
Quatorze trabalhadores rurais foram resgatados de uma carvoaria localizada no munic?pio de S?o Jos? do Peixe, a 353 km de Teresina, durante opera??o de fiscaliza??o realizada por auditores fiscais do trabalho e pela Procuradoria Regional do Trabalho com apoio da Pol?cia Rodovi?ria Federal (PRF). Os trabalhadores foram trazidos da cidade de Palmas de Monte Alto, na Bahia, e estavam a mais de 1 mil quil?metros distantes de casa.
De acordo com o auditor fiscal Robson Waldeck Silva, os trabalhadores estavam operando de maneira degradante, sem nenhum equipamento de prote??o. Entre os resgatados, havia um adolescente de 15 anos e alguns idosos.
“Alguns tinham ferimentos leves, causados pela atividade”, comentou o auditor. “Eles passavam por uma jornada exaustiva, trabalhavam por produ??o e recebiam menos de um sal?rio m?nimo”, disse. Quando iam trabalhar, eram transportados na carroceria de um reboque por cerca de cinco quil?metros at? o campo de trabalho, passando pelo risco constante de acidentes.
Suspeita de aliciamento de trabalhadores
Os trabalhadores foram contratados ainda na Bahia, h? cerca de dois meses, e trazidos para o Piau?, mas a maioria n?o tinha qualquer v?nculo formal com os empregadores, e nenhum passou por exame m?dico admissional.
Os trabalhadores relataram aos auditores que foram contratados com a promessa de que receberiam um sal?rio regular, que ficariam em boas acomoda?es e utilizariam os equipamentos de prote??o individual.
“Segundo o depoimento deles, eles vieram enganados. H? ent?o ind?cio de aliciamento de trabalhadores que ser? verificado durante o processo”, disse Robson.
Alguns trabalhadores dormiam em uma edifica??o sem banheiros, em colch?es velhos espalhados pelo ch?o. “Outros dormiam do lado de fora da edifica??o, porque o lugar n?o suportava a todos. Ent?o dormiam no alpendre, em redes ou colchonetes no ch?o”, disse Robson.
O lugar tamb?m n?o tinha uma fonte de ?gua. Por isso, a ?gua utilizada pelos trabalhadores era trazida de cerca de cinco quil?metros do lugar onde ficavam alojados, e eles s? tinham direito a tomar um banho por dia.
A opera??o foi realizada no final de novembro. A carvoaria foi interditada e o processo para o pagamento das verbas rescis?rias se estendeu at? dezembro. Os trabalhadores foram enviados de volta para sua cidade natal, e receberam as verbas rescis?rias a que tinham direito e o seguro desemprego.