As medidas de isolamento social adotadas pelo Governo do Estado desde a segunda quinzena de mar?o evitaram cerca de 1.800 infectados pela Covid-19 e pelo menos 35 mortes no Piau?. A conclus?o ? do matem?tico e professor Jefferson Cruz, integrante do Grupo de Trabalho de Sa?de do Comit? Gestor de Crise (CGC) da Universidade Federal do Piau? (UFPI), criado em mar?o por conta da pandemia. Os n?meros s?o bem maiores do que o existente hoje: 217 casos e 15 ?bitos registrados desde 19 de mar?o.
O pesquisador analisou o n?vel de contamina??o do novo coronav?rus no Estado e fez proje?es de como se dar? o avan?o de novas infec?es nos pr?ximos meses. O CGC ? formado por uma equipe de multiprofissionais da UFPI e fez a estimativa baseada nas regras fuzzy.
Jefferson Cruz refor?a que foi acertada a decis?o das autoridades p?blicas da rede estadual e municipais de determinarem o fechamento de v?rias atividades econ?micas antes dos primeiros casos de Covid-19, pois empurrou o pico da doen?a no Estado, previsto para maio, para o m?s de agosto.
Segundo o matem?tico, sem as medidas de isolamento, n?s ter?amos no Piau? atualmente cerca de 2.000 casos confirmados, com cerca de 50 ?bitos, e atingir?amos o pico da doen?a j? entre maio e junho, com 100.000 a 200.000 casos e 600 a 700 ?bitos. Em Teresina, seriam cerca de 30.000 casos confirmados, com algo em torno de 200 mortes. “Fizemos essa estimativa baseados no protocolo da Organiza??o Mundial de Sa?de, que estima a quantidade de pessoas que podem ser infectadas por um indiv?duo contaminado”, explica Jefferson.
Se o Piau? chegar esse total de infectados, o sistema de sa?de entrar? em colapso, pois n?o haver? como atender todos ao mesmo tempo.
Caso as medidas de isolamento sejam mantidas, o pico da doen?a deve acontecer em agosto, dando tempo para que o sistema de sa?de estadual se prepare. “? algo que j? est? sendo feito, com a constru??o de hospitais de campanha para amplia??o dos leitos que possam atender aos pacientes”, diz Jefferson Cruz. Ele est? mantendo contato com a Secretaria de Sa?de do Piau? para falar de seus estudos.
De acordo com as proje?es, mantido o isolamento social da forma em que est?, o Piau? deve registrar 20.000 casos em junho, um total 80% menor do que os 100 mil previstos sem o isolamento. Logo, o n?mero de ?bitos tamb?m ser? bem inferior. Em Teresina, teria entre 3.000 e 4.000 infectados confirmados.
Jefferson Cruz frisa que um isolamento apenas parcial traria n?meros intermedi?rios: nem os 20 mil com o isolamento nem os 100 mil sem. “Nesse caso, ter?amos uma janela entre dois extremos e precisar?amos saber como seria o comportamento da popula??o com rela??o aos cuidados, como o distanciamento entre as pessoas, o uso de m?scaras e de ?lcool gel, por exemplo”, comenta.
Subnotifica??o ? alta e testes precisam ser ampliados
Apesar das autoridades de Sa?de do estado s? poderem confirmar a contamina??o com o resultado do teste da Covid-19, estima-se que o n?mero de infectados seja bem maior. Uma das evid?ncias que apontam para a subnotifica??o ? o ?ndice de letalidade no Piau?, que est? entre 6 e 7%, tr?s vezes maior do que o ?ndice m?dio, que ? de 2%.
O pesquisador Bruno Alcoforado, doutor em Microbiologia e integrante do GT Sa?de do CGC da UFPI, informa v?rios fatores que contribuem para a subnotifica??o. Entre eles, por exemplo, o momento exato do exame feito no paciente, que precisa ser respeitado. “A PCR, que ? o teste molecular, aponta se o paciente tem o v?rus naquele momento em que ? feito o exame. Neste tipo de exame, as amostras devem ser coletadas principalmente at? o 7? dia de sintomas do paciente. Ap?s esse per?odo, aumentam as chances de o resultado dar o que chamamos de falso negativo”, afirma Bruno Alcoforado.
O teste r?pido imunol?gico, por sua vez, revela se o paciente j? desenvolveu anticorpos. Este exame deve ser feito a partir do 8? dia da infec??o. “Dependendo do kit utilizado, caso seja feito no in?cio da doen?a, pode dar negativo, pois ainda n?o h? anticorpos no organismo”, explica o pesquisador.
Bruno enfatiza que ? preciso treinar os profissionais de sa?de para lidar tamb?m com a forma de coleta e transporte das amostras, al?m de orienta??o sobre quando pedir o teste r?pido ou PCR. Segundo ele foi informado pelas autoridades, as recomenda?es j? est?o sendo realizadas pela Secretaria de Sa?de. O biom?dico lembra ainda que, quanto mais testes forem feitos junto ? popula??o, mais r?pido as autoridades de sa?de saber?o o ?ndice de contamina??o das pessoas e poder?o se planejar melhor, inclusive com a decreta??o do retorno de algumas atividades econ?micas que se encontram paradas.