?Os advogados de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e de Luiz Henrique Ferreira Rom?o, o Macarr?o, abandonaram o julgamento do caso Eliza Samudio no in?cio da tarde desta segunda-feira (19), primeiro dia do j?ri.
O advogado ?rcio Quaresma, um dos defensores de Bola, argumentou que o tempo de 20 minutos para cada defesa apresentar seus questionamentos preliminares, concedido pela ju?za Marixa Fabiane, n?o era suficiente.
Os outros advogados de Bola, Fernando Costa Oliveira Magalh?es e Zanone de Oliveira J?nior --al?m de tr?s assistentes--, acompanharam Quaresma, assim como os tr?s defensores de Macarr?o, Leonardo Cristiano Diniz, Bruno Oliveira Gusm?o e Sandro Renato Constant de Oliveira.
“N?o temos a menor condi??o de trabalhar em um julgamento em que a defesa ? cerceada j? no pr?logo, que dir? no ep?logo”, disse Quaresma, questionando o tempo dado pela ju?za para os questionamentos preliminares da defesa.
Antes de definir com os advogados a sa?da do caso, Quaresma chegou a apresentar alguns questionamentos, mas acabou cumprindo a promessa feita logo ap?s o an?ncio da ju?za e abandonou o j?ri.
Ao dizer que 20 minutos n?o eram suficientes, Quaresma afirmou que n?o iria se "subjugar a aberra??o jur?dica.” Em seguida, pediu para conversar em particular com seu cliente, Bola, para orient?-lo a n?o aceitar a nomea??o de um defensor p?blico para defend?-lo --quando um advogado abandona o julgamento, um defensor necessariamente precisa ser nomeado.
“Se a defesa mantiver essa postura, declararei os r?us indefesos”, disse a ju?za. Marixa, ent?o, avisou aos defensores p?blicos que provavelmente teria que contar com o trabalho deles na defesa dos r?us.
A ju?za argumentou que 20 minutos eram suficientes para os questionamentos e que o mesmo tempo ? dado para as defesas durante as alega?es finais.
Rui Pimenta, advogado do goleiro Bruno, disse n?o concordar com os advogados que, ao abandonarem o j?ri, tentam suspender o julgamento.
Ele afirmou que a ju?za concedeu mais 10 minutos para os questionamentos preliminares da defesa, o que seria razo?vel. "Tem que ter razoabilidade, tem que ter bom senso para essas quest?es."
Para Pimenta, o ideal seria que as reclama?es dos advogados constassem da ata do julgamento, o que poderia se tornar um trunfo da defesa dos r?us em caso de condena??o. "Essas quest?es v?o servir de argumento para anular o j?ri."
Pimenta disse tamb?m que n?o concorda com a suspens?o do j?ri porque Bruno j? est? preso h? muito tempo.
Jurados dispensados
Quaresma j? havia tido uma diverg?ncia com a ju?za ap?s a dispensa dos sete jurados que participaram, no in?cio de novembro, do j?ri que absolveu Bola pela morte de um agente penitenci?rio, em 2000.
Os sete estavam entre os 25 jurados que se voluntariaram para participar do Tribunal do J?ri de Contagem neste m?s e, portanto, seriam inclu?dos no sorteio dos sete jurados do caso Eliza.
A ju?za Marixa j? havia dispensado os jurados, mas o advogado de Bola, ?rcio Quaresma, afirmou que iria recorrer da decis?o nos tribunais superiores, o que poderia suspender o julgamento ou at? mesmo cancel?-lo, dependendo da decis?o dos tribunais.
Para Quaresma, os dois julgamentos s?o “totalmente distintos”. “S?o processos jur?dicos totalmente distintos, n?o afeta a isen??o dos jurados.”
A ju?za, ent?o, decidiu consultar os jurados sobre a participa??o no julgamento. “Consulto os senhores se existe algum constrangimento em participar deste j?ri”, indagou a magistrada. Seis dos jurados ergueram as m?os e pediram dispensa. O s?timo j? havia sido dispensado por quest?es de sa?de.
Entenda
O desaparecimento de Eliza Samudio provavelmente teria entrado para a cr?nica policial como mais um caso an?nimo, sem corpo nem solu??o, se n?o tivesse entre os acusados um personagem que imediatamente chamou a aten??o do p?blico em todo o Brasil: Bruno de Souza Fernandes, 27, ent?o goleiro titular e capit?o da equipe principal de futebol do Flamengo, do Rio.
Desde que o nome de Bruno emergiu como o principal suspeito pelo sumi?o de Eliza, foi desfraldado um enredo --ainda inacabado-- repleto de reviravoltas, declara?es pol?micas, vers?es fantasiosas e pistas falsas. A morte tamb?m provoca perguntas, por enquanto sem respostas: Bruno mandou matar Eliza? Onde est? o corpo? Eliza pode estar viva?
Com o julgamento, Bruno e quatro r?us presenciam vers?es do caso --e de fatos a ele relacionados-- narradas por advogados e testemunhas. Ao cabo de duas semanas, tempo previsto de dura??o dos trabalhos, sete jurados definir?o se os cinco r?us s?o culpados ou inocentes.
O desaparecimento de Eliza
A paranaense Eliza Silva Samudio tinha 25 anos em junho de 2010, quando, segundo relatos de amigos, saiu do Rio de Janeiro, onde morava, e foi para Esmeraldas, na regi?o metropolitana de Belo Horizonte, para conversar com o goleiro Bruno, pai de seu filho, ent?o um beb? de apenas quatro meses. O atleta estava em compromisso pelo Flamengo, mas iria logo depois.
Bruno mantinha um s?tio na cidade mineira, onde costumava descansar e reunir amigos. Revelado pelo Atl?tico Mineiro em 2005, o goleiro estava no Flamengo e morava no Rio desde 2006. Foi no Rio que Bruno come?ou a se relacionar com Eliza, no in?cio de 2009. Cerca de um ano depois, em fevereiro de 2010, eles tiveram um filho.
Amigos contam que o relacionamento entre os dois havia “azedado” logo que Eliza soube que estava gr?vida. Eles relatam que Bruno e Eliza brigavam muito, e o goleiro a teria agredido e obrigado a tomar rem?dios abortivos quando soube da gravidez. A pedido dele, Eliza teria ido ao s?tio de Minas para tentar chegar a um acordo sobre a paternidade da crian?a. Foi e n?o voltou, dizem.
Investiga??o e “revela??o”
Conforme a investiga??o, cerca de tr?s semanas ap?s Eliza ter sido levada para Minas, um telefonema an?nimo para o Disque Den?ncia (181) informou que ela havia sido agredida e morta no s?tio do goleiro em Esmeraldas. Imediatamente a pol?cia conseguiu um mandado de busca e apreens?o e seguiu para o local, onde fez buscas e encontrou roupas de mulher, fraldas e objetos de crian?a.
Mas foi no Rio que o caso “explodiu”, no in?cio de julho, quando a pol?cia encontrou, na casa do goleiro, em um condom?nio fechado no Recreio dos Bandeirantes, um adolescente de 17 anos, primo do goleiro, que afirmou ter participado do sequestro de Eliza. Segundo depoimento do menor, ele e Luiz Henrique Rom?o, o “Macarr?o”, levaram Eliza e o beb? para o s?tio em Esmeraldas.
Em seguida, de acordo com o adolescente, ela foi levada a Vespasiano, para a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola", acusado de ser o executor do crime. L?, Eliza teria sido amarrada, estrangulada e esquartejada, e partes do corpo teriam sido jogadas a c?es da ra?a rottweiler, que as comeram. O beb? n?o estava junto, havia ficado 40 km para tr?s, no s?tio em Esmeraldas, sob os cuidados da mulher de Bruno, Dayanne Souza.
No dia seguinte ao depoimento do menor, a Justi?a de Minas Gerais pediu a pris?o preventiva de Bruno e mais oito pessoas, todas suspeitas de participarem direta ou indiretamente do crime: Bruno, Macarr?o, Bola (suspeito de matar Eliza), Dayanne, Fernanda Castro (amante de Bruno), Elenilson V?tor da Silva (caseiro do s?tio), Fl?vio Caetano de Ara?jo (amigo), Wemerson Marques de Souza (amigo) e S?rgio Rosa Salles (primo de Bruno). Os cinco primeiros come?am a ser julgados hoje. Dos demais, um foi assassinado (S?rgio), um n?o foi pronunciado por falta de provas (Fl?vio) e dois ser?o julgados em data a ser definida.
O menor que contou tudo ? pol?cia hoje ? maior. Jorge Rosa foi condenado pelo juiz da Vara da Inf?ncia e Juventude de Contagem a cumprir medida socioeducativa por envolvimento no caso. As informa?es de Rosa serviram de base para as investiga?es da pol?cia. Por?m, ap?s apontar Bruno, Bola e Macarr?o como os autores do crime, ele voltou atr?s e negou a vers?o. Atualmente, faz parte de programa de prote??o de testemunhas do governo de Minas Gerais.
Morte
Desde as pris?es, em agosto de 2010, novos fatos surgiram, ora ajudando, ora embaralhando as investiga?es do que pode ter acontecido com Eliza em Minas Gerais. Dezenas de testemunhas foram ouvidas, delegadas foram afastadas do caso, acusados disseram ter sido agredidos ou passaram mal na pris?o, e peritos chegaram a desqualificar provas colhidas durante o inqu?rito. Morte e tentativas de homic?dio, al?m de lista de marcados para morrer, tamb?m estiveram presentes nesses dois anos. Um dos r?us, S?rgio Salles aguardava o j?ri em liberdade e foi assassinado quando ia para o trabalho, em Minas Gerais.
Ainda nesse per?odo, uma ju?za foi acusada de tentar extorquir Bruno para livr?-lo da cadeia, um suposto plano para matar outra ju?za e um deputado foi descoberto, uma s?rie de TV contando o caso quase foi impedida de ir ao ar e uma carta an?nima chegou ao est?dio de um programa de r?dio indicando o local exato de onde estaria o corpo de Eliza. Mesmo tendo sido revelado em sonho, o lugar indicado foi visitado pela pol?cia, que n?o encontrou nada por l?. A ?ltima revela??o foi dada pelo padrasto de Eliza, para quem a enteada est? viva.
A crian?a
Piv? involunt?rio do desaparecimento da m?e, o filho de Eliza e Bruno tem atualmente dois anos e oito meses e vive em Mato Grosso do Sul com a av? materna, que ganhou na Justi?a o direito de cri?-lo, depois de uma pendenga judicial com o av?, que tamb?m queria o menino.
Nesta segunda-feira (19), a m?e de Eliza, S?nia de F?tima Moura, afirmou ao UOL que Bruninho pergunta muito pela m?e. A av? diz que j? explicou ao menino que a m?e morreu e n?o vai voltar.
Condenado ou absolvido, Bruno j? declarou que n?o pretende brigar pela guarda do filho, cuja paternidade foi atribu?da a ele pela Justi?a do Rio de Janeiro em julho deste ano. Seu maior sonho ? disputar a Copa do Mundo de 2014 como titular da sele??o brasileira e dar o t?tulo ao pa?s defendendo um p?nalti cobrado pelo argentino Messi na final.