Rússia presta homenagem a embaixador assassinado na Turquia.

Publicada em 22 de Dezembro de 2016 às 14h44 Versão para impressão

MOSCOU — A Rússia prestou uma homenagem nacional nesta quinta-feira a seu embaixador assassinado a tiros em uma galeria de arte na Turquia. O crime foi atribuido por Ancara ao movimento do clérigo Fethullah Gulen, embora Moscou afirme que é cedo para identificar os responsáveis por trás da morte de Andrei Karlov. O caixão do diplomata, cujo corpo foi levado de volta à Rússia na terça-feira, foi colocado na sede do Ministério russo das Relações Exteriores, ao lado de uma bandeira do país e vigiado pela Guarda de Honra.

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O presidente Vladimir Putin, o primeiro-ministro Dmitri Medvedev, o chefe da diplomacia Serguei Lavrov e o conjunto da elite política compareceram para prestar homenagens a Karlov. Diante da esposa e filho de Karlov, Lavrov disse que o embaixador, de 62 anos, foi vítima de um ato terrorista covarde e terrível, enquanto exercia seu dever profissional.

Putin concedeu na quarta-feira o título de herói da Rússia a Karlov em caráter póstumo por sua coragem e grande contribuição à política externa russa. O presidente comparecerá nesta quinta-feira a uma missa na catedral de Cristo Salvador em Moscou.

'PROVOCAÇÃO'

O assassinato do diplomata por um policial turco na segunda-feira em Ancara foi denunciado por Rússia e Turquia como uma provocação, com o objetivo de minar as relações que os dois países estão restabelecendo após quase um ano de crise. As duas nações estão em lados opostos na guerra da Síria: a Rússia apoia o regime do presidente Bashar al-Assad e a Turquia está do lado dos rebeldes.

Diante das câmeras, Mevlüt Mert Altintas, um policial de 22 anos, atirou nove vezes contra o embaixador Karlov, gritou "Deus é grande" e afirmou que pretendia vingar a tragédia na cidade síria de Aleppo, antes de ser morto. Apesar das declarações, que parecem vincular o assassinato à situação na Síria, os investigadores turcos acusam o movimento de Fethullah Gulen, inimigo do presidente Recep Tayyip Erdogan, de envolvimento no caso. O clérigo é também acusado de ter planejado a tentativa de golpe de Estado de julho na Turquia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que não devem ser feitas conclusões apressadas e pediu que as pessoas aguardem os resultados do trabalho dos investigadores. De acordo com a imprensa, os investigadores encontraram livros sobre a organização de Gulen durante uma operação de busca na casa de Altintas.

As autoridades turcas liberaram nesta quinta-feira os integrantes da família do assassino: seus pais, sua irmã, dois tios e uma tia, que estavam em detenção preventiva desde segunda-feira, informou a agência Anadolu. Os investigadores procuram 120 pessoas relacionadas com o assassinato, de acordo com a agência.

O governo turco apresenta com frequência Gulen, que negou qualquer envolvimento na tentativa de golpe de Estado de julho, como o principal suspeito dos males que afetam o país. Gulen, que vive exilado nos Estados Unidos, afirmou estar comovido e muito triste com o assassinato do embaixador russo.


Fonte: globo  |  Edição: Da Redação

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