
O drama de ter um familiar dependente químico afeta não apenas o usuário, mas toda a sua família. Pensando nisso o grupo Amor Vencerá, que faz parte da Fazenda da Paz, uma comunidade terapêutica que cuida de dependentes químicos há 20 anos, promove reuniões uma vez por semana com o objetivo dar apoio às família dos internos e dos que procuram por uma vaga na instituição.
A artesã Conceição Silva afirma que foi por amor que decidiu lutar pela recuperação de seu filho. “Eu amo meu filho e eu não tivesse isso eu não saberia procurar ajuda e entender a doença como muitas famílias fazem”, disse.
Aos 33 anos de idade e há quatro sem usar drogas, um homem, que preferiu não se identificar, reconhece a importância que teve a ajuda da família no processo de libertação do vício. “Agradeço muito à minha família, principalmente à minha mãe, por ter me ajudado e ainda estar ajudando. Hoje eu sou um homem muito carinhoso dentro de casa. Procuro desempenhar o máximo e fazer de tudo para não ir mais para aquela vida”, relatou.
“O que nos move a fazer esse trabalho é acreditar na proposta, acreditar no trabalho, é ter amor ao próximo e a nós mesmos”, afirmou Raimunda Estevão, coordenadora regional do Amor Exigente.
O presidente da associação de psiquiatria do Piauí afirma que o dependente tem que passar por tratamento para se livrar do vício, mas reitera que o vínculo afetivo com a família é um aliado especial. “O momento em casa, familiar, é uma etapa fundamental do tratamento. Daí a dificuldade que você tem com, por exemplo, moradores de rua e pessoas que estão sem vínculos familiares”, explicou Ralph Trajano.