Piaui em Pauta

Saiba como funcionava o esquema de corrupção do Detran de venda de Carteiras de Habilitação (CNH)

Publicada em 30 de Novembro de 2024 às 09h17


?A Policia Civil do Piau? realizou nesta segunda-feira (28) a Opera??o "Cribelo", que investiga a venda de Carteiras Nacionais de Habilita??o (CNH) no Piau?. Em entrevista a TV Clube, o delegado Filipe Bonavides, coordenador Geral da For?a Estadual Integrada de Seguran?a P?blica (Feisp), explicou como funcionava todo o esquema de corrup??o e vendas de CNH. A opera??o foi realizada em Teresina e Jos? de Freitas.

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De acordo com o delegado, o esquema funcionava em tr?s fases: capta??o, despache e exame. Cada fase era feita por pessoas diferentes.

Entenda como funcionavam as fases:

Capta??o: nessa fase, o instrutor da autoescola tinha a responsabilidade de procurar os candidatos que "queriam garantir a aprova??o". Eles ofereciam aos candidatos um modo facilitado para o cumprimento da prova. Logo em seguida o aluno pagava o valor acordado ao instrutor. Em caso de n?o aprova??o, o candidato recebia o dinheiro de volta.
Despache: ap?s o pagamento, o instrutor repassava o valor para um dos despachantes que ficavam em frente a bares no Detran. Ent?o, nos dias de exames, os servidores do Detran chegavam com anteced?ncia nos bares e recebiam desses despachantes uma parte do dinheiro e as orienta?es sobre como identificar os alunos que estavam no esquema.
Exame: Os examinadores identificavam os alunos atrav?s de marca?es como pinturas nas m?os. Durante o exame, os examinadores ajudavam os alunos com toques, gestos, sinais e at? altera??o de notas. Al?m disso, muitas vezes n?o computavam as faltas que eram feitas pelos alunos e nem ligavam os tablets de monitoramento, que serviam para identifica??o do percurso.
Ainda segundo o delegado, os alunos pagavam de acordo com com a categoria da CNH e do perfil do candidato. Al?m disso, os instrutores pressionavam os candidatos para que aderir ao esquema afirmando que, se ficassem de fora, a aprova??o seria mais dif?cil.

"Havia o pagamento de valores em esp?cie e comprovantes de Pix. Os valores come?avam em R$ 400 e chegavam a at? R$ 1 mil, dependendo da categoria da CNH e do perfil do candidato. Muitos eram levados a pagar porque tinham receio de serem sabotados [no exame] se n?o fizessem", explicou o delegado.

Ao todo, 17 pessoas foram presas: sete instrutores, seis examinadores do Detran, dois despachantes e outras duas pessoas que compravam ve?culos com o dinheiro recebido.

CNHs podem ser suspensas, alerta Detran

A diretora-geral do Detran-PI, Luana Barradas, estimou que cerca de 5 mil CNHs foram obtidas de maneira ilegal durante o per?odo da investiga??o policial. Ela declarou que, ao final do inqu?rito, os documentos podem ser identificados e suspensos.

"A gente est? esperando a finaliza??o da investiga??o para ter todos os dados em m?os. Mas, de antem?o, j? vamos fazer o afastamento administrativo de todos os envolvidos. Hoje, com a nova plataforma do Detran, temos um sistema totalmente audit?vel e transparente para colaborar com a SSP", apontou a diretora.
Os suspeitos presos temporariamente devem responder pelos crimes de corrup??o passiva, corrup??o ativa e associa??o criminosa. Eles foram encaminhados ? sede da SSP-PI, na Zona Leste de Teresina.

A opera??o foi realizada pela Superintend?ncia de Opera?es Integradas (SOI) da pasta, que contou com apoio da Pol?cia Civil e da Pol?cia Militar.
Tags: CNH - A Policia Civil

Fonte: GLOBO  |  Publicado por: Da Redação
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