Piaui em Pauta

Irmã Dulce ganhará filme sobre sua vida.

Publicada em 01 de Maio de 2014 às 08h35


Seu partido era o dos pobres. Para defend?-los, Irm? Dulce estendia a m?o n?o importava a quem. Regina Braga, que a interpreta num filme que est? sendo feito nas Bahia, conta: "Um dia ela foi pedir ajuda a um empres?rio que cuspiu em sua m?o. Irm? Dulce n?o se abalou. Limpou a m?o e disse. Isso foi pra mim, agora a ajuda pros meus pobres". S?o muitas, in?meras, incont?veis, as hist?rias sobre a religiosa baiana que ganha direito a longa para ser lan?ado ainda este ano, quando se comemora o centen?rio de nascimento de Irm? Dulce. Regina Braga se reveza com Bianca Comparatto no papel. Bianca faz a jovem Irm? Dulce, at? os 45 anos. Regina a interpreta dos 45 anos 70 e poucos. Irm? Dulce era pequenininha e no fim da vida, com apenas 30% da capacidade pulmonar, mal conseguia respirar. Era encurvada. Como se interpreta uma personagem assim? "Ainda estou aprendendo. ? um aprendizado f?sico e emocional di?rio. Fiz pouco cinema, e at? isso estou aprendendo. Vicente (Amorim, o diretor) est? sendo ?timo conosco. Estou muito feliz de poder contar essa hist?ria. O Brasil , mais do que nunca, precisa do exemplo de Irm? Dulce e seu Partido da Pobreza, como ela dizia." Apesar da proximidade do mar, o calor ? insuport?vel. A ?rea conhecida como Aer?dromo de Salvador ? um imenso descampado de duna, com rar?ssima vegeta??o. ? aqui que, nesta sexta-feira, est? sendo filmada uma cena essencial de Irm? Dulce. O longa dirigido por Vicente Amorim ? produzido por Iafa Britz. Os c?nicos dir?o que ela est? fazendo tudo por dinheiro . Embora n?o seja uma judia ortodoxa, Iafa segue os preceitos religiosos. Jejua, comemora o Pessach. Chegou a se conectar para participar das festividades do ?ltimo, j? durante seu atual per?odo em Salvador. Um judia que produziu um filme sobre espiritismo (Nosso Lar) e agora resgata um ?cone crist?o do Brasil . Tudo por dinheiro ? "N?o, n?o ? s? o dinheiro ", ela responde. Nosso Lar foi um projeto que caiu sobre ela, mas Irm? Dulce, n?o. Iafa foi atr?s, a partir de uma conversa com Samuel Wainer, da Downtown, parceira da Migdal, a empresa de Iafa, no projeto. "Nosso Lar permanece comigo. Existem quest?es ali, sobre a vida ap?s a morte, que me tocam muito. E Irm? Dulce ? uma guerreira. O que essa mulher fez pelos pobres ? o que acho que gostaria de fazer pelos filmes. Filmes diversos, que reflitam nossa gente, nossa cultura. Uma vez que voc? se envolve com Irm? Dulce, nunca mais larga dela. Irm? Dulce entranha na gente." Iafa Britz, pan-religiosa? A pr?pria Irm? Dulce era. "Isso aqui ? a Bahia, gente. Tem uma cena no filme que acho genial. O encontro dela com M?e Menininha do Gantois. Quem faz a m?e ? uma atriz do Rio. O sincretismo ? total." O pr?prio set nesse dia de calor infernal parece sob medida para ilustrar uma tese de sincretismo cultural e religioso, mas ? pura realidade. Em 1980, quando o papa Jo?o Paulo II esteve pela primeira vez na Bahia (e no Brasil ), ele rezou uma missa no aeroclube. A c?pula da Igreja Cat?lica fez o que pode para esconder Irm? Dulce do papa, mas ela foi, como fiel, e, reconhecida pela multid?o que chamava seu nome, roubou a festa do pr?prio pont?fice. O papa virou coadjuvante de Irm? Dulce. ? essa cena que est? sendo filmada. Uma multid?o de 500 pessoas diante de um palanque montado no meio do nada. Atr?s dos figurantes, um tel?o verde. Por meio de efeitos especiais, eles ser?o multiplicados para se transformar nos 500 mil que participaram da missa naquele dia. Os figurantes usam trajes de ?poca - muitos homens de terno, mulheres de mangas longas. E os religiosos. O papa, o arcebispo, dezenas de integrantes das mais diversas ordens. Padres, freiras, capuchinhos. Todos transpirando debaixo daquele sol inclemente. N?o ? f?cil filmar cenas de multid?o. Vicente Amorim acompanha pelo monitor. Exorta o p?blico a olhar para o local em que est? a substituta de Irm? Dulce, o substituto do papa. As pessoas se distraem. Olham para todos os lados, n?o gritam como ele quer o nome de Irm? Dulce. Ele repete e repete, em busca de rostos selecionados entre o numeroso p?blico, captado por meio de travelings laterais. E repete mais uma, duas vezes, agora com a pr?pria Regina Braga, o corpo coberto pelo h?bito, no alto do palanque. Vicente Amorim chegou ao projeto h? cerca de um ano. Desde ent?o, tem respirado Irm? Dulce. Leu tudo sobre ela, fez as pr?prias pesquisas iconogr?ficas. N?o importa se ? religioso ou n?o. Importa que acredita em Irm? Dulce. "Essa mulher teve uma energia , uma for?a de vontade excepcional. Quando a Iafa me prop?s, fiquei meio c?tico. Um filme hagiogr?fico? Mas depois descobri que ela precisou lutar contra tudo e todos em defesa dos seus pobres. Contra a oligarquia, a c?pula da Igreja, contra a pr?pria sa?de. Foi uma lutadora." Brasil na marra Filho do embaixador Celso Amorim, Vicente nasceu na ?ustria e viveu nos EUA. Ele pr?prio reconhece que se fez brasileiro na marra, por amor ao Brasil . Sua filmografia o reflete, mesmo que, eventualmente, tenha feito filme no estrangeiro - Um Homem Bom, com Viggo Mortensen. No Brasil , estreou com 2000 Nordestes e fez O Caminho das Nuvens, Cora?es Sujos e, agora, Irm? Dulce. Na TV, faz um epis?dio da s?rie As Canalhas e assina as liga?es dos epis?dios de Rio Eu Te Amo (ainda in?dito). Onde ? que Irm? Dulce entra nessa hist?ria? Uma fam?lia que atravessa o Brasil pedalando, imigrantes japoneses que se recusam a aceitar a derrota do Jap?o e formam sociedade secreta, um homem comum confrontado com a loucura do nazismo. "Acho que o que me atrai s?o as hist?rias reais, de gente de verdade que enfrenta a adversidade." Ele est? encantando com Irm? Dulce, com a equipe, com o roteiro (de L.G. Bay?o e Anna Muylaert), que teve mais de dez vers?es. A hist?ria vale -se de um personagem ficcional - um Jo?o que representa as centenas, milhares de crian?as que Irm? Dulce adotou, e a quem ofereceu um futuro. ? uma produ??o grande, de R$ 9 milh?es. "N?o temos nenhum patrocinador master. Um monte de gente e de empresas est? contribuindo por meio da ren?ncia fiscal. A pr?pria produ??o est? sendo um grande esfor?o coletivo, como Irm? Dulce fazia. Essa mulher ? um exemplo. S? contar sua hist?ria n?o basta. ? preciso paix?o, e eu nunca vi um set mais apaixonado", define Iafa Britz.?

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Fonte: Vooz  |  Publicado por: Da Redação
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