Piaui em Pauta

Após esfriamento, visita de Dilma pode aprofundar relação com EUA.

Publicada em 06 de Abril de 2012 às 13h09


?Quando a presidente Dilma Rousseff der in?cio a sua visita de dois dias aos EUA, nas pr?ximas segunda e ter?a-feira, tentar? aprofundar uma rela??o bilateral que ? ampla, mas superficial, na opini?o de analistas que discutiram a viagem durante um evento em Washington nesta semana.

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A decis?o da presidente de fazer metade de sua agenda na cidade de Boston – sede da prestigiosa Universidade de Harvard e do Massachusetts Institute of Techonology (MIT) – deixa claro o quanto a visita se concentrar? na quest?o dos interc?mbios de pessoas e de ideias.

Uma d?cada de crescimento econ?mico fez da m?o-de-obra qualificada um recurso escasso no Brasil – um tend?o de Aquiles para o desenvolvimento e um empecilho que Dilma tem tentado combater.

Ela deve promover nos EUA o programa Ci?ncia Sem Fronteiras, que pretende conceder mais de 100 mil bolsas a estudantes de gradua??o e p?s. A grande maioria ? de brasileiros que querem estudar no exterior, e grande parte deve ter como destino os EUA.

Em Washington, al?m de encontros com o presidente Barack Obama, Dilma deve discursar ao fim de um semin?rio empresarial promovido pela C?mara Americana de Com?rcio.

A ocasi?o servir? para promover a colabora??o entre empresas brasileiras e americanas, abrindo espa?o para a inova??o.

Parcerias
No passado, as colabora?es entre Brasil e EUA nos campos da agricultura, avia??o civil e energia ajudaram o Brasil a se tornar um l?der mundial em todos esses setores.

Com a atual investida, a presidente Dilma Rousseff quer promover uma qualifica??o da m?o-de-obra e atrair parcerias que possam injetar inova??o na economia brasileira.

"O Brasil melhorou at? um certo n?vel, mas para avan?ar mais precisa resolver problemas dom?sticos estruturais, fazer s?rias reformas", disse o diretor do Brazil Institute do centro de pesquisas Woodrow Wilson, Paulo Sotero.

? nesse contexto que Dilma decidiu que o t?pico da sua visita ser?o coisas que funcionaram no passado, que t?m a ver com educa??o, ci?ncia e tecnologia, aspectos que podem melhorar a qualidade do desenvolvimento.

A viagem ocorre pouco mais de um ano ap?s Dilma receber o presidente americano, Barack Obama, em Bras?lia.

Na ?poca, analistas avaliaram que Obama pretendia "refundar" as rela?es com o Brasil. No plano diplom?tico, os pa?ses estavam ? deriva um do outro, ap?s o veemente recha?o americano ao esbo?o de um acordo nuclear negociado pelo ex-presidente Luiz In?cio Lula da Silva e seu colega turco com o Ir?.

Nas Am?ricas, o rec?m-empossado governo hondurenho, ao qual Brasil e EUA se opuseram a princ?pio, tamb?m foi alvo de atritos, depois que Washington cedeu ?s press?es dom?sticas e reconheceu o governo de Porf?rio Lobo.

"Esta visita ? uma continua??o do exerc?cio de retomar a confian?a m?tua, que come?ou com a visita de Obama", disse o diretor do Brazil Institute.

Entretanto, a decis?o do governo americano de n?o receber a presidente Dilma em visita de Estado tem criado pol?mica e, para muitos, enviado precisamente um sinal contr?rio a essa resolu??o.

"Dilma vem com uma abordagem muito mais de botar a m?o na massa, de fazer neg?cios. Mas ? poss?vel notar, entre os seus diplomatas, que h? uma certa decep??o por esta visita n?o ser de Estado", avaliou o analista Jo?o Augusto de Castro Neves, do think tank Eurasia Group em Washington.

"O Brasil se compara a ?ndia e China, que tiveram recep?es de Estado. Hoje, o Brasil se v? como uma importante pot?ncia emergente, com uma agenda global", acrescentou.

Perda de import?ncia
Os dois maiores e mais influente pa?ses do continente t?m uma longa hist?ria de coopera??o, mas uma desconfian?a m?tua e diverg?ncias pol?ticas impossibilitaram o aprofundamento das rela?es bilaterais.

Entre 2001 e 2011, na d?cada que viu a emerg?ncia da China como pot?ncia e parceira comercial do Brasil, o com?rcio entre Brasil e EUA cresceu 120%, para US$ 60 bilh?es.

Entretanto, representa hoje 12% do com?rcio brasileiro com o exterior – metade do patamar em que estava dez anos atr?s.

No mesmo per?odo, o com?rcio com a China se multiplicou in?meras vezes, chegando a US$ 77 bilh?es em 2011.

Peter Hakim, presidente em?rito do Interamerican Dialogue, em Washington, acha que na rela??o entre Brasil e Estados Unidos "parece que est? faltando alguma coisa".

Os dois pa?ses t?m muito a oferecer um ao outro, mas precisam come?ar (a cooperar mais).

Hora de come?ar
Para os analistas, a visita de Dilma oferece uma oportunidade para o in?cio deste di?logo mais aprofundado.

Neves cr? que o fato de a visita de Dilma n?o ser de Estado possa reduzir a pompa do encontro com Obama e "abrir caminho para os temas que s?o de fato importantes".

Dilma, muito mais discreta na sua atua??o internacional que Luiz In?cio Lula da Silva, pode n?o despertar em Obama o mesmo entusiasmo que seu predecessor. Entretanto, eles podem ser bons colegas de trabalho, avaliaram os especialistas.

Paulo Sotero considera positivo que Dilma esteja "mais focada em resolver os desafios do Brasil".

Como exemplo, ele cita "a produtividade da economia, o aumento da competitividade – especialmente no setor industrial – e os deficits em infraestrutura e educa??o, que ficaram aparentes com o recente sucesso econ?mico do Brasil".
Tags: Visita de Dilma pode - EUA

Fonte: UOL  |  Publicado por: Da Redação
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