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PM citado em processo de estupro é investigado por incitar violência.

Publicada em 14 de Agosto de 2015 às 12h58 Versão para impressão

 O policial citado pelos três menores condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piauí é investigado pela Corregedoria da Polícia Militar do Piauí por suspeita de agenciar jovens infratores para cometer pequenos delitos em zonas onde a sua empresa de segurança noturna não atuava e incitar a violência na cidade .
Segundo o subcomandante da PM Lindomar Castilho, essa hipótese consta no recurso apresentado pelo defensor público Gerson Henrique Silva Sousa e entregue no início da semana à Corregedoria da Polícia Militar.

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Subcomandante revelou acusações contra PM citado no caso de Castelo (Foto: Reprodução/Tv Clube)

"Na documentação da defesa dos três menores consta que essa empresa de segurança pertence ao policial e ele teria orientado jovens infratores a cometer furtos, arrombamentos e pequenos roubos para dessa forma ele conseguir novos contratos para fazer vigilância noturna", revelou.
A Defensoria Pública defende a tese que o adolescente Gleison Vieira da Silva, espancado até a morte no Centro Educacional Masculino, teria participado sozinho do estupro coletivo e que teria recebido R$ 2,5 mil de um policial para acusar os outros três menores.
No documento, o policial também é apontado como proprietário de uma rádio e um portal de notícias em Castelo do Piauí. Conforme o subcomandante, a Defensoria Pública alegou que o PM utilizava desses meios de comunicação para propagar a violência na região e que isto teria influenciado o crime ocorrido na cidade.
"O defensor cita no recurso que no portal e na rádio os profissionais contratados pelo PM anunciavam crimes às vezes desconhecidos pela população e faziam até intimidações para adversários políticos. Com isso ele provocaria o terror na cidade e teria a sua transferência de volta para Castelo", contou Castilho.
De acordo com o subcomandante, o policial trabalhou cinco anos em Castelo do Piauí e há quatro meses foi transferido para Campo Maior. Após o seu nome ser citado pelos adolescentes no processo sobre o estupro coletivo, a Corregedoria decidiu afastá-lo do 15º Batalhão e abriu um inquérito administrativo para apurar a possível influência do policial no caso.
"Na terça-feira ele se apresentou na Corregedoria da Polícia Militar e negou ser proprietário da empresa de segurança e dos meios de comunicação. Vamos aguardar o fim da investigação para saber se é verdade, se a propagação da violência resultou em algo mais grave como o estupro daquelas meninas", disse.
Cesário Cavalcante, promotor do caso, disse que a denúncia contra o PM apareceu durante a elaboração do processo, mas que essa tese não tinha consistência. No depoimento prestado na Corregedoria, o policial afirmou ter ido acompanhado durante as prisões dos menores.
O advogado Anderson Cleber Sousa, que faz a defesa do policial militar, informou ao G1 que somente irá se posicionar sobre as acusações após o fim do inquérito administrativo.

Em entrevista concedida ao G1 anteriormente, Anderson Sousa, já havia afirmado que que seu cliente era inocente e que não existia nada que o ligasse ao estupro coletivo.
“O Ministério Público denunciou e a Justiça sentenciou os jovens pelo crime. O que existe são boatos, então, não tem nada que vincule esse policial a esse fato que a imprensa está colocando”, disse.
O advogado do PM disse que seu cliente vai provar sua inocência e que ele está abalado com as denúncias. “Meu cliente é uma pessoa idônea, tem um comportamento excepcional e fez inúmeras prisões importantes para o estado. Ele está abalado psicologicamente com tudo isso”, afirmou.
Afastamento do PM
O policial militar citado pelos três menores condenados pelo estupro coletivo foi afastado na semana passada do 15º Batalhão e responderá a um procedimento administrativo na Corregedoria da PM.

"Estamos tomando as provindências cabíveis, pois não vamos esperar o término do processo sobre o estupro coletivo em Castelo para investigar esta denúncia. Recebemos uma documentação do defesor público Gerson Henrique Silva Sousa, no qual contém novos indícios de propagação da violência na região por parte do policial e sua influência no crime ocorrido em Castelo", disse o coronel Carlos Augusto, comandante da PM.
Segundo o comandante, se comprovada a denúncia, a Corregedoria da PM não vai aceitar nenhum desvio de conduta.
Vítima volta a estudar
Uma das três sobreviventes do estupro coletivo em Castelo do Piauí retornou às aulas na semana passada na Unidade Estadual Francisco Sales Martins. Após o crime, a menina passou dois meses sem frequantar a escola e foi recebida com flores e festa. De acordo com a direção da escola, a garota irá prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em outubro.
Lucineide Silva, diretora da escola, falou que as outras vítimas permanecem em Teresina, sendo que uma delas pediu transferência e vai estudar na capital. Uma das meninas, que sofreu traumatismo craniano, não retornará aos estudos este ano porque continua em tratamento médico.

Participação dos menores
Após a Defensoria Pública afirmar que os três jovens condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piauí não estavam no local do crime, a delegada AnaMelka Cadena, titular da Delegacia da Mulher da Zona Sudeste de Teresina, afirmou não ter dúvidas quanto à participação dos adolescentes no ato.
“A Polícia Civil trabalha com responsabilidade. Juntamos todos os elementos que foram levantados, identificamos a participação dos quatro, apresentamos o indiciamento ao Ministério Público e a Justiça condenou esses adolescentes”, contou em entrevista para TV Clube.


Delegada Anamelka (Foto: Reprodução/TV Clube)

Defensoria diz que jovens são inocentes
Segundo a defensora geral do Piauí, Hildete Evangelista, o único elemento que liga os três jovens à cena do crime e ao estupro coletivo é o depoimento de Gleison Viera da Silva, que acabou sendo morto pelos três jovens que são representados pela Defensoria Pública.

“As próprias vítimas não reconheceram os adolescentes. Se o defensor acredita que os três jovens não são coautores do crime, ele tem obrigação de recorrer da decisão. Ele se baseia nas provas mostradas nos autos e constrói a sua tese de defesa”, disse.
Processo segue para o TJ-PI
O juiz Leonardo Brasileiro, da Comarca de Castelo do Piauí, encaminhou na semana passada o processo do estupro coletivo ao Tribunal de Justiça do Piauí. Segundo ele, a decisão foi baseada nas provas levantadas do caso e caberá ao órgão analisar o recurso apresentado pela defesa dos três menores acusados do crime.
"É direito da Defensoria de recorrer e tudo será analisado pelo Tribunal de Justiça. Neste momento, o defensor vai tentar convencer os desembargadores sobre a tese por ele levantada. Ouvimos várias testemunhas, são várias provas documentais no processo e eu garanto que analisei todas elas e a tese de defesa de que os menores não estariam no local do crime foi afastada desde o início", declarou o juiz.
CNMP investiga morte
A investigação que apura a morte de Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, será acompanhada de perto pela Comissão da Infância e Juventude do Conselho Nacional do Ministério Público (CIJ/CNMP). Em despacho, o conselheiro e presidente da CIJ, Walter de Agra, afirmou que a vítima foi colocada no mesmo alojamento com outros três adolescentes que já tinham feito ameaças contra Gleison. A intenção é apurar se houve negligência ao colocar todos o envolvidos na mesma cela.

Tanto vítimas quanto agressores são sentenciados pelo cometimento do estupro coletivo contra quatro garotas no mês de maio em Castelo do Piauí, a 190 km de Teresina.

"E esse 'linchamento' foi alertado pelo próprio Gleison, de que seria morto caso ficasse junto aos demais, pois fora ameaçado; no entanto, mesmo tendo avisado sobre a suposta ameaça, foi colocado nos mesmos aposentos, o que causou o seu espancamento e consequentemente a sua morte", afirmou Walter de Agra em despacho no CNMP.
De acordo com o conselheiro, embora o CNMP não possua competência constitucional para apurar diretamente a morte do adolescente Gleison, faz-se necessário acompanhar, no âmbito do Conselho, a atuação do Ministério Público do Estado do Piauí no caso.
Fonte: GLOBO  |  Edição: Da Redação

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