Piaui em Pauta

Parte do cachê pago à CBF por amistosos era desviada

Publicada em 15 de Agosto de 2013 às 16h15


Imagem: Joel BouopdaClique para ampliar Parte do dinheiro pago ? CBF por times de todo o mundo como cach? para enfrentar a sele??o n?o era depositada em contas no Pa?s, mas foi direcionada para empresas com sede nos Estados Unidos, registradas em nome de Sandro Rosell, atual presidente do Barcelona, ex-representante da Nike no Brasil e amigo pessoal de Ricardo Teixeira. A pr?tica, segundo documentos e fontes consultados com exclusividade pelo ‘Estado’, teria marcado a gest?o de Teixeira na CBF a partir de 2006. Nos ?ltimos anos, a realiza??o de amistosos tem sido a principal fonte de entrada de recursos de federa?es de futebol. No caso do Brasil, o fato de ter sido campe?o em 2002, vice em 1998 e ?nico time pentacampe?o do mundo permitiu que a CBF e seus agentes aumentassem o valor do cach? para atuar pelo mundo. Do Gab?o a Hong Kong, passando pela Est?nia ou Zimb?bue, a sele??o percorreu o mundo cobrando pelo menos US$ 1 milh?o por amistoso. O detentor do direito de organizar os jogos ?, desde 2006, a ISE, empresa com sede nas Ilhas Cayman. Mas, segundo pessoas envolvidas com o pagamento desses cach?s, nem todo o dinheiro que sa?a das federa?es estrangeiras, direitos de imagem ou governos de outros pa?ses era enviado ao Brasil. O destino eram contas nos EUA. Um pr?-contrato obtido pelo Estado mostra que a ISE fechou um acordo para negociar 24 amistosos com a empresa Uptrend Development LLC, com sede em Nova Jersey, nos EUA. Em nome da empresa nos Estados Unidos, a assinatura ? de Alexandre R. Feliu, o nome oficial de Sandro Rosell Feliu. O esquema funcionava da seguinte forma: a partir de cada jogo, eram repassados para a ISE como lucros da partida cerca de US$ 1,6 milh?o. Desse total, US$ 1,1 milh?o seguia de volta para a CBF como pagamento pelo cach?. Mas o restante – cerca de US$ 500 mil – n?o era contabilizado para a entidade. Pelo contrato obtido pelo Estado, US$ 450 mil seriam encaminhados para contas nos EUA, em uma empresa de propriedade de Rosell. No total, o contrato aponta que, por 24 jogos, o valor previsto para o pagamento seria de 8,3 milh?es de euros (US$ 10,9 milh?es) para a empresa nos EUA. Dividido por 24 jogos, esse valor seria de US$ 450 mil. C?PIA A transforma??o dos jogos da sele??o em uma m?quina de fazer dinheiro come?ou na Argentina, com o modelo adotado pelo presidente da Associa??o de Futebol da Argentina, Julio Grondona. A CBF obteve c?pia dos acordos que a Argentina fechou e tentou adotar o mesmo esquema para o Brasil. Ao lado de Rosell, a CBF saiu em busca de parceiros que pudessem fechar um acordo mais amplo para promover os jogos da sele??o pelo mundo. Rosell e Teixeira mantiveram por anos uma amizade e entraram em acordos comerciais, principalmente quando o catal?o era diretor da Nike no Brasil. Os direitos sobre os jogos da sele??o acabariam sendo adquiridos por um grupo de investidores ?rabes da ISE, a empresa com base nas Ilhas Cayman, um para?so fiscal. Logo depois, um acordo entre a ISE e Kentaro, da Su??a, acabou permitindo que a empresa su??a realizasse a opera??o dos amistosos. O presidente do Bar?a chegou a ser investigado no Brasil por causa de um amistoso entre Brasil x Portugal, em Bras?lia, em novembro de 2008. Semanas antes de deixar a CBF, em mar?o de 2012, e se mudar para os Estados Unidos, Teixeira fecharia um novo acordo com a ISE at? 2022. Meses depois de assumir, o presidente da CBF, Jos? Maria Marin, deu indica?es de que admitia que os acordos n?o eram os mais adequados. Mas insistiu que eram contratos comerciais "que precisavam ser cumpridos". Questionado pelo Estado sobre os dep?sitos nos EUA, Marin afirmou "desconhecer" qualquer detalhe sobre como eram feitos os pagamentos antes de sua chegada ? CBF. Em troca de ter o monop?lio sobre a sele??o, a empresa contratada tinha como obriga??o de apresentar op?es de advers?rios ao Brasil, um campo e est?dio de qualidade e cobrir todos os gastos da opera??o. Para lucrar, essas empresas ficariam com as receitas da bilheteria e estavam livres para vender pacotes de transmiss?o dos jogos para outros pa?ses.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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