
?Chegaram a Santa Maria pouco depois das 15h deste s?bado (2) os medicamentos vindos dos Estados Unidos para auxiliar no tratamento dos feridos no inc?ndio da boate Kiss. O fogo na danceteria no ?ltimo domingo (27) matou 236 pessoas. O material ser? distribu?do entre os hospitais de Porto Alegre e Santa Maria.
S?o 140 kits do medicamento hidroxicobalamina (vitamina B12 injet?vel), indicado para o tratamento de intoxica??o por g?s. A expectativa do Minist?rio da Sa?de ? a de que as doses, chamadas de "ant?dotos", anulem os poss?veis efeitos t?xicos do cianeto no organismo.
Um avi?o da For?a A?rea Brasileira (FAB) pousou na base a?rea de Santa Maria por volta das 15h15. S?o 76 doses que ser?o levadas para Porto Alegre e 64 para Santa Maria, onde ser?o distribu?dos aos hospitais em que h? sobreviventes internados.
Chamado de “ant?doto de g?s t?xico”, a hidroxicobalamina ainda n?o est? aprovada no Brasil, que possui apenas uma vers?o similar, por?m menos concentrada. Os medicamentos foram doados pelos Estados Unidos. A decis?o pelo seu uso ser? feita pelos profissionais de sa?de que acompanham os pacientes internados, com base nos sintomas e no hist?rico de cada paciente.
O inc?ndio na boate Kiss, em Santa Maria, regi?o central do Rio Grande do Sul, deixou 236 mortos na madrugada do ?ltimo domingo (27). O fogo teve in?cio durante a apresenta??o da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirot?cnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informa?es divulgadas at? o momento por investigadores:
- O vocalista segurou um artefato pirot?cnico aceso.
- Era comum a utiliza??o de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de inc?ndio n?o funcionou.
- Havia mais p?blico do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- O alvar? fornecido pelos Bombeiros estava vencido.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das v?timas fatais tiveram asfixia mec?nica.
- Equipamentos de grava??o estavam no conserto.
Quatro pessoas foram presas na segunda por conta do inc?ndio: o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr; o s?cio, Mauro Hofffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos; e um funcion?rio do grupo, Luciano Augusto Bonilha Le?o, respons?vel pela seguran?a e outros servi?os.
Investiga??o
O delegado Marcos Vianna, respons?vel pelo inqu?rito do inc?ndio na boate Kiss, disse ao G1 na ter?a-feira (29) que uma soma de quatro fatores contribuiu para a trag?dia ter acabado com tantos mortos: 1) o fato de a boate ter s? uma sa?da e a porta ser de tamanho reduzido; 2) o uso de um artefato sinalizador em um local fechado; 3) o excesso de pessoas no local; e 4) a espuma usada no revestimento, que pode n?o ter sido a mais indicada e ter influenciado na forma??o de g?s t?xico.
O delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigony, afirmou tamb?m na ter?a que a Pol?cia Civil tem "diversos indicativos" de que a boate estava irregular e n?o podia estar funcionando. "Se a boate estivesse regular, n?o teria havido quase 240 mortes", disse em entrevista. "Mas isso ainda ? preliminar e precisa ser corroborado pelos depoimentos das testemunhas e os laudos periciais", completou.
Arigony disse ainda que a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, pr?prio para ambientes abertos e que n?o deveria ser usado durante show em local fechado. "O sinalizador para ambiente aberto custava R$ 2,50 a unidade e, para ambiente fechado, R$ 70. Eles sabiam disso, usaram este modelo para economizar. Usaram o equipamento para ambiente aberto porque era mais barato”, disse o delegado.
O vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos, admitiu em seu depoimento ? Pol?cia Civil que segurou um sinalizador aceso durante o show, de acordo com o promotor criminal Joel Oliveira Dutra. O m?sico disse, no entanto, que n?o acredita que as fa?scas do artefato tenham provocado o inc?ndio. Ele afirmou que j? havia manipulado esse tipo de artefato por diversas vezes em outras apresenta?es.
A boate Kiss desrespeitou pelo menos dois artigos de leis estadual e municipal no que diz respeito ao plano de preven??o contra inc?ndio. Tanto a legisla??o do Rio Grande do Sul quanto a de Santa Maria listam exig?ncias n?o cumpridas pela casa noturna, como a instala??o de uma segunda porta, de emerg?ncia. A boate situada na Rua dos Andradas tinha apenas uma, por onde o p?blico entrava e sa?a. Outra medida que n?o foi cumprida na estrutura da boate diz respeito ao tipo de revestimento utilizado como isolamento ac?stico.
A Brigada Militar informou nesta quarta que a boate n?o estava em desacordo com normas de preven??o contra inc?ndios em rela??o ao n?mero de sa?das. Segundo interpreta??o da lei, o local atendia as normas ao possuir duas sa?das no sal?o principal. Mas as portas, no entanto, n?o davam para a rua, e sim para um hall. Este sim dava para a rua atrav?s de uma s? porta. "Foi um ato poss?vel que o engenheiro conseguiu colocar", disse o tenente coronel Adriano Krukoski, comandante do Corpo de Bombeiros de Porto Alegre.
Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, um dos s?cios da boate, disse que a casa noturna estava em "plenas condi?es" de receber a festa. Ele falou sobre documenta??o da casa, seguran?a, lota??o, e disse que a banda Gurizada Fandangueira n?o avisou que usaria sinalizadores naquela noite. O advogado ainda afirmou que o Minist?rio P?blico vistoriou o local "diversas vezes".
A Prefeitura de Santa Maria se eximiu de responsabilidade pelo inc?ndio e entregou alvar? para a pol?cia que mostra data de validade de inspe??o para preven??o de inc?ndio, feita pelo Corpo de Bombeiros. A prefeitura afirma que a sua responsabilidade era apenas sobre o alvar? de localiza??o, que ? v?lido com a vistoria do ano corrente. O documento informa que a vistoria foi feita em 19 de abril de 2012.
O chefe do Estado Maior do 4? Comando Regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Pereira, disse na quarta que a casa noturna tinha todas as exig?ncias estabelecidas pela lei vigente no Brasil. "Quem falhou, que assuma a sua responsabilidade. N?s fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e n?o vou entrar em jogo de empurra-empurra", afirmou.
O Minist?rio P?blico do Rio Grande do Sul abriu um inqu?rito civil na ter?a para investigar a possibilidade de improbidade administrativa por parte de integrantes da Prefeitura de Santa Maria, do Corpo de Bombeiros e de outros ?rg?os p?blicos por terem permitido que a boate Kiss continuasse funcionando mesmo com as licen?as de opera??o e sanit?ria vencidas.
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