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Inserir bactéria no mosquito da dengue pode torná-lo imune ao vírus

Publicada em 26 de Agosto de 2011 às 10h14 Versão para impressão

Duas novas pesquisas publicada nesta quarta-feira no periódico científico Nature mostraram a eficácia de combater a dengue usando uma cepa da bactéria do gênero Wolbachia.

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Pesquisadores australianos, juntamente com o brasileiro Luciano Moreira, do Centro de Pesquisa René Rachou, da Fiocruz em Minas Gerais, anunciaram que utilizaram uma cepa da bactéria que impede que o Aedes aegypti desenvolva o vírus da dengue. “A Wolbachia bloqueia completamente a habilidade do vírus da dengue de se desenvolver dentro do mosquito”, afirmou Scott O'Neill, da Universidade de Monash, na Austrália, principal autor de um dos artigos, em conversa com jornalistas de todo o mundo.

No outro texto, que também teve a participação de O'Neill, os pesquisadores primeiramente liberaram o Aedes com a Wolbachia em ambientes fechados para verificar que ele podia ser transmitido de uma geração para outra. Com o sucesso da experiência, o teste foi feito então na natureza. “O resultado foi que em poucas gerações todos os descendentes tinham a Wolbachia”, explicou Scott Ritchie, da Universidade James Cook, também na Austrália.

A capacidade da Wolbachia se espalhar entre uma população de Aedes na natureza está no fato de que quando as fêmeas não infectadas pela Wolbachia cruzam com machos infectados, os ovos não vingam. Já no caso das fêmeas que tem a Wolbachia ao cruzar com machos (infectados ou não) transmitem a bactéria aos ovos, gerando descendentes que carregam a Wolbachia, tornando os descendentes com a bactéria rapidamente onipresentes na população.

Atualmente a dengue infecta de 50 a 100 milhões de pessoas todos os anos em mais de 100 países, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). O trabalho cria a possibilidade de se controlar a doença a um custo mais baixo. Hoje ela é feita com base em inseticidas, uma solução que já não é mais completamente eficaz já que alguns Aedes estão ficando resistentes a eles.

O próximo passo da pesquisa, segundo os pesquisadores, será monitorar a evolução das novas gerações de mosquitos com a bactéria soltos na Austrália e fazer novos testes de campo na Tailândia, Vietnã, Indonésia e Brasil.

Fonte: Ig  |  Edição: Piauí em Pauta

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