Publicada em 25 de Setembro de 2013 às 13h36
Missa do Vaqueiro em Queimada Nova (Foto:Francisco Leal)
Ele ? conhecido como o desbravador do sert?o, teve papel fundamental no desenvolvimento do Piau?, agora a atividade, que antes era amadora, hoje ? profiss?o regulamentada em todo o Brasil. O Senado aprovou, nessa ter?a-feira (24), um projeto de lei que reconhece e regulamenta como profiss?o o vaqueiro do sert?o nordestino. Agora o projeto s? precisa ser sancionado pela presidente.
A lei muda o status de quem lida com bois, cavalos, cabras, ovelhas e mulas. Com a aprova??o do projeto, os vaqueiros tamb?m ter?o direitos previstos em todas as profiss?es, como horas extras, adicional de insalubridade ou de periculosidade e adicional noturno. O primeiro registro oficial de pagamento registrado para um cuidador de animal no Brasil foi em 1549, h? quase 500 anos.
De acordo com a Associa??o Nacional de Vaqueiros do Brasil estima-se que exista um milh?o de profissionais. No Piau?, al?m da labuta com o gado, o profissional tamb?m ? patrim?nio cultural, homenageado com a Festa do Vaqueiro e com a tradicional vaquejada. Reconhecendo o potencial do “profissional do mato” todos os anos, o Governo do Estado homenageia o s?mbolo do piauiense com a Comenda da Ordem Estadual do M?rito Renascen?a.
O escritor e historiador Marcos Damasceno, que luta pela regulamenta??o da profiss?o h? anos no Piau?, fala da profissionaliza??o como uma luta republicana. “O cotidiano de vaqueiro ? duro e corrido; perigoso, at?. Sacrificante, cansativo. Tem que ser destemido, antes de qualquer coisa. Coragem para enfrentar os perigos da Caatinga. A indument?ria de couro (gib?o, parapeito, chap?u, sand?lias, luvas, perneira etc.) ? desconfort?vel, mas necess?ria para sua prote??o. - A regulamenta??o ? o meio leg?timo de reconhecermos a hist?ria desses her?is, muitas vezes esquecidos. Alguns vaqueiros j? velhos e cansados necessitam continuar na labuta, e nem sempre por prazer, e sim por necessidade no labor”.
Em seus livros lan?ados Piau? afora, ele trata da vida e dos desafios do vaqueiro no cotidiano, o cen?rio: O Sert?o. O escritor tamb?m aborda a necessidade da profissionaliza??o do homem do sert?o. “Com secas danosas, sol escaldante, paisagens tristes de doer o cora??o enfim. Sem hora certa para beber ?gua, tomar caf?, almo?ar, jantar; sem hora certa para dormir e para acordar. O vaqueiro vira escravo da rotina, da labuta rotineira, sem poder arredar os p?s um s? instante. Para encontrar e pegar uma r?s ele precisa ter estrat?gia e sabedoria; a experi?ncia conta muito. Al?m de ter que conciliar paci?ncia com perseveran?a. E um toque - por que n?o? - de brutalidade. S?o esses os tra?os de um bom vaqueiro. - Os h?bitos sertanejos t?m mudado muito. Tem surgido o vaqueiro moderno, com mudan?as preocupantes; at? o cavalo est? sendo substitu?do pela moto. Diante de uma globaliza??o avassaladora, em que tenta ignorar - e at? dizimar - o regionalismo, se faz necess?rio a regulamenta??o”, finaliza.