Publicada em 07 de Maio de 2014 às 07h39
Sul-africanos fazem fila para votar em Bekkersdal, perto de Johanesburgo, nesta quarta-feira (7)
Imagem: ReutersSul-africanos fazem fila para votar em Bekkersdal, perto de Johanesburgo, nesta quarta-feira (7)?
A ?frica do Sul realiza nesta quarta-feira (7) a primeira elei??o com a participa??o da gera??o nascida ap?s o apartheid, e as pesquisas indicam que o prest?gio do partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) na luta contra o regime de minoria branca prevalecer? mesmo entre os novos eleitores.
Os locais de vota??o abriram ?s 7h locais (2h de Bras?lia). Muitas pessoas fizeram fila antes da abertura para votar na quinta elei??o geral, envolvendo todas as ra?as, desde o fim do regime do Apartheid em 1994.
Em Attridgeville, um acampamento informal em Pret?ria, a comiss?o eleitoral teve que montar uma tenda para que os milhares de residentes locais pudessem votar, segundo a Associated Press. saiba mais ?frica do Sul: 8,5% dos militares s?o soropositivos ?frica do Sul inaugura monumento em homenagem a Mandela Leia mais sobre ?frica do Sul
Em Soweto, casa do ex-presidente Nelson Mandela, muitos disseram ter votado pela CNA, partido que liderou a luta contra o Apartheid e tem dominado a pol?tica local desde que Mandela foi eleito presidente em 1994.
As pesquisas de opini?o do jornal "Sunday Times" ao longo dos ?ltimos dois meses colocam o apoio ao CNA em torno de 65%, levemente abaixo dos 65,9% conquistados na elei??o de 2009 que elegeu o presidente Jacob Zumam, segundo a Reuters.
O apoio ao CNA surpreendeu os analistas, que um ano atr?s diziam que o partido poderia penar nas urnas, j? que o seu passado glorioso virou hist?ria e os eleitores se concentraram no lento crescimento econ?mico e na s?rie de esc?ndalos que caracterizaram o primeiro mandato de Zuma.
A economia mais sofisticada da ?frica enfrentou dificuldades para se recuperar da recess?o de 2009 - a sua primeira desde o fim do apartheid em 1994 - e os esfor?os do CNA para estimular o crescimento e lidar com os 25% de desemprego foram prejudicados por poderosos sindicatos.
O principal organismo anticorrup??o do pa?s acusou Zuma neste ano de "se beneficiar irregularmente" de uma reforma paga pelo Estado em sua casa particular em Nkandla no valor de US$ 23 milh?es que incluiu uma piscina e um galinheiro.
A taxa de aprova??o pessoal de Zuma caiu desde as revela?es. Mas, em uma entrevista coletiva nesta semana para concluir a campanha do CNA, o l?der de 72 anos minimizou as insinua?es de que o imbr?glio esteja prejudicando o partido.
"N?o estou preocupado com (a casa em) Nkandla", disse Zuma. "O povo n?o est? preocupado com isso. Acho que as pessoas que est?o preocupadas com isso s?o voc?s, a m?dia, e a oposi??o".
Zuma votou logo cedo em uma escola em sua cidade natal, Nkandla, encerrando o que ele chamou de campanha "muito desafiadora". J? Helen Zille, l?der da Alian?a Democr?tica, principal partido de oposi??o, votou na Cidade do Cabo.
Imagem: ReutersHelen Zille, l?der da Alian?a Democr?tica, principal partido de oposi??o, votou na Cidade do Cabo nesta quarta-feira (7) (
Divis?o
O esc?ndalo da reforma em sua propriedade exp?s a divis?o entre l?deres atuais e antigos do CNA, em especial Nelson Mandela, primeiro presidente negro do pa?s, que morreu em dezembro.
Tamb?m se tornou o grito de guerra daqueles que acham que o dom?nio do CNA, que inicia a sua terceira d?cada no poder, corrompeu a alma do antigo movimento de liberta??o de 102 anos de exist?ncia.
"N?o ? necessariamente a enorme quantia paga pelo poder p?blico o aspecto mais corrupto do caso envolvendo a propriedade rural de Zuma", afirmou o jornal Business Day em um editorial nesta semana.
"? a forma como este neg?cio miser?vel envolveu tantos outros: ministros, burocratas, autoridades de partido e, ? medida que a elei??o se aproxima, seguidores comuns."
De acordo com o economista do Standard Bank, Simon Freemantlede, em Johanesburgo, "no geral, a elei??o ? tediosamente reconfortante... Sabemos quem vai vencer e sabemos que n?o vai haver nenhuma mudan?a radical de pol?tica. Isso ? reconfortante".
O rival mais pr?ximo do CNA, a Alian?a Democr?tica, teve apenas 16,7% dos votos em todo o pa?s em 2009 e, embora tenha ganhado espa?o, o partido ainda ? visto como a casa pol?tica dos brancos privilegiados.
Em vez disso, o maior desafio veio dos ultraesquerdistas Combatentes pela Liberdade Econ?mica (EFF, na sigla em ingl?s), liderados por Julius Malema, expulso da Liga Jovem do CNA e que se espelha no ex-presidente da Venezuela Hugo Ch?vez.
Em seu ?ltimo com?cio em um est?dio de futebol em Pretoria, Malema, que quer nacionalizar bancos e minas, al?m de tomar fazendas de propriedade de brancos sem pagar uma compensa??o, criticou tudo, desde a quest?o de Nkandla aos investidores estrangeiros e ex-pot?ncias coloniais.
No entanto, mesmo o surgimento do barulhento EFF n?o dever? ter um impacto na elei??o, j? que as pesquisas mostra o apoio ao movimento entre 4 e 5 por cento. O fato ? que de 1,9 milh?o de jovens eleitores nascidos ap?s o apartheid, os chamados "Nascidos Livres", com idades entre 18 e 19 anos - o principal eleitorado do EFF, apenas um em cada tr?s est? registrado para votar.
As urnas estar?o at? ?s 21h locais (16h em Bras?lia). A expectativa ? de que os resultados j? estejam dispon?veis a partir do meio-dia de quinta-feira (8). Quase 25,4 milh?es de eleitores, de uma popula??o de 53 milh?es de pessoas, se inscreveram para votar.