Professor da UFPI tem participação na descoberta de predador da Era Paleozoica

Publicada em 17 de Janeiro de 2012 às 18h01 Versão para impressão

 Uma equipe internacional de paleontólogos, do qual o professor Juan Carlos Cisneros da Universidade Federal do Piauí faz parte, descobriu uma nova espécie de predador que viveu no Período Permiano (mais de 260 milhões de anos atrás) da Era Paleozoica. A descoberta será publicada na próxima semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

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O animal é um dinocefálio, um tipo de terápsido ("réptil mamaliforme"), parente distante dos mamíferos. A descoberta consiste num crânio completo que mede 35 cm de comprimento. O fóssil foi encontrado em 2008 numa fazenda na região dos pampas do Rio Grande do Sul. O sítio paleontológico foi localizado através da análise de imagens de Google Earth. A espécie será chamada Pampaphoneus biccai. O nome do gênero (pronuncia-se "pampa-foneus") significa, em grego, "matador dos pampas". O nome da espécie, biccai, é uma homenagem a José Bicca, proprietário da fazenda onde foi realizado o achado.

O fóssil descoberto é o primeiro achado de um carnívoro terrestre da Era Paleozoica na América do Sul. Ele soma-se a achados prévios de herbívoros do Período Permiano na região, como os pareiassauros e o anomodonte Tiarajudens eccentricus, e contribui a um melhor conhecimento dos ecossistemas durante esse período geológico.

Os resultados da análise das afinidades da nova espécie sugerem que ela está aparentada com dinocefálios carnívoros encontrados na Rússia e na África do Sul. Isto constitui forte evidência de que as faunas terrestres do supercontinente Pangaea tinham uma distribuição global já durante o Permiano Médio (normalmente é aceito que as faunas terrestres tinham uma distribuição cosmopolita no Triássico, período que segue ao Permiano). Ou seja, vertebrados terrestres tais como Pampaphoneus e seus parentes eram capazes de se dispersar facilmente desde Gondwana (sul da Pangaea) até Laurásia (norte da Pangaea) e vice-versa, desde ou até lugares distantes como Brasil, Rússia e África do Sul.

Caraterísticas da nova espécie:

• Media aprox. 3m de comprimento e pesava mais que um leão.

• Possuía 4 grandes caninos (dois superiores e dois inferiores) em forma de gancho, para

prender a pressa.

• Os ossos do seu crânio eram recobertos por rugosidades, como as que possuem os crânios

dos jacarés.

• Caçava herbívoros que viveram no RS, como os pareiassauros (répteis robustos e

acouraçados) e o anomodonte Tiarajudens.

• A pesar do seu aspecto geral, o animal não era um réptil ou um dinossauro, e sim um

terápsido, ou seja, um parente distante dos mamíferos.

A equipe é formada pelos pesquisadores Juan Carlos Cisneros (Universidade Federal do Piauí, Brasil), Fernando Abdala (University of the Witwatersrand, África do Sul), Saniye Atayman-Güven (University of the Witwatersrand, África do Sul), Bruce S. Rubidge (University of the Witwatersrand, África do Sul), A. M. Celâl Sengör (Istanbul Teknik Üniversitesi, Turquia), Cesar L. Schultz (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil).

Referência:
Carnivorous dinocephalian from the Middle Permian of Brazil and tetrapod dispersal in Pangaea
Proceedings of the National Academy of Sciences (no prelo)
Fonte: AZ  |  Edição: Piauí em Pauta

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