Publicada em 18 de Junho de 2013 às 22h00
Adesivos podem substituir agulhas
Um adesivo que ? colocado na pele para aplicar vacinas de forma barata e eficaz foi apresentado durante a confer?ncia TEDGlobal em Edimburgo, na Esc?cia.
Imagem: Reprodu??oClique para ampliarAdesivos podem substituir agulhas
Substituir a agulha por um nanoadesivo pode transformar a preven??o de doen?as mundo afora, disse o inventor da tecnologia, o pesquisador Mark Kendall, da University of Queensland, em Brisbane, Austr?lia.
Segundo ele, o novo m?todo abre caminho para vacinas de uso f?cil para doen?as como a mal?ria, por exemplo.
Outros especialistas deram boas vindas ? novidade, mas disseram que o m?todo pode n?o ser apropriado para todos os pacientes.
A s?rie de confer?ncias TEDGlobal (a sigla inglesa TED quer dizer "Think, Exchange, Debate" ou "Pense, Troque, Debata") ? realizada anualmente em diferentes partes do mundo. Ela ? financiada pela funda??o privada sem fins lucrativos Sapling Foundation, que promove a circula??o de grandes ideias pelo mundo.
M?todo antigo
A palestra de Kendall em Edimburgo teve uma simbologia hist?rica: h? 160 anos, na capital escocesa, Alexander Wood pediu a primeira patente para a agulha e a seringa.
"A patente era quase id?ntica ?s agulhas que usamos hoje. ? uma tecnologia de 160 anos", disse Kendall.
Aliada ? ?gua limpa e saneamento, ela cumpriu um papel fundamental no aumento da longevidade em todo o mundo, acresentou. Mas para Kendall, talvez tenha chegado a hora de atualizarmos essa tecnologia.
O nanoadesivo ? baseado na nanotecnologia - que permite manipular a mat?ria em escala at?mica e molecular, ou seja, em dimens?es infinitamente pequenas.
Ele supera algumas das desvantagens mais ?bvias de vacinas convencionais, como o medo da agulha e a possibilidade de contamina??o provocada pelo uso de agulhas sujas.
Mas h? outras raz?es pelas quais o m?todo pode ser transformador, disse o professor.
Milhares de min?sculas sali?ncias no adesivo perfuram a pele e liberam a vacina, que ? aplicada, seca, sobre a pele.
"As sali?ncias no adesivo trabalham com o sistema imunol?gico da pele. Nosso alvo s?o essas c?lulas, situadas a um fio de cabelo de dist?ncia da superf?cie da pele", disse Kendall.
"Talvez estejamos errando na mira e deixando de atingir o ponto imunol?gico exato, que pode estar na pele e n?o no m?sculo, que ? onde as agulhas tradicionais v?o".
Em testes feitos no laborat?rio de Kendall na University of Queensland, o adesivo foi usado para administrar a vacina contra gripe.
A equipe australiana disse ter notado que as respostas para vacinas aplicadas por meio do nanoadesivo foram completamente diferentes daquelas aplicadas com o uso da seringa tradicional.
"Isso significa que n?s podemos trazer uma ferramente completamente diferente para a vacina??o", disse o pesquisador.
A quantidade de vacina necess?ria, por exemplo, ? muito menor - at? um cent?simo da dose normal.
O pre?o de "uma vacina que custa US$ 10 pode ser reduzido para US$ 0,10, o que ? muito importante no mundo em desenvolvimento", acrescentou.
Vacinas sem efeito
Outro ponto fraco das vacinas tradicionais ? que, por serem l?quidas, precisam ser mantidas no refrigerador, desde o laborat?rio at? a cl?nica onde ? feita a vacina??o.
"Metade das vacinas aplicadas na ?frica n?o est?o funcionando direito por causa de falhas na refrigera??o em algum momento".
Quando Kendall disse, durante a confer?ncia, que a vacina nanoadesiva poderia ser mantida a 23?C durante um ano, a plateia respondeu com aplausos calorosos.
Um representante da Brithish Society for Immunology, a sociedade brit?nica de imunologia, deu boas vindas ? tecnologia, mas fez algumas ressalvas.
"Essa abordagem traz esperan?as de vacina??o f?cil e em grande escala, j? que ela tem como alvo um tipo de c?lula imunol?gica chamada c?lula Langerhans, que existe em abund?ncia na pele", disse Diane Williamson".
"Essas c?lulas absorvem avidamente a vacina e s?o capazes de desencadear a resposta imunol?gica".
"Por?m, um dos problemas em potencial na aplica??o (da vacina) sobre a pele ? o tempo de aplica??o e como garantir a administra??o da quantidade adequada de vacina".
"Al?m disso, talvez haja problemas de toler?ncia do adesivo em alguns pacientes. Mas se esses problemas puderem ser superados, o nanoadesivo tem o potencial de substituir a aplica??o convencional, baseada em aplica??o intramuscular por agulha".
O nanoadesivo come?ar? a ser testado em breve na Papua Nova Guin?, onde suprimentos de vacina s?o escassos.
Kendall disse que acha dif?cil imaginar um mundo sem agulhas e seringas tradicionais, mas espera que o novo m?todo possa ser utilizado em grande escala.