PITV 1ª edição entrevista Elmano Férrer, candidato ao governo do Piauí pelo Podemos.

Publicada em 13 de Setembro de 2018 às 19h14 Versão para impressão

Nesta quinta-feira (13), quarto dia da série de entrevistas da TV Clube com os cinco primeiros colocados na Pesquisa Ibope na disputa pelo governo do estado do Piauí, o entrevistado foi Elmano Férrer (Podemos). A entrevista teve duração de 20 minutos.

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Confira a entrevista na íntegra:

PITV 1ª Edição: Fazendo a primeira pergunta, de cunho mais político. Na última eleição municipal, o nome do senhor chegou a ser cogitado para disputar uma eventual candidatura a prefeito de Teresina. Naquela época, o senhor descartou porque disse que tinha sido eleito pelo povo de Teresina para exercer um mandato de senador, que todos sabem, é de oito anos. Mas agora o senhor é candidato, então o senhor está interrompendo no meio esse mandato, que é de oito anos. Não é um interesse pessoal do senhor acima do compromisso com o eleitor e com a população?

Elmano Férrer: Não. É uma convocação de instituições do estado, de pessoas do estado, todos preocupados com a situação em que vive o estado do Piauí, que é uma situação dramática e está aí à vista de todos, os problemas se multiplicam, uma dívida muito grande com instituições da própria União, do estado brasileiro, fundada com o exterior, com organizações internacionais de financiamento, que totalizam hoje uma dívida de R$ 5,5 bilhão, segundo dados do Banco Central e de uma outra instituição que não me ocorre o nome.

PITV 1ª Edição: Mesmo que haja essa convocação, como o senhor diz, ao tempo em que o senhor coloca o nome e entra numa disputa, o senhor não vai de encontro com o que disse lá no passado?

Elmano Férrer: Não. É uma convocação, é uma missão. Estou vindo não com um projeto pessoal. De forma nenhuma, eu não tenho um projeto pessoal, não tenho um projeto político, e assim foi durante a minha vida. Sou um técnico, servidor público aposentado, que sempre serviu sem se servir da coisa pública. A todas as missões que fui convocado, sempre me disponibilizei. Eu tenho uma história de serviço público desde 66 aqui no estado, quando o estado tinha 1.180.000 habitantes. E esta cidade, Teresina, 190.000 habitantes, ou seja, eu acompanhei este processo de desenvolvimento não só como espectador, mas como um ator do processo. E nesse momento, tanto é que recuei a candidatura, mas pela convocação para uma missão de resgatar a credibilidade do estado, de repor este estado nos trilhos do desenvolvimento, sem compromisso político-partidário, que está predominando neste estado.

PITV 1ª Edição: Por falar em compromisso, o senhor foi eleito senador compondo a chapa majoritária com o atual governo, e o senhor estava dando sustentação tanto aqui no nosso estado quanto em Brasília, inclusive com indicação de cargos. Só que agora o senhor está se colocando como oposição a esse governo. Isso não é tentar confundir o eleitor, novamente eu retomo a pergunta feita pelo Marcos antes, não é colocar um interesse pessoal acima do interesse público?

Elmano Férrer: Primeiro eu pergunto e você vai me responder: qual foi o cargo que Elmano Férrer de Almeida, senador da república, numa aliança com o então senador na época, Wellington Dias, que eu indiquei? Qual o cargo público que Elmano indicou neste desgoverno que aí está? Nenhum.

PITV 1ª Edição: O senhor na época chegou a indicar e o nome que o senhor indicou não prevaleceu, havendo inclusive um atrito do senhor com o governador na época, que ameaçou sair da coligação. Não houve um entendimento, mas o senhor chegou a indicar?

Elmano Férrer: Eu tinha deixado a Prefeitura de Teresina e fui eleito com ele para ser o senador das cidades, e manifestei o desejo de participar do governo como indicação. Foi nesse momento que eu vi no governo, que o preenchimento dos cargos era político, já dentro de um projeto de governo para reeleição e caí fora. Para não ser cúmplice desse desastre, o maior desastre político, administrativo e partidário da história desse estado. Caí fora. Ele rasgou todos os compromissos que assumimos perante a coletividade piauiense, rasgou do princípio e disse “quero ganhar no primeiro turno para não ter que me compor com esta situação”. Eu vi que não havia seriedade.

PITV 1ª Edição: Mas o motivo foi porque não foi acatada a indicação do senhor?

Elmano Férrer: Não. Eu vi que ele não podia se compor conforme o compromisso que tinha não comigo e com a Margareth Coelho, mas sobretudo com as pessoas.

PITV 1ª Edição: O senhor está falando que não houve, mas ao mesmo tempo acabou de dizer que houve um racha exatamente por conta disso, esse desentendimento.

Elmano Férrer: Exatamente. Se nós entramos num governo que eu contribuí para a eleição dele, o partido dele não me elegeu, eu tive um milhão de votos. Compromisso.

PITV 1ª Edição: Então quando o senhor pediu a contrapartida que não foi atendida, houve o racha?

Elmano Férrer: Não, tanto é que ele colocou cada deputado que ele foi enfrentar aliado dele, que ele traiu logo em seguida. Queria a presidência da Assembleia além de ter sido eleito governador, queria ter sob o comando dele, Wellington Dias, o comando do outro governo do estado, que é o poder Legislativo. Quer dizer, para tanto ele indicou os cinco deputados estaduais do PDV, dos dez que essa audiência fez de 2014, ele indicou os cinco, cinco deputados, ou seja, por questões políticas.

PITV 1ª Edição: Por falar em cargos, o senhor propõe uma reforma administrativa e lendo o programa de governo do senhor, o senhor fala, inclusive, em extinguir órgãos desnecessários, mas o senhor não cita no programa. Que órgãos são esses que o senhor vai extinguir em uma eventual eleição?

Elmano Férrer: São tantos órgãos que o governador em outro debate, não soube dizer o nome do atual presidente da fundação hospitalar do estado do Piauí. São tantos órgãos. Primeiro, todas as coordenadorias que são todas ilegais, filiadas para atender demandas partidárias. Todos os órgãos do Estado do Piauí.

PITV 1ª Edição: E também não vai criar outros para substituir alguns serviços que possam vir a ser prejudicados?

Elmano Férrer: Olha, a primeira coisa que eu vou fazer como governador é fazer um levantamento contra o estado. Qual é a receita do estado, quais as despesas. Vamos saber, porque o estado cresceu muito. Tem um perfil que não tem acesso a transparência.

PITV 1ª Edição: Mas não há necessidade, candidato, de apresentar isso para o eleitor por que isso foi durante a campanha nessa conversa com o eleitor?

Elmano Férrer: Olha, eu sei administrar.

PITV 1ª Edição: Os órgãos de controle têm esses números à disposição, inclusive os portais da transparência?

Elmano Férrer: Tem não, tem não. O órgão de controle, este eu vou dá o prestígio que merece. A Controladoria Geral do Estado, Auditoria em tempo real, iniciou uma obra desde a licitação. Eu tentei participação da controladoria, no Tribunal de Contas do Estado, se tiver recursos federais, eu quero envolvimento direto com o Ministério Público Federal, que haja transparência. Não há transparência.

PITV 1ª Edição: Nós temos cem mil pessoas ligadas ao serviço público, são servidores efetivos, hoje estão lá como comissionados. O senhor falou da extinção de todas as coordenadorias, o senhor lembra de pelo menos uma secretaria que o senhor quer extinguir ?

Elmano Férrer: Olha, têm setores daqui de base pública do estado com mais de nove órgãos do estado estão fazendo pavimentação, estão fazendo estradas. Quase todos os órgãos dessas coordenadorias que não tem nem local pra o coordenador sentar, estão fazendo calçamento. É um desgoverno. Os servidores que ela falou, os servidores públicos, são cento e cinco mil e vai incluir os comissionados. Pessoal que tem o PLAMTA, não sei se vai ter essa pergunta, que paga ao PLAMTA e desconta do contracheque e o governo fica com esse dinheiro, dar outras aplicações e não repassa para as clínicas, para os hospitais.

PITV 1ª Edição: Candidato, avançando ainda nesse assunto da ocupação de cargos públicos, também está no seu plano de Governo, o senhor fala que vai ter gestores eminentemente técnicos, agora quando a gente olha para a coligação do senhor, lá têm oito partidos, é uma coligação grande. O senhor vai dizer não para os seus apoiadores políticos em ocupação de cargos?

Elmano Férrer: Tivemos uma reunião e o lugar de deputado é no Legislativo. Quer seja estadual ou federal. Temos que acabar com isso. Os poderes são autônomos.

PITV 1ª Edição: Mas a pouco o senhor falou que rachou com o primeiro governo do Welligton Dias, exatamente por que ele atendeu ao seu chamado.

Elmano Férrer: Botou um político pra trabalhar e se reeleger agora.

PITV 1ª Edição: Mas a sua indicação não era política, também?

Elmano Férrer: Eram técnicas, inclusive era um superintendente hoje, do DNIT. Eu cuidei bem desta cidade. Eu cuidei desta cidade. Eu cuidei dos povos dessa cidade. Eu sei administrar porque eu tenho 50 anos.

PITV 1ª Edição: Então, seus apoiadores políticos não terão lugar?

Elmano Férrer: Não terão lugar, a não ser que eu tenha dentro uns trintas deputados. Pode ser até de oposição, se eu tiver um terço dos deputados eleitos, tiver um deputado que tenha competência na área da educação, saúde, se eu tivesse, por exemplo, porque não vai. Porque educação, saúde, segurança não vai ter nenhuma conotação política.

PITV 1ª Edição: No entanto, eles poderão fazer suas conotações. Eles deputados farão suas indicações. Acaba sendo o efeito meia dúzia. Não vai indicar o deputado diretamente, mas o deputado vai indicar o pessoal dele. É assim?

Elmano Férrer: Na minha chapa não tem nenhum deputado com mandato, hoje, não tem nenhum suplente. Não tenho compromisso com esse escandaloso sistema que está aí.

PITV 1ª Edição: O senhor fala nas suas propostas na implantação definitiva em todas as regiões do Piauí, nas escolas de tempo integral que a gente sabe que requer uma estrutura complexa de professores, uma estrutura física da escola que precisa ser readequada para poder receber esses alunos durante todo o dia, é na capacitação das pessoas que vão atender esses alunos, enfim, é uma estrutura complexa e cara. O senhor fala em tempo integral em todas as regiões do estado: práticas esportivas, atividade cultural, lazer, reforço escolar, estimular a participação da família dos alunos das atividades das escolas. Como o senhor vai conseguir recursos se vai ter que ter escolas com melhores estruturas físicas, vai ter que ter mais professores, readequar as que já estão fazendo em tempo integral. Dinheiro pra tudo isso de onde?

Elmano Férrer: Exatamente. Primeiro são 660 escolas estaduais. Segundo, 44 hoje, o governador desde o primeiro plano disse que ia fazer isso. Eu não estou falando em cidades. O governador que está aí, há doze anos ele diz que vai fazer isso. Eu vou fazer. Vamos fazer nas regiões, você mesma disse tudo. As escolas estão feitas. Eu pergunto, qual delas têm condições de colocar um refeitório, uma biblioteca, uma quadra? A primeira coisa que eu como governador vou fazer, é qual é a situação do estado, as contas públicas e quanto o estado arrecada, quanto recebem em transferência, qual é a receita e as despesas. No meu governo não terá uma obra. Todos os hospitais regionais irão funcionar só fundamentados na gestão. Não há gestão nesse estado e nem planejamento. Eu conheço de administração.

PITV 1ª Edição: Então, o senhor fala que no seu governo não terá obras?

Elmano Férrer: Obra nenhuma. Vou fazer sim, esse cemitério de obras que estão aí com os recursos disponíveis.

PITV 1ª Edição: Essa é uma obra importante e eu vou trazer aqui. É a Transcerrado. Que o senhor fala no seu projeto de governo, que vai retomar imediatamente. De 300 km hoje, a Transcerrados só tem 70 km feitos. Em quanto tempo o senhor concluiria?

Elmano Férrer: Eu não estou dizendo que vou concluir, inclusive, eu vou dar aqui pela primeira vez uma informação que minha assessoria está aqui, eu digo, olha eu vou questionar essa Transcerrados. O primeiro está correto, 110 km, as outras duas é uma questão que eu vou questionar porque eu conheço aquela região. Vou dar prioridade a outras estradas estaduais.

PITV 1ª Edição: O senhor conhece bem a seca no Piauí que é um problema secular, que o senhor já foi técnico da Sudene, que a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. Então, o senhor tem esse entendimento e no entanto existem muitas obras a serem feitas como promessa no seu projeto e a gente sabe que isso é um problema bem complexo. São muitos açudes e sem ter adutoras para levar água até as cidades, até as casas. Como vai fazer isso?

Elmano Férrer: Eu disse que tem esse cemitério de obras paradas. Todas as adutoras iniciadas há dez, oito, seis anos atrás nesse governo que está aí e passou doze anos e não concluíram uma adutora. Estão todas paradas. Nós temos uma concepção do sertão levando água de um aquífero para se levar esse água pra 50 mil municípios.

PITV 1ª Edição: Qual o Piauí que o senhor quer para o futuro?

Elmano Férrer: O Piauí que eu quero é o Piauí que todos sonham. Um Piauí justo em que todas as pessoas tenham as condições mínimas e direitos consagrados na constituição. Um direito a saúde. Um direito a educação. Um direito a segurança pública. Um direito a habitação. Um direito a uma assistência social, enfim, direitos consagrados pela constituição. Eu garanto, você que está me ouvindo, que não tem saúde hoje e eu digo, em seis meses, todos os hospitais regionais de saúde estarão funcionando, inclusive com ambulatório por trabalhador para que a noite o trabalhador trabalhe pela manhã e a tarde e sejam atendidos de 18 as 22h.


Fonte: globo  |  Edição: Da Redação

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