
?Ap?s mais de tr?s horas de discuss?o, os senadores resolveram nesta quarta-feira (20) adiar a vota??o da medida provis?ria 665, que muda os crit?rios para o acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial e ao seguro-defeso. O acordo foi feito entre os l?deres partid?rios na Casa e prev? que o texto seja votado apenas na pr?xima ter?a-feira (26).
Considerada pelo governo como necess?ria para o ajuste fiscal que visa reequilibrar as contas p?blicas, a MP 665 foi editada em dezembro de 2014 pela presidente Dilma Rousseff juntamente com a MP 664, que restringe o acesso ? pens?o por morte. A segunda medida estava prevista para ser votada no Senado na pr?xima semana mas, como a primeira ainda n?o foi votada, pode ter a vota??o adiada.
A an?lise da MP 665 teve in?cio por volta das 18h no plen?rio da Casa. O primeiro senador a fazer uso da palavra foi o relator da mat?ria, senador Paulo Rocha (PT-PA). O petista defendeu que o texto seja aprovado na Casa conforme a C?mara votou, sem novas altera?es.
Em seu relat?rio, Rocha manteve os trechos em que a C?mara amenizou as mudan?as feitas pelo governo no acesso a benef?cios trabalhistas. "Eu me dispus a ser relator porque acho que o governo errou em mandar a medida provis?ria como mandou, sem discutir com as centrais sindicais e os trabalhadores", disse.
Ap?s a fala do relator, o senador Aloysio Nunes subiu ? tribuna do Senado para criticar a medida e o governo da presidente Dilma Rousseff. "Essa medida ? t?o absurda e inadequada com a situa??o do Brasil que n?o chega a ser um erro [...]. Exatamente no momento que o desemprego aumenta no pa?s, a presidente Dilma quer, com apoio do Senado, restringir o acesso ao seguro desemprego e ao abono salarial", declarou.
Tumulto
Houve tumulto na sess?o ocorreu durante a fala do l?der do PT, Humberto Costa (PE). Enquanto o senador falava, integrantes da For?a Sindical come?aram a vaiar o petista. Costa criticou a oposi??o e disse que, se estivessem governando o pa?s, "hoje estariam defendendo boa parte dessas pol?ticas".
"N?o tenho medo de vaias", repetiu o petista. "N?o tenho medo de vaia, nem o governo tem medo de vaia, nem o PT tem medo de vaia."
Logo ap?s as primeiras vaias, Renan Calheiros pediu sil?ncio aos manifestantes para que os trabalhos n?o fossem prejudicados. Depois de Costa concluir seu discurso, os sindicalistas voltaram a vaiar e jogaram as notas falsas no plen?rio.
Os pap?is trazem imagens da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva e do tesoureiro do PT, Jo?o Vaccari Neto, preso na Opera??o Lava Jato, da Pol?cia Federal. Em cada c?dula, h? a foto de um dos tr?s pol?ticos, com a express?o “Petro D?lar”.
"Eu pe?o para a Secretaria-Geral da Mesa para esvaziar as galerias", gritou Renan Calheiros.
Petistas dissidentes
Antes mesmo da sess?o come?ar, dois senadores do PT - Paulo Paim (RS) e Lindbergh Farias (RJ) -, anunciaram que votariam contra a medida provis?ria. Tamb?m anunciaram voto contr?rio ? MP os senadores Roberto Requi?o (PMDB-PR), Jo?o Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Cristovam Buarque (PDT-DF), L?dice da Mata (PSB-BA), Ant?nio Carlos Valadares (PSB-SE), Roberto Rocha (PSB-MA), H?lio Jos? (PSD-DF) e Marcelo Crivella (PRB-RJ).
"N?s vamos votar contra o ajuste para dizer que existe uma parte da sociedade, dos movimentos sociais, dos partidos de esquerda, que querem que esse governo d? certo, mas para isso tem que mudar o rumo", afirmou Lindbergh Farias.