?O policial citado pelos tr?s menores condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piau? ? investigado pela Corregedoria da Pol?cia Militar do Piau? por suspeita de agenciar jovens infratores para cometer pequenos delitos em zonas onde a sua empresa de seguran?a noturna n?o atuava e incitar a viol?ncia na cidade .
Segundo o subcomandante da PM Lindomar Castilho, essa hip?tese consta no recurso apresentado pelo defensor p?blico Gerson Henrique Silva Sousa e entregue no in?cio da semana ? Corregedoria da Pol?cia Militar.
Subcomandante revelou acusa?es contra PM citado no caso de Castelo (Foto: Reprodu??o/Tv Clube)
"Na documenta??o da defesa dos tr?s menores consta que essa empresa de seguran?a pertence ao policial e ele teria orientado jovens infratores a cometer furtos, arrombamentos e pequenos roubos para dessa forma ele conseguir novos contratos para fazer vigil?ncia noturna", revelou.
A Defensoria P?blica defende a tese que o adolescente Gleison Vieira da Silva, espancado at? a morte no Centro Educacional Masculino, teria participado sozinho do estupro coletivo e que teria recebido R$ 2,5 mil de um policial para acusar os outros tr?s menores.
No documento, o policial tamb?m ? apontado como propriet?rio de uma r?dio e um portal de not?cias em Castelo do Piau?. Conforme o subcomandante, a Defensoria P?blica alegou que o PM utilizava desses meios de comunica??o para propagar a viol?ncia na regi?o e que isto teria influenciado o crime ocorrido na cidade.
"O defensor cita no recurso que no portal e na r?dio os profissionais contratados pelo PM anunciavam crimes ?s vezes desconhecidos pela popula??o e faziam at? intimida?es para advers?rios pol?ticos. Com isso ele provocaria o terror na cidade e teria a sua transfer?ncia de volta para Castelo", contou Castilho.
De acordo com o subcomandante, o policial trabalhou cinco anos em Castelo do Piau? e h? quatro meses foi transferido para Campo Maior. Ap?s o seu nome ser citado pelos adolescentes no processo sobre o estupro coletivo, a Corregedoria decidiu afast?-lo do 15? Batalh?o e abriu um inqu?rito administrativo para apurar a poss?vel influ?ncia do policial no caso.
"Na ter?a-feira ele se apresentou na Corregedoria da Pol?cia Militar e negou ser propriet?rio da empresa de seguran?a e dos meios de comunica??o. Vamos aguardar o fim da investiga??o para saber se ? verdade, se a propaga??o da viol?ncia resultou em algo mais grave como o estupro daquelas meninas", disse.
Ces?rio Cavalcante, promotor do caso, disse que a den?ncia contra o PM apareceu durante a elabora??o do processo, mas que essa tese n?o tinha consist?ncia. No depoimento prestado na Corregedoria, o policial afirmou ter ido acompanhado durante as pris?es dos menores.
O advogado Anderson Cleber Sousa, que faz a defesa do policial militar, informou ao G1 que somente ir? se posicionar sobre as acusa?es ap?s o fim do inqu?rito administrativo.
Em entrevista concedida ao G1 anteriormente, Anderson Sousa, j? havia afirmado que que seu cliente era inocente e que n?o existia nada que o ligasse ao estupro coletivo.
“O Minist?rio P?blico denunciou e a Justi?a sentenciou os jovens pelo crime. O que existe s?o boatos, ent?o, n?o tem nada que vincule esse policial a esse fato que a imprensa est? colocando”, disse.
O advogado do PM disse que seu cliente vai provar sua inoc?ncia e que ele est? abalado com as den?ncias. “Meu cliente ? uma pessoa id?nea, tem um comportamento excepcional e fez in?meras pris?es importantes para o estado. Ele est? abalado psicologicamente com tudo isso”, afirmou.
Afastamento do PM
O policial militar citado pelos tr?s menores condenados pelo estupro coletivo foi afastado na semana passada do 15? Batalh?o e responder? a um procedimento administrativo na Corregedoria da PM.
"Estamos tomando as provind?ncias cab?veis, pois n?o vamos esperar o t?rmino do processo sobre o estupro coletivo em Castelo para investigar esta den?ncia. Recebemos uma documenta??o do defesor p?blico Gerson Henrique Silva Sousa, no qual cont?m novos ind?cios de propaga??o da viol?ncia na regi?o por parte do policial e sua influ?ncia no crime ocorrido em Castelo", disse o coronel Carlos Augusto, comandante da PM.
Segundo o comandante, se comprovada a den?ncia, a Corregedoria da PM n?o vai aceitar nenhum desvio de conduta.
V?tima volta a estudar
Uma das tr?s sobreviventes do estupro coletivo em Castelo do Piau? retornou ?s aulas na semana passada na Unidade Estadual Francisco Sales Martins. Ap?s o crime, a menina passou dois meses sem frequantar a escola e foi recebida com flores e festa. De acordo com a dire??o da escola, a garota ir? prestar o Exame Nacional do Ensino M?dio (Enem) em outubro.
Lucineide Silva, diretora da escola, falou que as outras v?timas permanecem em Teresina, sendo que uma delas pediu transfer?ncia e vai estudar na capital. Uma das meninas, que sofreu traumatismo craniano, n?o retornar? aos estudos este ano porque continua em tratamento m?dico.
Participa??o dos menores
Ap?s a Defensoria P?blica afirmar que os tr?s jovens condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piau? n?o estavam no local do crime, a delegada AnaMelka Cadena, titular da Delegacia da Mulher da Zona Sudeste de Teresina, afirmou n?o ter d?vidas quanto ? participa??o dos adolescentes no ato.
“A Pol?cia Civil trabalha com responsabilidade. Juntamos todos os elementos que foram levantados, identificamos a participa??o dos quatro, apresentamos o indiciamento ao Minist?rio P?blico e a Justi?a condenou esses adolescentes”, contou em entrevista para TV Clube.
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Delegada Anamelka (Foto: Reprodu??o/TV Clube)
Defensoria diz que jovens s?o inocentes
Segundo a defensora geral do Piau?, Hildete Evangelista, o ?nico elemento que liga os tr?s jovens ? cena do crime e ao estupro coletivo ? o depoimento de Gleison Viera da Silva, que acabou sendo morto pelos tr?s jovens que s?o representados pela Defensoria P?blica.
“As pr?prias v?timas n?o reconheceram os adolescentes. Se o defensor acredita que os tr?s jovens n?o s?o coautores do crime, ele tem obriga??o de recorrer da decis?o. Ele se baseia nas provas mostradas nos autos e constr?i a sua tese de defesa”, disse.
Processo segue para o TJ-PI
O juiz Leonardo Brasileiro, da Comarca de Castelo do Piau?, encaminhou na semana passada o processo do estupro coletivo ao Tribunal de Justi?a do Piau?. Segundo ele, a decis?o foi baseada nas provas levantadas do caso e caber? ao ?rg?o analisar o recurso apresentado pela defesa dos tr?s menores acusados do crime.
"? direito da Defensoria de recorrer e tudo ser? analisado pelo Tribunal de Justi?a. Neste momento, o defensor vai tentar convencer os desembargadores sobre a tese por ele levantada. Ouvimos v?rias testemunhas, s?o v?rias provas documentais no processo e eu garanto que analisei todas elas e a tese de defesa de que os menores n?o estariam no local do crime foi afastada desde o in?cio", declarou o juiz.
CNMP investiga morte
A investiga??o que apura a morte de Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, ser? acompanhada de perto pela Comiss?o da Inf?ncia e Juventude do Conselho Nacional do Minist?rio P?blico (CIJ/CNMP). Em despacho, o conselheiro e presidente da CIJ, Walter de Agra, afirmou que a v?tima foi colocada no mesmo alojamento com outros tr?s adolescentes que j? tinham feito amea?as contra Gleison. A inten??o ? apurar se houve neglig?ncia ao colocar todos o envolvidos na mesma cela.
Tanto v?timas quanto agressores s?o sentenciados pelo cometimento do estupro coletivo contra quatro garotas no m?s de maio em Castelo do Piau?, a 190 km de Teresina.
"E esse 'linchamento' foi alertado pelo pr?prio Gleison, de que seria morto caso ficasse junto aos demais, pois fora amea?ado; no entanto, mesmo tendo avisado sobre a suposta amea?a, foi colocado nos mesmos aposentos, o que causou o seu espancamento e consequentemente a sua morte", afirmou Walter de Agra em despacho no CNMP.
De acordo com o conselheiro, embora o CNMP n?o possua compet?ncia constitucional para apurar diretamente a morte do adolescente Gleison, faz-se necess?rio acompanhar, no ?mbito do Conselho, a atua??o do Minist?rio P?blico do Estado do Piau? no caso.