Piaui em Pauta

Disputa pelo espólio de Eduardo Bolsonaro em SP racha PL e expõe queda de braço da família.

Publicada em 19 de Janeiro de 2026 às 10h24


?A cassa??o do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e sua perman?ncia nos Estados Unidos abriram um v?cuo no tabuleiro eleitoral para o Senado de S?o Paulo e motivaram uma disputa interna no PL. O embate hoje ? visto como um teste de for?a entre diferentes n?cleos do bolsonarismo — inclusive dentro da pr?pria fam?lia.

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Sem Eduardo, que liderava a disputa eleitoral em algumas pesquisas, ao menos seis pol?ticos passaram a se apresentar como alternativa para ocupar seu espa?o.

Enquanto isso, o governador Tarc?sio de Freitas (Republicanos) trabalha para emplacar sua pr?pria chapa no estado, com o ex-secret?rio de Seguran?a P?blica Guilherme Derrite (PP) como um dos candidatos ao Senado, em um cen?rio ainda indefinido de composi??o com outro nome do PL — este ano ser?o eleitos para a Casa dois representantes por estado.

Cassado por faltas pela C?mara, Eduardo n?o est? ineleg?vel, mas um retorno ao Brasil este ano ? improv?vel, segundo aliados. Isso porque ele ? r?u em processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentar coagir o Judici?rio ao articular san?es a autoridades brasileiras — com chance alta de condena??o.

Nesse contexto, as divis?es na fam?lia come?aram. Eduardo tenta emplacar seu amigo, o deputado estadual Gil Diniz. No in?cio de dezembro, Diniz esteve nos Estados Unidos e teria ouvido de Eduardo um pedido direto: que ele concorresse ao Senado para manter influ?ncia do seu grupo no estado.

Aliados dos dois descrevem uma rela??o de confian?a constru?da ao longo dos ?ltimos 12 anos, com interlocu??o frequente.

J? a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tamb?m tenta ocupar espa?o na costura, refor?ando o capital pol?tico de aliadas do PL Mulher. O nome da deputada federal Rosana Valle foi inclu?do em pesquisas internas a pedido de Michelle, mas aliados de Rosana dizem que ela resiste e trabalha para a reelei??o, considerada menos arriscada.

— Qualquer defini??o sobre 2026 passa pelo partido, pelas composi?es e pelo momento adequado. Meu foco segue sendo a reelei??o como deputada federal e o mandato que exer?o atualmente. Tenho respeito e admira??o por Michelle. Falamos muito sobre pol?tica, mas n?o houve um posicionamento sobre uma poss?vel candidatura minha ao Senado — disse Rosana ao GLOBO.

Em um primeiro momento, o PL de S?o Paulo chegou a quase fechar quest?o de que o candidato seria Renato Bolsonaro, irm?o do ex-presidente. No entanto, Renato tem dito que prefere disputar a C?mara e n?o arriscar uma elei??o majorit?ria, com alta taxa de exposi??o e risco de derrota.

Em conversas reservadas, dirigentes do PL relatam o desejo do entorno de Tarc?sio de impor sua pr?pria chapa, com Derrite e outro nome fora do PL. No meio da costura, Jair Bolsonaro segue como fiel da balan?a, mas sem sinalizar prefer?ncia, o que mant?m a fila de interessados em suspens?o e alimenta a guerra silenciosa.

O deputado Marco Feliciano ? apontado como o mais insistente: quer a vaga e tenta se manter no jogo, mas sofre resist?ncias internas por ser considerado pouco vi?vel e “barulhento demais” para uma disputa majorit?ria em S?o Paulo.

— Estou aguardando ainda a dire??o do presidente Bolsonaro. Com o aval dele, estou ? disposi??o — disse Feliciano.

O vice-prefeito paulistano coronel Mello Ara?jo, por sua vez, aparece como alternativa competitiva e com apelo ao eleitorado de seguran?a p?blica, mas re?ne forte resist?ncia pol?tica na base do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Nos bastidores, vereadores e integrantes da gest?o reclamam que, desde que assumiu a vice, Mello adotou postura de fiscalizar contratos e a destina??o de emendas parlamentares indicadas por vereadores, o que criou atritos com aliados.

— N?o temos ainda defini??o. Feliciano, Mello Ara?jo, Renato Bolsonaro s?o possibilidades. Bolsonaro n?o deu opini?o ainda — afirmou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

O racha da fam?lia
A indefini??o impacta ainda o projeto presidencial de Fl?vio Bolsonaro, que evita se envolver diretamente na disputa, mas depende de S?o Paulo para catapult?-lo na arena nacional.

Aliados do senador dizem que ele precisa de um palanque robusto no estado e defendem que a fam?lia deve abra?ar a chapa desenhada por Tarc?sio, ainda que sem nomes do PL, como a dobradinha Derrite e Ricardo Salles (Novo).

Na avalia??o desse grupo, o objetivo seria garantir um palanque competitivo e evitar que a direita se fragmente no maior col?gio eleitoral do pa?s.

— A esquerda tem nomes fortes e competitivos. Ent?o n?s, da direita, temos que jogar junto para pegar as duas vagas. Se abrir demais, tem chance da direita pegar uma das vagas — afirmou Salles.

A irrita??o da fam?lia Bolsonaro com Salles, entretanto, ? antiga: ele deixou o PL ap?s se frustrar com a negativa do partido a seu projeto de disputar a Prefeitura de S?o Paulo em 2024, epis?dio que, na leitura bolsonarista, evidenciou falta de disciplina.

O ex-presidente at? mant?m simpatia pelo ex-ministro, mas interlocutores reconhecem que apoi?-lo significaria, agora, avalizar um “dissidente” em detrimento de nomes do pr?prio PL.

No partido, l?deres dizem que a decis?o precisa sair at? o Carnaval para evitar que o v?cuo seja ocupado por candidaturas fora do controle da sigla.
Tags: Disputa pelo espólio - A cassação

Fonte: Globo  |  Publicado por: Da Redação
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