
?A ativista brasileira Ana Paula Maciel, 31 anos, uma das 30 pessoas do Greenpeace presas na R?ssia ap?s um protesto contra a explora??o de petr?leo no ?rtico, voltou para casa. A bi?loga desembarcou por volta das 11h10 deste s?bado (28) no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, depois de viajar por mais de 12 horas.
"Se eu aceitei os riscos, ? porque acho que vale a pena. Esses dois meses na pris?o valeram a pena. Eles [a R?ssia] tiveram que admitir que n?s n?o somos piratas. Vou continuar trabalhando e navegando", disse em entrevista coletiva ap?s a chegada.
A ga?cha lembrou do per?odo que passou presa. "Foram os dois meses mais dificeis da minha vida. A tens?o era muito grande. Tudo o que eu tive de chorar, eu chorei em Frankfurt. L? eu entendi que era real, porque eu estava em outro pa?s", recordou.
No sagu?o do terminal a?reo, a fam?lia de Ana Paula a aguardava com expectativa. A m?e, Ros?ngela Maciel, foi ao aeroporto com o pai, a irm? e a av? da bi?loga, entre outros parentes. A ativista ficou fora do pa?s por cinco meses – dois meses embarcada no navio Arctic Sunrise e tr?s meses detida em Murmansk e S?o Petersburgo. "A nossa Porto est? mais Alegre com o teu retorno. Te amamos", dizia o cartaz levado.
"Eu acho que de agora em diante vai ser s? alegria. Que ela continue a ser esta guerreira que ela semper foi. Esta viagem foi meio turbulenta, mas o desfecho foi feliz. Agora, s? quero dar um abra?o e carinho", afirmou a m?e, Ros?ngela.
O pai da bi?loga, Jairo Maciel, chegou mais cedo do resto da fam?lia e tamb?m esperava emocionado pela filha. "O cora??o est? batendo forte. Esta virada de ano vai ser especial por conta da liberta??o dela", disse ao G1 no sagu?o do aeroporto.
Segundo Maciel, a pr?xima viagem da filha deve ser em breve para a Nova Zel?ndia para participar de uma campanha pela prote??o de animais marinhos. Por isso, ele levou de presente uma orca de pel?cia.
Entretanto, a bi?loga n?o confirmou a informa??o e disse que dever? viajar novamente apenas na metade do ano, sem revelar o destino. Quando perguntada se voltaria para a R?ssia, Ana Paula foi r?pida: "Por enquanto, n?o".
A ativista ga?cha recebeu o visto de sa?da da R?ssia na sexta-feira (27). Na ?ltima quarta, ela havia recebido do governo russo o documento que garantia a interrup??o das investiga?es do crime de vandalismo, pelo qual ela e seus companheiros haviam sido acusados.
'12 horas no avi?o da minha liberdade', disse Ana Paula ao chegar ao Brasil por SP
Na conex?o em S?o Paulo, Ana Paula conversou com jornalistas. "Minha vida mudou. Foi uma tremenda injusti?a, uma tentativa frustrada de calar um protesto pac?fico e a liberdade de express?o", afirmou, logo ap?s o desembarque.
"Eu espero que o mundo tenha aprendido com isso, porque nem os russos esperavam a rea??o do mundo para nos libertar, para nos proteger." Ela ainda acrescentou que as muitas horas de voo desde S?o Petersburgo, com conex?o em Frankfurt, n?o foram nada perto das horas que passou na solit?ria, durante a pris?o. "Foram 12 horas de viagem no avi?o da minha liberdade".
Sobre a R?ssia, ela disse que ? "um pa?s lindo, com pessoas maravilhosas" e que a a??o do Greenpeace nunca foi contra o pa?s, mas contra as petroleiras. "Eles entenderam mal o que aconteceu", acrescentou. A bi?loga ainda agradeceu o apoio. "Eles pensaram que podiam fazer com a gente o que eles fazem com todos os que fazem protesto pac?fico, que eles calam, espezinham, mant?m na cadeia por anos, mas o mundo estava junto com a gente e eu n?o tenho palavras para agradecer isso."
Anistia
Um decreto aprovado pelo parlamento russo no dia 18 - que concedeu anistia a presos por atos de vandalismo - beneficiou o grupo do Greenpeace, que vem sendo chamado pela organiza??o ambiental como os "30 do ?rtico".
Os 28 ativistas e 2 jornalistas freelancers tentavam escalar uma plataforma petroleira da Gazprom no dia 19 de setembro, para protestar contra a explora??o do ?rtico, quando foram surpreendidos pela pol?cia russa, que prendeu toda a tripula??o do navio Arctic Sunrise.
O grupo permaneceu detido durante dois meses, primeiro sob a acusa??o de pirataria e, em seguida, sob a acusa??o de vandalismo. Em novembro, eles receberam o direito de responder ao processo em liberdade mediante pagamento de fian?a. Desde ent?o, estavam livres na cidade de S?o Petersburgo, mas sem poder deixar o pa?s.