Levantamento elaborado pelo Projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, mostra que quase a metade dos parlamentares brasileiros tem parentes na política. Ao todo, 64% dos senadores eleitos em 2006 e 44% dos atuais deputados federais têm familiares com carreira na vida pública. Ainda de acordo com o levantamento, a região com a maior tendência à formação dos “clãs” políticos é a Nordeste – 70% dos senadores e 60% dos deputados dessa região vêm de famílias tradicionais. O arranjo mais comum é o de parlamentares que conseguem emplacar filhos, netos e sobrinhos em cargos eletivos.
A tendência da eleição dos “herdeiros” deve se repetir em outubro deste ano. Entre os três principais pré-candidatos à Presidência da República, dois são descendentes de personagens importantes da política brasileira. Aécio Neves (PSDB) é neto do primeiro presidente civil após a ditadura militar, Tancredo Neves (1910-1985). Já Eduardo Campos (PSB) é neto do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes.
O próprio Campos prepara a candidatura do filho, João Campos, a uma vaga na Câmara dos Deputados. Caso similar ocorre com o senador Ivo Cassol (PP-RO), que trabalha para eleger a filha Karina Cassol; e com o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), que pretende apresentar o filho Marco Antônio Cabral; e até o deputado federal cassado Natan Donadon planeja a entrada na política do filho Natanzinho.
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