
Marco durante um dos momentos descontra?dos
na cadeia. (Foto: Rog?rio Paez / Arquivo pessoal)r?s dias e com a voz embargada, o fluminense Rog?rio Paez acredita que a execu??o da pena de morte ser? uma forma de aliviar a dor de Marco Archer Cardoso, brasileiro preso na Indon?sia e cujo fuzilamento est? previsto para este domingo (18). O surfista e empres?rio, que atualmente vive em Niter?i, contou ao G1 nesta sexta-feira (16) que o instrutor de voo, de quem ficou amigo quando ficaram presos juntos na Indon?sia entre 2006 e 2011, chegou a pedir para ser morto antes, tamanho o desespero de esperar sua senten?a.
“Se acontecer o que est?o falando que vai acontecer, vai ser uma coisa muito triste, muito dolorosa, mas eu tenho certeza que vai aliviar uma dor dele. Esse processo vai dia ap?s dia minando a sua autoestima, voc? acaba comendo qualquer porcaria, acaba vestindo qualquer coisa”, declarou Paez.
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Marco dentro da cadeia na Indon?sia, em foto tirada por Rog?rio Paez (Foto: Arquivo pessoal)
Archer foi preso ao tentar entrar na Indon?sia em 2004 com 13 quilos de coca?na escondidos nos tubos de uma asa delta. A droga foi descoberta pelo raio-X, no Aeroporto Internacional de Jacarta. O brasileiro conseguiu fugir do aeroporto, mas foi preso duas semanas depois. O pa?s pune com pena de morte o tr?fico de drogas.
“Ele virou para o diretor do pres?dio e disse: ‘Posso pedir um favor ao senhor? J? tive dois pedidos de clem?ncia negados, eu sei que vou morrer mesmo, ent?o me mata logo’. O diretor olhou para ele, rindo, e falou: ‘Marco, adoraria te matar amanh?, mas o homem l? de cima (o presidente) ainda n?o assinou. Espera mais um pouquinho’”.
Ajuda do budismo
Segundo Rog?rio, o budismo foi fundamental para a sua sobreviv?ncia na cadeia. “Por mais que estivesse preso, estava em contagem regressiva para sair. Se eu estivesse condenado ? pena de morte acho que estaria muito pior que os dois juntos. O Marco buscou na droga a fuga daquele inferno e o Rodrigo surtou”, afirmou Rog?rio, referindo-se tamb?m a Rodrigo Gularte, outro brasileiro condenado ? morte que aguarda o julgamento do pedido de clem?ncia por tr?fico de drogas.
Apesar de saber que s? sairia da pris?o para ser executado, Marco era considerado um sujeito bem-humorado e respons?vel por alguns momentos de divers?o para os presos. “O Marco ? um showman. Ele faz gra?a, faz o prisioneiro que tem vontade de matar todo mundo rir. Ele ? uma pessoa incr?vel”, lembra.
Rog?rio foi solto no dia 9 de novembro de 2011 e, apesar da felicidade, garante que deixou a pris?o chorando. “Ele [Marco] ficava usando aquele neg?cio l?, a tal da metanfetamina, que ? a praga das pris?es, e ficava falando a noite toda, contando piada, ficava nu, pegava comida dos outros. No final, ele virou um personagem da pris?o. Na hora da contagem todo mundo perguntava: ‘Cad? o Marco?' 'Simples, conta um a menos. Ele t? em alguma cela’.”
Risco assumido
Rog?rio morava h? dois anos em Bali, na Indon?sia, quando foi preso. Segundo ele, o mais dif?cil no come?o foi aceitar o fato de ter sido preso e saber qual seria a sua senten?a. “Fui preso com 3,8 gramas de haxixe, sabia que poderia dar muito errado e realmente deu. Fui roubado pelo advogado e fiquei oito anos no pres?dio (...) A maior dor, que n?o d? para descrever, era pensar na minha fam?lia, principalmente na minha m?e, na dor que ela vivia.”
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Rog?rio diz que se manteve de p? na cadeia
gra?as ao budismo (Foto: Arquivo pessoal)
Segundo ele, na cadeia apenas os presos que n?o t?m boa condi??o financeira passam necessidade e n?o se alimentam direito. “Os indon?sios recebem muito mal, os guardas s?o muito mal remunerados, n?o t?m como resistir ao suborno”, diz, lembrando regalias. "Se voc? pagar consegue ter telefone, xampu, DVD e outras coisas consideradas de luxo dentro da cadeia. L? a gente tem antena de TV a cabo, televis?o, DVD. Os mafiosos l? t?m coisas que voc? nem acredita, tem computador, tem tudo."
Ap?s uma tentativa de fuga frustrada e uma briga com um guarda que desrespeitou sua namorada ap?s uma visita, Rog?rio foi levado para um pres?dio de seguran?a m?xima com cerca de 3,5 mil presos, entre indon?sios e estrangeiros, a maioria presa por tr?fico e at? mafiosos. “Foi l? que eu conheci a m?fia chinesa, a m?fia nigeriana, um monte de assassinos, viciados de tudo quanto ? jeito. Foi l? que eu vi o que ? a esc?ria da sociedade”, lembra.
Apesar da pena de morte para traficantes de drogas na Indon?sia, outros crimes muito graves t?m penas mais brandas. “L? tinham dois irm?os que foram presos por matar um idoso de 65 anos. Eles chutaram o homem at? a morte. Um foi condenado a tr?s anos e o outro a dois anos de pris?o. Depois soube que um teve pena maior porque foi o que deu o primeiro chute”, conta o brasileiro.
Marco durante um dos momentos descontra?dos
na cadeia. (Foto: Rog?rio Paez / Arquivo pessoal)
Isolamento
Segundo Utomo Karim, advogado de Marco, o condenado est? em isolamento e sendo supervisionado por psiquiatras. Ele deve se encontrar com uma tia que est? a caminho de Jacarta antes de domingo.
O assessor especial para assuntos internacionais do Brasil, Marco Aur?lio Garcia, disse nesta sexta que Dilma conversou com o presidente indon?sio, Joko Widodo, que n?o teve "sensibilidade" para o pedido da presidente.