O juiz Ant?nio Noll?to, da 1? Vara do Tribunal Popular do J?ri, determinou nesta segunda-feira (7) envio ? Pol?cia Federal de documentos encontrados com Ocionira Barbosa de Sousa e Leonardo Ferreira de Lima, que indicariam fraude ao INSS. Os dois s?o acusados de serem coautores da execu??o do cabo do BOPE, Claudemir de Sousa, em 6 de dezembro de 2016.
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Delegado Gustavo Jung pediu que suspeitas de fraude fossem investigados pela PF (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
O delegado de pol?cia civil Gustavo Jung, do Grupo de Repress?o ao Crime Organizado (Greco), foi quem fez o pedido de envio do caso ? PF. Uma das motiva?es para o assassinato do policial militar, segundo o delegado, foi exatamente a parceria entre Leonardo e Ocionira nas fraudes.
Uma irm? de Claudemir disse ao G1 que al?m do policial e sua fam?lia, toda a sociedade ? v?tima dos acusados.
"Esperamos que o envio tamb?m desses documentos para a PF seja um refor?o para que a Justi?a seja feita. Meu irm?o foi uma v?tima de tudo isso. Minha fam?lia ? v?tima. E a sociedade tamb?m, porque essa fraude atinge todos aqueles que precisam do INSS para sobreviver", disse.
Ocionira, segundo a pol?cia, manteve um relacionamento com Claudemir e Leonardo, mas havia se afastado do policial, quando este trabalhou durante alguns meses meses em Bras?lia. Ele retornou a Teresina e pediu a mulher em casamento, "amea?ando" o esquema dos dois.
"N?s fizemos o pedido de investiga??o pela Pol?cia Federal porque o que encontramos com os dois ? evidente sobre as fraudes. H? carimbos e selos cartor?rios que eles nem poderiam ter, porque n?o trabalham com isso. O foco dos dois ? exatamente essa parceria profissional extra-oficial. Apreendemos caixas e caixas de documentos que evidenciam as fraudes", declarou o delegado Gustavo Jung.
O delegado explicou como a pol?cia civil acredita que o esquema funcionava: Ocionia teria proximidade com pol?ticos e sindicatos de trabalhadores no interior do Piau?, facilitando a aproxima??o com pessoas que pretendiam se aposentar. Eles ajudariam, segundo Jung, a regularizar a situa??o de pessoas que ainda n?o poderia receber o benef?cio.
"N?o sabemos exatamente que tipo de coisas eles faziam, isso ser? feito pela PF, mas eles ajudavam pessoas que n?o estavam em condi?es de se aposentar, mas queriam isso. Havia falsifica?es de documentos para dar entrada no pedido. Os selos de cart?rios e carimbos de supostos tabeli?es deixam claro que havia a inten??o de falsificar documentos", relatou o delegado.
A irm? de Claudemir declarou que espera Justi?a e que al?m da perda do militar, a fam?lia sente com todas as etapas do processo que julga os acusados.
"Nesse domingo fez oito meses dessa trag?dia, que destruiu a minha fam?lia. As nossas vidas. Vivemos com a dor da saudade, de n?o ter o Claudemir aqui. Junto com essa dor vivemos a ang?stia e afli??o de todo esse processo. Confiamos em Deus e acreditamos que a justi?a dos homens ser? feita e todos continuar?o presos e pagando pelos crimes que cometeram", declarou.
Homic?dio
A investiga??o sobre a execu??o do Cabo Claudemir foi conclu?da e oito pessoas foram indiciadas e denunciadas pelo Minist?rio P?blico. Foram denunciados Leonardo Ferreira Lima, Maria Ocionira Barbosa de Sousa, Jos? Roberto Leal da Silva, conhecido como Beto Jamaica, Weslley Marlon Silva, Francisco Luan de Sena, Igor Andrade de Sousa, Tha?s Monait Neris de Oliveira e Francisco Luan de Sena.
Na ?ltima audi?ncia sobre o caso, o Minist?rio P?blico solicitou a quebra de sigilo telef?nico de acusados, para a reuni?o de mais provas. Ao fim das audi?ncias, o juiz decidir? se os acusados ir?o a j?ri popular.
Claudemir foi morto a tiros no dia seis de dezembro de 2016, quando deixava a academia onde treinava, no bairro Saci, zona Sul de Teresina.