Piaui em Pauta

'Relação para vida toda', diz professor solteiro que adotou criança no Piauí.

Publicada em 14 de Agosto de 2016 às 12h02


O sonho de se tornar pai surgiu ainda na inf?ncia do professor universit?rio piauiense Fabr?cio Cesar de Moura Barbosa, 41 anos. O desejo ficou ainda mais forte quando ele teve contato com a tem?tica da ado??o em um semin?rio na universidade onde se formou em Teresina. A realiza??o at? poderia ter vindo antes, mas ele tinha a compreens?o de que para ser pai era necess?rio ter muita maturidade e por isso aguardou o momento certo.
Somente aos 37 anos ele entendeu que estava pronto e deu in?cio ao t?o sonhado processo de ado??o de uma crian?a que passaria a morar com ele um ano mais tarde. Na casa na Zona Sul de Teresina tamb?m moram os pais idosos de Fabr?cio. O procedimento de ado??o ainda n?o foi totalmente finalizado, mas ele j? possui a guarda do menino de 7 anos que mudou a sua vida e realizou o seu grande sonho de se tornar pai.
“Quando eu fiz o semin?rio na universidade eu tinha 23 anos e depois passei a me aprofundar um pouco mais sobre a tem?tica da ado??o, mas sempre aguardando o momento certo porque para ser pai necessita de muita maturidade e responsabilidade. N?o tem como voltar atr?s depois de adotar uma crian?a, porque n?o existe ex-pai. ? uma rela??o para a vida toda”, falou o professor.

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Antes de conseguir a guarda e levar o pequeno Jo?o Henrique para casa, Fabr?cio frequentou durante quatro meses uma casa de acolhimento onde o menino morava depois de ter sido rejeitado pelos pais biol?gicos. Passados tr?s anos, pai e filho vivem felizes e a cada dia a rela??o de amor e cumplicidade apenas cresce entre os dois. A rotina do professor mudou totalmente e a aten??o agora ? toda voltada para o garoto.
“Mudou completamente depois que ele chegou. Hoje minhas escolhas giram em torno dele, desde as escolhas profissionais a qualquer outra coisa. Toda atividade de trabalho que vou fazer eu penso se n?o vai fragilizar a rela??o com meu filho. J? deixo bastante claro no trabalho que eu n?o posso me afastar porque tem o meu filho e eu n?o me sinto muito bem em ficar muito tempo distante dele e nem ele de mim”, falou.

Fabr?cio conta que a burocracia exigida no processo de ado??o ainda emperra algumas a?es dele para com o filho, mas ao mesmo tempo ressalta que a responsabilidade de se adotar uma crian?a ? t?o grande que realmente ? preciso compreender todas as exig?ncias. Enquanto tudo n?o for conclu?do, o menino ainda n?o pode ter o nome dele como pai na certid?o de nascimento, o que dificulta alguns procedimentos do dia-a-dia.
“Eu n?o posso tirar um plano de sa?de para o meu filho. Eu pago para mim, mas n?o posso pagar para ele porque na certid?o de nascimento dele eu ainda n?o estou como pai, pois s? tenho a guarda. Por conta disso as administradoras de planos de sa?de n?o aceitam. Alegam tamb?m a quest?o do CPF. Mas ? uma quest?o de saber esperar. O pai que ? pai ? paciente e perseverante. Eu n?o desisto e sei que ? uma exig?ncia da lei”.
O professor falou ainda sobre o fato de ser pai solteiro e homossexual. Ele destacou que a sociedade j? est? superando o preconceito com as m?es solteiras, mas ainda falta compreender os pais nesta situa??o. Fabr?cio faz parte da Associa??o Brasileira de Fam?lias Homoafetivas (ABRAFH), estuda a tem?tica da paternidade afetiva e participa de grupos de pais solteiros. Segundo ele, ? importante debater esse modelo na sociedade.
“As pessoas sempre atribuem a presen?a da m?e. As vezes perguntam: ah e a m?e dele? Ai eu digo que nossa fam?lia ? constitu?da somente por eu e ele. As pessoas j? legitimam a m?e solteira, mas o pai ainda ? algo que elas n?o compreendem bem. J? me perguntaram porque n?o tive filho natural e eu digo que a ado??o ? um processo natural. N?o percebo tanto preconceito com a minha orienta??o sexual at? porque n?o ? o que eu enfatizo, n?o ? uma bandeira maior que levanto. Eu sou um pai e fa?o meu papel de pai”, fala.

Fabr?cio n?o teme nenhum tipo de rejei??o no futuro e diz que conversa bastante com o filho, que entende bem a situa??o e n?o abre m?o de estar sempre com o pai que o acolheu. O professor afirma que toda a hist?ria de vida do menino e a realidade sobre o modelo de fam?lia em que ele est? inserido s?o rotineiramente abordados entre os dois e que a rela??o ? a melhor poss?vel.
“A crian?a tem o direito e saber da hist?ria de vida antes da ado??o e principalmente o direito de saber da hist?ria de vida da qual ela est? sendo inserida. Eu seria muito hip?crita e um p?ssimo pai se eu n?o trabalhasse com meu filho a minha hist?ria e a hist?ria dele, em todos os aspectos. Eu tento passar os valores para ele com o princ?pio da verdade em tudo”, explicou.
Dia dos pais
Fabr?cio ? quem arruma a mochila do pequeno Jo?o, faz comida, ensina atividades e ajuda a vestir a roupa para ir ao col?gio. Questionado sobre o simbolismo do Dia dos Pais em sua vida, o professor fez quest?o de dizer que a data significa miss?o e gratid?o. Esse ? o terceiro ano que ele vivencia e s? tem a comemorar ao lado do filho que adotou e desde ent?o aprendeu a cuidar e amar de forma incondicional.
“Dia dos Pais para mim tem os princ?pios de gratid?o e miss?o. Gratid?o de poder, junto com meu filho, constituir valores, afeto e amor. E miss?o por que de todas as atividades que desenvolvo essa ? a principal em minha vida. Ser pai n?o ? uma coisa que a gente compra em um pacote. Ele tamb?m me ensina a ser pai a todo instante, ensina a ser mais tolerante, mais calmo. ? algo muito especial”, falou.
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Tags: 'Relação para vida - O sonho de se tornar

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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