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Após mortes, Egito decreta estado de emergência e toque de recolher.

Publicada em 14 de Agosto de 2013 às 14h17


?O governo do Egito anunciou nesta quarta-feira (14) a imposi??o de estado de emerg?ncia, por um m?s, ap?s os confrontos entre for?as de seguran?a e islamitas que mataram 149 pessoas e deixaram 1.403 feridos, segundo a TV estatal.

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O estado de emerg?ncia come?ou ?s 16h locais (11h de Bras?lia).
A presid?ncia pediu ao ex?rcito que ajude o Minist?rio do Interior a "impor a ordem" no dividido pa?s, o mais populoso dos pa?ses ?rabes.
Tamb?m foi imposto toque de recolher no Cairo e em 11 prov?ncias, de 19h ?s 6h.
O massacre provocou rep?dio internacional e levou o vice-presidente interino do Egito, Mohamed ElBaradei, a anunciar sua ren?ncia ao cargo pouco depois da implanta??o do estado de emerg?ncia.
Crise ap?s golpe militar
Segundo a imprensa local, os confrontos seguem intensos na capital do pa?s, cada vez mais afundado na crise pol?tica ap?s a derrubada do presidente islamita Morsi, no in?cio de julho, por um golpe militar.
Os islamitas pedem que ele seja reconduzido ao cargo. Os militares prometeram uma transi??o de volta ? democracia.

Segundo o Minist?rio da Sa?de, 149 pessoas morreram e outras 1.403 ficaram feridas.
O porta-voz do minist?rio, Hamdi Abdel Karim, disse que entre os mortos est?o policiais e civis.
O n?mero de mortes deve aumentar, ? medida que novos relatos de viol?ncia em v?rios pontos do pa?s surgem.
A Irmandade Mu?ulmana e a imprensa falam em at? 600 mortos.
Eles tamb?m relatam que a filha de 17 anos um de seus l?deres, Mohammed al-Beltagui, est? entre os mortos. Ela teria sido baleada no peito e nas costas durante o avan?o da pol?cia na pra?a de Rabaa al-Adawiya
As for?as de seguran?a - com policiais, blindados e helic?pteros - atacaram acampamentos dos seguidores do deposto presidente, Mohammed Morsi.
A tropa de choque da pol?cia, usando m?scaras de g?s, aproximou-se agachada atr?s de ve?culos blindados pelas ruas ao redor da mesquita Rabaa al-Adawiya, no nordeste do Cairo, onde milhares de apoiadores de Morsi mantinham uma vig?lia.
Horas ap?s o in?cio do estado de emerg?ncia, milhares de islamitas que ocupavam uma pra?a no Cairo deixaram o local, que foi totalmente controlado pela pol?cia.



Preocupa??o internacional
A situa??o no Egito, o mais populoso dos pa?ses ?rabes, preocupa a comunidade internacional.
"A comunidade internacional, liderada pelo Conselho de Seguran?a da ONU, deve imediatamente passar ? a??o para cessar com este massacre", exigiu o primeiro-ministro turco islamita Recep Tayyip Erdogan.
A interven??o armada ? inaceit?vel, declarou o chefe de Estado turdo, Abdullah Gul. "O que aconteceu no Egito, esta interven??o armada contra civis que se manifestam, n?o pode de maneira alguma ser aceita", afirmou Gul aos jornalistas em Ancara.

O presidente turco, que tamb?m expressou seu temor de uma situa??o que resulte num conflito similar ao da S?ria, pediu a todas a partes a agir com calma.
O Ir? condenou a matan?a, segundo um comunicado publicado pela ag?ncia Fars. "O Ir? acompanha de perto os amargos acontecimentos no Egito condena a matan?a da popula??o e adverte sobre suas graves consequ?ncias", indica o texto.
O Catar, principal apoio da Irmandade Mu?ulmana, denunciou com veem?ncia a interven??o da pol?cia contra "manifestantes pac?ficos".
No Ocidente, as condena?es ? opera??o foram mais prudentes.
O secret?rio-geral das Na?es Unidas, Ban Ki-moon condenou com veem?ncia a interven??o das for?as de seguran?a contra a popula??o eg?pcia e criticou as autoridades no poder por terem optado pelo uso da for?a.
"Diante das viol?ncias de hoje, o secret?rio-geral apela a todos os eg?pcios que concentrem seus esfor?os na promo??o genu?na, inclusive na reconcilia??o", afirmou seu porta-voz Martin Nesirky.
A Uni?o Europeia convidou as partes envolvidas a exercer a m?xima modera??o nesta crise.
"Apelo ?s for?as de seguran?a para exercer m?xima modera??o e todos os cidad?os eg?pcios para evitar mais provoca?es e uma escalada da da viol?ncia", declarou a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton.
"Estou muito preocupado com a escalada de viol?ncia e a instabilidade no Egito", indicou o ministro brit?nico das Rela?es Exteriores, William Hague, em um comunicado. "Condeno o uso da for?a para dispersar as manifesta?es e pe?o ?s for?as de seguran?a que atuem com modera??o."
O chefe da diplomacia alem?, Guido Westerwelle, pediu a todas as for?as pol?ticas eg?pcias que impe?am uma escalada da viol?ncia.
A Fran?a tamb?m advertiu contra o uso desproporcional da for?a e pediu calma, enquanto Berlim defendeu "a retomada imediata das negocia?es" para evitar "um derramamento de sangue".

Na ter?a-feira, o governo dos Estados Unidos pediu ?s autoridades eg?pcias que autorizassem as manifesta?es dos simpatizantes de Morsi, pelo temor de uma explos?o da viol?ncia.
Washington, que concede ao Cairo uma ajuda de US$ 1,5 bilh?o por ano, principalmente militar, mant?m rela?es estreitas com os militares do pa?s, mas defende a convoca??o r?pida de novas elei?es.
Militares pressionam
A a??o para acabar com os acampamentos parece frustrar as esperan?as restantes de trazer a Irmandade Mu?ulmana, o grupo de Morsi, de volta ao palco pol?tico central, e destacou a impress?o compartilhada por muitos eg?pcios de que os militares apertaram o controle.
A opera??o tamb?m sugere que o Ex?rcito perdeu a paci?ncia com os persistentes protestos que imobilizavam partes da capital e retardavam o processo pol?tico.
Tudo come?ou logo ap?s o amanhecer, com helic?pteros sobrevoando os acampamentos. Tiros foram disparados enquanto os manifestantes, entre eles mulheres e crian?as, fugiam de Rabaa, e a fuma?a subiu sobre o local. Ve?culos blindados avan?aram ao lado de tratores que come?aram a derrubar as tendas.
O governo emitiu um comunicado dizendo que as for?as de seguran?a mostraram o "maior grau de autoconten??o", refletido em poucas baixas diante do n?mero de pessoas "e do volume de armas e viol?ncia dirigidos contra as for?as de seguran?a".
O governo, que prev? novas elei?es em cerca de seis meses para devolver o regime democr?tico ao Egito, instou os manifestantes a n?o resistir ?s autoridades, acrescentando que os l?deres da Irmandade Mu?ulmana devem parar de incitar a viol?ncia.
Sunitas se distanciam
A mesquita Al-Azhar do Cairo, principal autoridade sunita do mundo e que havia apoiado a destitui??o de Morsi, se distanciou da viol?ncia desta quarta.
"Al-Azhar informa aos eg?pcios que n?o tinha conhecimento dos m?todos utilizados para dispersar os protestos, a n?o ser pelos meios de comunica??o", afirmou o im? Ahmed al-Tayyeb.

Tags: Após mortes, Egito - O governo do Egito

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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