Piaui em Pauta

Paciente morre e três vão para UTI por infecções na maternidade Evangelina Rosa, diz promotora.

Publicada em 14 de Junho de 2018 às 16h40


Uma mulher faleceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da maternidade Evangelina Rosa, em Teresina, ap?s sofrer infec??o no local. A informa??o ? da promotora Karla Carvalho, do Minist?rio P?blico, que integrou uma comiss?o de fiscaliza??o que visitou a maternidade e constatou problemas na estrutura f?sica e falta de medicamentos e materiais para exames.

? Siga-nos no Twitter

De acordo com a promotora, a paciente ? natural da cidade de Beneditinos e faleceu nessa quarta-feira (13) na maternidade. “Ela morreu por infec??o. Agora vai ser investigado o ?bito, isso est? no in?cio. A fam?lia, em sofrimento bastante grande, n?o quis encaminhar para fazer o laudo t?cnico, foi uma escolha deles. Ela j? est? sendo velada”, disse Karla Carvalho.

Ainda segundo a promotora, outras tr?s pacientes est?o internadas na UTI da maternidade com quadros de infec??o hospitalar.


Comiss?o ouviu m?dicos e enfermeiros que trabalham na Maternidade Evangelina Rosa, em Teresina. (Foto: Divulga??o/ CRM)

A presidente do CRM, a m?dica M?riam Parente, disse que ir? propor um indicativo de interdi??o ?tica na maternidade. A proposta ser? analisada no Conselho na pr?xima segunda-feira (18), que deve deliberar sobre as condi?es de trabalho no local. Se aprovado, os m?dicos ser?o impedidos pelo conselho de trabalhar nos setores problem?ticos da maternidade.

Vistoria na maternidade
A promotora realizou uma inspe??o na maternidade entre 18h30 e 21h de ter?a-feira (12), juntamente com as presidentes do Conselho Regional de Medicina (CRM), a m?dica M?riam Parente, e do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Tatiana Guimar?es.

A inspe??o constatou diversos problemas na maternidade, entre eles a falta de sabonetes para higieniza??o dos profissionais da sa?de. “O sab?o l?quido ? dilu?do. Encontramos sab?o dessa forma em alguns setores da maternidade, e em outros, sab?o algum”, relatou M?riam Parente.



Comiss?o foi formada pelas presidentes do Coren e do CRM e do Minist?rio P?blico do Piau?. (Foto: Divulga??o/ CRM)

A comiss?o percebeu tamb?m falhas no piso da maternidade, que impossibilitariam a higieniza??o do local. “Se escorre sangue pelo piso e ele entra pelas frestas, como se faz a higieniza??o? Tem locais onde n?o se pode andar, inclusive com placas avisando”, disse M?riam Parente.

H? ainda problemas de falta de medicamento, como morfina. De acordo com a promotora Karla Carvalho, a inspe??o constatou que a maternidade recebe medicamentos, mas em quantidade insuficiente, e os rem?dios acabam antes da pr?xima reposi??o. Al?m disso, faltam reagentes para a produ??o de exames at? mesmo na UTI da maternidade.

“Os m?dicos nos relataram que na UTI neo-natal a maioria dos exames n?o s?o feitos. Eles t?m uma lista enorme de exames obrigat?rios que n?o est?o sendo feitos. Disseram que t?m que observar os pacientes de forma emp?rica. S?o vidas que est?o em risco e m?dicos trabalhando preocupados, com carga de estresse porque sabem o que fazer, mas n?o podem”, disse a promotora Karla Carvalho.

A promotora contou que vem acompanhando a situa??o da maternidade desde maio de 2016 e segundo ela, a situa??o do local tem piorado desde ent?o. Karla Carvalho contou ao G1 que come?ou a receber den?ncias de falta de medicamentos a partir de meados de 2017, e que as den?ncias foram verificadas e apontadas para a gest?o em setembro daquele ano.

“As den?ncias s?o de setembro de 2017 e n?o conseguem se organizar. A gest?o de 2016 conseguia. Discurso de que n?o cabe no or?amento p?blico ? fal?cia e engana??o com a sociedade. O que se v? s?o administra?es ruins que n?o conseguem efici?ncia”, declarou a promotora Karla Carvalho.

Dire??o
Em entrevista ao Piau? TV 1? Edi??o, o diretor da Maternidade Evangelina Rosa, Francisco Mac?do, disse que a reforma do piso no centro cir?rgico da maternidade ser? conclu?da nesta quinta-feira (14). Segundo ele, os problemas apontados pela comiss?o do Coren, CRM e MP s?o pontuais.

“A morfina est? em falta no Piau?. Estamos em contato direto com os anestesiologistas para que a gente possa suprir com outro medicamento a falta da morfina”, disse Francisco Mac?do. O diretor disse ainda que antibi?ticos, sab?o e reagentes para o laborat?rio j? foram repostos na maternidade.

Quanto ? mortes de pacientes na maternidade, o diretor argumentou que alguns pacientes chegam ? maternidade em estado grave. “Pacientes v?m de outros hospitais, do interior, quando complicam, quando j? est?o em sepse [infec??o generalizada], mandam para a maternidade e n?s continuamos o tratamento. Muitas vezes o paciente j? chega numa situa??o que s? um milagre”, disse.

Nota
A Secretaria de Estado de Sa?de afirmou em nota que em vistoria feita nesta quinta-feira (14) foi constatado que os setores de almoxarifado e nutri??o est?o totalmente abastecidos. Leia abaixo a ?ntegra da nota:

Gest?o colaborativa acompanha avan?os nos servi?os da Maternidade


O secret?rio de Estado da Sa?de, Florentino Neto, juntamente com a gest?o colaborativa, vem acompanhando os avan?os implementados na Maternidade Dona Evangelina Rosa. Em reuni?o realizada ontem, 13, e visita feita hoje, 14, os participantes apontaram solu?es para os gargalos identificados e ainda vistoriaram o Almoxarifado e ainda a Nutri??o, setores totalmente abastecidos.

“A parte de insumos, medicamentos e alimentos est? totalmente abastecida na Maternidade. Centralizamos a aquisi??o pela Secretaria, que a posterior ser? aplicada em todos os hospitais, o que vai possibilitar a diminui??o de custos individuais. Assim, mantemos o Almoxarifado Central e o da Maternidade com o processo de abastecimento regular”, garante o secret?rio, esclarecendo que havendo falta, a mesma ? pontual, “mas nosso esfor?o ? que seja diminu?da ou mesmo anulada”

O diretor geral da Maternidade, Francisco Macedo, explica as dificuldades na aquisi??o de alguns medicamentos, como morfina. “Pontualmente, pode haver falta desse medicamento. O que fazemos? Mantemos um di?logo permanente com a equipe m?dica para que nos indiquem a medica??o que possa ser substitu?da, j? que n?o temos laborat?rio no Estado e dependemos de fornecedores de fora”. Esse encaminhamento tem tido uma resposta favor?vel para a substitui??o de insumos e medicamentos.

Macedo ressalta que “a prioridade ? a seguran?a do paciente. A gest?o compartilhada tem refor?ado isso tamb?m. Nos preocupamos em rela??o a insumos e medicamentos, ? nosso comprometimento. O Almoxarifado tem estoque, como pode ser visto. Nessa metodologia de trabalho e gest?o compartilhada com a Secretaria de Sa?de tem proporcionado aquisi?es para estocar por seis meses e a Maternidade ser suprida a diariamente”.

Essa metodologia de gest?o colaborativa, envolvendo diretores geral e t?cnico, al?m de profissionais de diversas ?reas, dever? ser aplicada nos demais hospitais da rede hospitalar. “A gest?o compartilhada objetiva que os profissionais acompanhem de perto, com transpar?ncia, as delibera?es na Casa. Ontem, em nossa reuni?o, alguns problemas j? foram solucionados, outros encaminhados para ser resolvidos. Ou seja, planejamos e deliberamos juntos na gest?o da Maternidade”, afirma Florentino.

As reuni?es com o comit? de gest?o s?o realizadas duas vezes por m?s e a pr?xima reuni?o j? tem data marcada: de 27 de junho.

Tags: Paciente morre - Uma mulher faleceu

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
Comente através do Facebook
Matérias Relacionadas