 200 professores, em protesto contra a influ?ncia militar na universidade. Na ?poca, a sede da revista "M?dulo" foi parcialmente destru?da, e o escrit?rio de Niemeyer, saqueado.

Vida no exterior
No ano seguinte, Niemeyer viajou a Paris para acompanhar exposi??o da sua obra no Museu do Louvre. Dois anos depois, impedido de trabalhar no Brasil e depois de os militares embargarem seu projeto para o aeroporto de Bras?lia, mudou-se para a capital francesa.

Em 1968, mudou-se para a Arg?lia para dedicar-se a v?rios projetos, a convite do presidente do Conselho Revolucion?rio Argelino, Houari Boumedi?ne, l?der da independ?ncia do pa?s. Quatro anos depois, Niemeyer voltou a Paris, abrindo um escrit?rio na famosa avenida Champs-?lys?es.

No ano de 1975, publicou, em Mil?o, na It?lia, seu primeiro livro (“Oscar Niemeyer”), que traz uma retrospectiva de sua obra e trajet?ria. Em 1978, de volta ao Brasil, participou da funda??o e foi eleito presidente do Cebrade (Centro Brasil Democr?tico). Em 1988, recebeu o Pr?mio Pritzker de arquitetura, e, no ano seguinte, foi condecorado na Espanha com o pr?mio Pr?ncipe de Ast?rias.

Na d?cada de 90, Niemeyer foi premiado com a medalha do Col?gio de Arquitetos de Catalunha (em 90), com o Pr?mio Le?o de Ouro da Bienal de Veneza (em 96) e com a tradicional Royal Gold Medal (em 98), concedida pelo Instituto Real dos Arquitetos Brit?nicos. No mesmo ano, publicou um livro de mem?rias: “As Curvas do Tempo”. Em 1999, lan?ou sua primeira obra de fic??o, “Diante do Nada”.

?ltimos anos
A mulher do arquiteto, Annita, morreu em 2004; dois anos depois, Niemeyer casou-se com Vera L?cia, que era sua secret?ria.

Em 2007, ao completar cem anos de idade, Niemeyer recebeu diversas homenagens e foi tema de muitas exposi?es e eventos. No ano seguinte, fundou no Rio a revista “Nosso Caminho”. Dois anos depois, aventurou-se no mundo da m?sica, com o disco de samba de raiz “Tranquilo com a Vida”, gravado em parceria com seu enfermeiro Caio Almeida e com o m?sico Edu Krieger.

Tamb?m em 2008 foi inaugurada uma escultura do brasileiro em homenagem ao povo cubano na Universidade de Ci?ncias Inform?ticas de Havana; um presente de Niemeyer ao l?der Fidel Castro.

Em 25 de mar?o de 2011 foi inaugurado em Avil?s, na Espanha, o Centro Cultural Oscar Niemeyer, mas o espa?o foi fechado nove meses depois, por determina??o do governador da prov?ncia. O fechamento irritou Niemeyer e provocou protestos na cidade.

No dia 8 de fevereiro de 2012, em sua ?ltima grande apari??o em p?blico, o arquiteto acompanhou a inaugura??o do samb?dromo do Rio, que havia passado por reformas de amplia??o e adequa??o da obra ao projeto original.

Na ocasi?o, Niemeyer foi aplaudido por oper?rios da obra e agradeceu: "Estou muito feliz. Essa obra n?o ? s? minha, ? do grupo que trabalha comigo. Estou muito contente e entusiasmado em ver um trabalho como esse, que foi feito para alegrar o povo."

Niemeyer deixa uma filha netos, bisnetos e trinetos. Sua filha, Anna Maria, morreu em junho, aos 82 anos, por complica?es decorrentes de um enfisema pulmonar.
Tags: O arquiteto Oscar - Oscar Niemeyer

Fonte: uol  |  Publicado por: Da Redação
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