Piaui em Pauta

Vítima de estupro coletivo no PI volta a falar e relembra o crime, diz pai.

Publicada em 19 de Junho de 2015 às 11h11


?A ?nica das quatro v?timas do estupro coletivo do Piau? que ainda est? internada voltou a falar. A adolescente, de 17 anos, traz consigo mem?rias de um crime que abalou a cidade de Castelo do Piau?, a 190 km de Teresina. Os pais da jovem, que s?o agricultores, deixaram a lavoura e o gado de lado para acompanhar a recupera??o da filha, que ainda est? internada no Hospital de Urg?ncia de Teresina (HUT).
Ao longo de 21 dias, a jovem, que teve traumatismo craniano, passou por uma cirurgia na cabe?a e outra para reconstru??o das orelhas. Segundo o pai da adolescente, suas primeiras palavras foram sobre o crime e sobre a amiga Danielly Rodrigues, de 17 anos, que morreu 10 dias ap?s ser violentada.

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Ainda chocado com a brutalidade cometida contra a filha, o homem, de 59 anos, aceitou conversar com o G1. A pedido dele, o encontro aconteceu distante do hospital em que a adolescente permanece internada.
"Ela disse: 'Papai me carregaram pro mato'. A?, eu neguei. N?o queria que ela falasse sobre o assunto. Ela continuou: ‘Foi, papai, os moleques me carregaram para o mato e quebraram minha cabe?a. Eu t? operada da cabe?a", disse o pai da garota, que n?o ter? o nome revelado para preservar a sua identidade e a da filha.
Apesar da viol?ncia extrema que sofreu, a jovem estava se lembrando do dia 27 de maio, quando ela e mais tr?s amigas, com idades entre 15 e 17 anos, foram amarradas, estupradas, espancadas e jogadas de um penhasco de mais de 10 metros de altura. Elas foram encontradas com vida, socorridas e levadas ao hospital. Uma delas morreu dez dias ap?s o crime. Outras duas j? tiveram alta m?dica.
Um homem de 40 anos foi preso sob suspeita de ser o mentor da barb?rie. Quatro adolescentes, tamb?m entre 15 e 17 anos, que foram apreendidos por suspeita de participar do crime. Dois deles confessaram.

O pai conta que a filha tamb?m quis saber das amigas, principalmente de Danielly, que morreu ap?s a trag?dia.
"N?o perguntou nem pelo irm?o. A primeira pergunta foi: 'Cad? a Danielly?' Eu n?o tive coragem de contar a verdade e dizer que a menina Dani tinha morrido", disse.
Segundo o pai da adolescente internada, a jovem, que sonha em ser veterin?ria para ajudar a fam?lia a ter uma vida melhor, perguntou como e quando voltaria para a escola. Ela cursava o 3? ano do ensino m?dio e se preparava para fazer o Exame Nacional do Ensino m?dio (Enem).
Moradia no hospital
Para acompanhar a evolu??o da sa?de da garota, os pais se revezam no HUT. "Desde o dia do crime, a minha esposa n?o saiu de perto da nossa filha. Ela quer acompanhar cada evolu??o do quadro cl?nico. Esta luta tem sido pesada, porque tivemos que deixar tudo para tr?s para ficar com nossa menina", contou.

O semblante do trabalhador de 59 anos ? de cansa?o pelas noites em claro ao lado do leito da filha. O trabalhador se mostra revoltado e sem esperan?a na Justi?a, mas muito agradecido pela vida da filha.
“Apesar de toda trag?dia, tenho que agradecer muito a Deus e depois aos m?dicos porque, da forma como vi minha filha, eu pensei que ela n?o iria sobreviver. A coisa era feia”.

Reconhecimento ap?s o crime
De forma t?mida, o pai relembra o dia do crime e conta como conseguiu reconhecer a garota. “Ela estava toda deformada, tinha muito sangue na cara dela, o cabelo estava todo enrolado de sangue, que ningu?m n?o conhecia ela n?o. A gente conhecia ela pelos pezinhos, pelas m?os”, lembra o homem bastante abalado.
O terror cometido contra as quatro adolescentes revoltou os moradores da cidade. At? hoje, o trabalhador n?o entende o porqu? de tanta crueldade. Demonstrando dor e revolta, ele conta que as imagens da filha desfigurada n?o ser?o jamais esquecidas.
"Aquela imagem n?o vai apagar nunca. Porque uma pessoa que nunca fez mal a ningu?m, nem a um bicho bruto, e uns elementos 'daquele' fazer um servi?o que fizeram com ela. Eles n?o s?o gente. Eu pensei muita coisa, muita coisa ruim porque eu sou um cara muito forte. Eu n?o fiz maldade (vingan?a), essa noite mesmo, porque n?o encontrei as 'criatura'", afirmou.

Ao ser questionado sobre o que esperar do julgamento dos suspeitos, o pai da adolescente se mostra descrente na Justi?a brasileira, mas confiante no julgamento divino. “A justi?a dos homens pode at? falhar, mas a de Deus, nunca”, falou.
Os suspeitos foram denunciados pelo Minist?rio P?blico, que pediu pena de 151 anos para o adulto e aplica??o de medida socioedutiva, no Centro Educacional Masculino (CEM), para os garotos.
A m?e de um dos suspeitos disse sofrer com a atitude do filho. “Me olham com a cara ruim. N?o sou culpada, n?o posso fazer nada. Eu pedi muito a Deus pelas meninas. Eu n?o sabia o que estava colocando no mundo”, desabafou. O pai da jovem que morreu sofre com a saudade. "Queria minha filha de volta", disse.
Tags: Vítima de estupro - A única das quatro

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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