Piaui em Pauta

Vítima de estupro diz que só soube do crime após boatos, conta advogada.

Publicada em 14 de Junho de 2016 às 21h22


A jovem de 21 anos que denunciou para a pol?cia ter sido v?tima de estupro coletivo em Sigefredo Pacheco, a 160 km de Teresina, contou que teve conhecimento da viol?ncia sofrida ap?s coment?rios de que imagens suas sem roupas e desacordada circulavam pelo WhatsApp. As informa?es s?o da advogada da v?tima, Josefa Miranda.

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A advogada informou ao G1 nesta ter?a-feira (14) que sua cliente tem poucas recorda?es da noite em que o v?deo foi gravado, apenas que ingeriu um copo com bebida alco?lica em companhia de alguns rapazes e mais nada. Ap?s isso, a jovem s? sabe que acordou em sua resid?ncia no dia 3 de junho.
“Ela disse que estava no festejo da cidade, onde mora, quando encontrou estes rapazes. Eles ofereceram um copo de bebida alco?lica e depois disso ela apagou. Acordou no dia seguinte em sua resid?ncia sem lembrar-se do que aconteceu. Depois, somente tomou conhecimento ap?s os coment?rios da divulga??o das imagens”, detalhou.
As imagens do v?deo em que jovem aparecem mostram quatro rapazes e pelo menos dois deles tocam a vagina da v?tima, que est? desacordada e n?o esbo?a nenhuma rea??o. No v?deo, ? poss?vel ouvir ainda um dos rapazes falar de forma ir?nica: "amanh? todo mundo preso em Sigefredo Pacheco". O crime foi praticado dentro de um carro.
Segundo informa?es da delegado Anamelka Cadena, a jovem veio para Teresina nesta ter?a-feira e realizou exames no Servi?o de Atendimento ? Mulher V?tima de Viol?ncia (Sanvis) da Maternidade Dona Evangelina Rosa e foi encaminhada ao Instituto Natan Portela para tomar um coquetel de medicamentos que evita a contamina??o por doen?as sexualmente transmiss?veis. Ela vai prestar depoimento na Delegacia Geral da capital.
A advogada Josefa Miranda ressaltou tamb?m que a v?tima e sua fam?lia est?o abaladas diante da viol?ncia sofrida e da rea??o de populares que, segundo ela, apontam a mo?a como sendo a principal respons?vel pelo estupro coletivo.

“Minha cliente virou motivo de chacota na cidade. As pessoas fazem coment?rios dela e por isso eles decidiram procurar a pol?cia para investigar o caso. Houve v?rias tentativas com objetivo de registrar um boletim de ocorr?ncia em Sigrefredo Pacheco, no entanto, na cidade n?o h? escriv?es e por isso esta den?ncia s? foi formalizada em Campo Maior 10 dias ap?s o estupro coletivo”, afirmou Josefa Miranda.
Ningu?m da Pol?cia Civil do Piau? foi encontrado para comentar a falta de escriv?es em Sigifredo Pacheco, que fica distante 80 km de Campo Maior.
A delegada Anamelka esclarece que o crime de estupro ? configurado por ato sexual e/ou libidinoso sem o consenso da v?tima. "Para existir estupro n?o precisa ter havido conjun??o carnal, o ato libidinoso sem a autoriza??o da pessoa ? crime. No caso, a jovem est? desacordada e n?o tem discernimento sobre o que est? acontecendo, ou seja, o consentimento est? comprometido", diz.

Outros casos
O fato mais recente ocorreu em Paje? do Piau? na ter?a-feira (7). Uma menina de 14 anos foi violentada sexualmente por quatro rapazes, sendo tr?s adolescentes e um maior de idade. A m?e da v?tima chegou a flagrar o estupro que ocorreu no banheiro de um gin?sio poliesportivo.

No dia 20 de maio deste ano, uma garota de 17 anos foi encontrada desacordada e amarrada com uma de suas pe?as de roupa em Bom Jesus, Sul do estado. Quatro adolescentes e um jovem de 18 anos s?o investigados por suspeita de estuprar a mo?a.

Em maio do ano passado, quatro adolescentes com idades entre 15 e 17 anos foram brutalmente agredidas, estupradas e arremessadas do alto de um penhasco na cidade de Castelo do Piau?. Quatro menores foram apreendidos e um maior de idade preso suspeito de participa??o no crime.

Protocolo de atendimento
A Secretaria de Estado de Seguran?a P?blica do Piau? informou na segunda-feira (13) que ser? constru?do um protocolo espec?fico para atendimento ?s v?timas de estupro. A metodologia ser? ?nica no Brasil, diante dos in?meros casos que t?m surgido no estado.
O Piau? conta atualmente com nove delegacias da mulher, sendo tr?s unidades em Teresina e as demais em Bom Jesus, Floriano, Parna?ba, Picos, Piripiri e S?o Raimundo Nonato.

De com a diretora de Gest?o Interna da Secretaria de Seguran?a P?blica, Eug?nia Villa, o protocolo qualificado soma diversas informa?es e se adequar? ? realidade dos munic?pios piauienses. Num prazo de sete dias, as nove delegacias devem apresentar relat?rios preliminares que retratem a realidade de cada regi?o.
“A mulher v?tima de viol?ncia sexual tem que ter um tratamento especial. Al?m do trauma psicol?gico, a mulher precisa passar por um processo de profilaxia, ingerindo medicamentos que evitam a gravidez e combatem a poss?vel infec??o com doen?as sexualmente transmiss?veis, como a aids por exemplo. E o pior momento ? quando ela vai ? pol?cia e revive tudo durante o depoimento. Nossa inten??o ? criar um protocolo objetivo, que facilite o trabalho da pol?cia e aprimore o atendimento a essas mulheres", falou Eug?nia Vila.
"Desde a entrada desta ocorr?ncia na delegacia j? deve ser qualificado na perspectiva de g?nero. Queremos que estas ocorr?ncias tenham um tratamento diferenciado de uma quest?o de roubo, furto, pois envolve aspectos que ser?o estudados, como a domina??o masculina. S?o categorias que extravasam a domina??o policial, mas que precisam ser reconhecidas”, completou.
Tags: Vítima de estupro - A jovem de 21 anos

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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