Piaui em Pauta

Após recuos, Temer cede a pressões para Dilma não voltar.

Publicada em 12 de Junho de 2016 às 13h05


BRAS?LIA H? exato um m?s no comando interino do pa?s, Michel Temer confidenciou a aliados ter a impress?o de que j? se passaram anos. Nos primeiros dias, governando sob intensa press?o, demitiu dois ministros; enfrentou grampos com di?logos pouco republicanos envolvendo a c?pula de seu partido, o PMDB; descumpriu promessas; e enfrentou protestos que chegaram ? porta de sua casa, em S?o Paulo. Nesses 30 dias, o peemedebista buscou administrar cobran?as e, na maioria das vezes, teve que ceder pela percep??o elementar de que seu governo n?o ? um governo de fato, mas interino. E, ironicamente, apesar da press?o, a decis?o no Planalto ? seguir nessa toada. Ao menos at? agosto, quando ocorrer? no Senado o julgamento final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, Temer decidiu entrar no jogo do Congresso e engolir muitos sapos, construindo as alian?as necess?rias para garantir sua perman?ncia definitiva.

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Com maioria fr?gil no Senado — 59 votos contabilizados por sua equipe a favor do impeachment de Dilma, apenas cinco a mais que os 54 necess?rios —, o presidente interino tem se desdobrado em aten??o aos senadores, de quem tem ouvido centenas de pedidos. Quase todas as demandas, contam auxiliares presidenciais, se resumem a cargos. Em seu gabinete, recebeu em audi?ncia oficial ao menos dez senadores. Nesta semana ir? pela segunda vez ao Congresso desde que assumiu a Presid?ncia, agora para entregar o projeto que estabelece teto para os gastos p?blicos. Um gesto de aproxima??o e de cordialidade com deputados e senadores que na gest?o Dilma reclamavam da falta de aten??o da presidente.

O governo acredita ter a situa??o sob controle e publicamente nega que esteja agindo com vistas ? vota??o do impeachment. O ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) nega que Temer esteja sendo chantageado por senadores por conta da manuten??o do voto contra Dilma e garante n?o temer uma reviravolta no placar de vota??o.

— N?o temos preocupa??o com isso — afirma Geddel.

No entanto, desde que voltou ao Senado depois da ef?mera passagem pelo Minist?rio do Planejamento, Romero Juc? (PMDB-RR) tem se dedicado prioritariamente ? tarefa de garantir os votos que enterrem a possibilidade de Dilma voltar ao Planalto. A prop?sito, a sa?da de Juc? do governo foi considerada pelo presidente interino a situa??o politicamente mais dif?cil que enfrentou at? agora. Ele gostaria de mant?-lo pela lealdade que o peemedebista teve desde o in?cio do processo de impeachment e por consider?-lo altamente capacitado para o cargo. No entanto, Temer percebeu logo nas primeiras horas ap?s a revela??o das grava?es das conversas entre Juc? e S?rgio Machado que seria imposs?vel suportar a press?o da opini?o p?blica. Ao fim, Temer trabalhou para minimizar os danos e mant?-lo como um importante aliado.

Acima inclusive das quest?es pol?ticas, o fato que mais tirou Temer do s?rio neste per?odo foram os protestos em frente ? sua casa que deixaram a mulher, Marcela, e seu filho ca?ula, Michelzinho, receosos de uma invas?o. No dia em que anunciou suas primeiras medidas econ?micas, Temer fugiu ao seu tom discreto habitual, bateu com a m?o na mesa e disse que quando Secret?rio de Seguran?a de S?o Paulo “tratava com bandidos”, em recado aos manifestantes.

Na C?mara, o presidente interino engoliu um dos maiores sapos de seu primeiro m?s, que foi aceitar a indica??o imposta pelos deputados do centr?o de Andr? Moura (PSC-SE) para l?der do governo. Absorveu as cr?ticas de aliados do PSDB, DEM, PSB e PPS e da opini?o p?blica para evitar uma crise.

Apesar de ter colocado Moura na lideran?a a pedido do centr?o, o presidente interino continua sendo alvo de press?es do grupo por mais cargos. Na semana passada, a fome pelo comando de ?rg?os p?blicos quase paralisou a vota??o em segundo turno da DRU.

A rebeli?o foi contida antes de chegar ao plen?rio pela promessa de Temer de que o assunto ser? resolvido. O presidente explicou que seu governo ? interino, mas que a partir de agosto, se o Senado afastar permanentemente a presidente Dilma, as nomea?es ser?o aceleradas.

Se por um lado a interinidade causa inc?modo aos novos inquilinos do Planalto, que operaram para acelerar o calend?rio da Comiss?o do Impeachment no Senado, por outro, serve como uma boa desculpa para Temer negociar com mais cuidado os espa?os de cada aliado no poder. Apesar de ter se apresentado antes mesmo da confirma??o do afastamento de Dilma como preparado para a fun??o, Temer e sua equipe n?o contavam com os surpreendentes desdobramentos da Lava-Jato e as cobran?as de que tem sido alvo desde que assumiu o poder.

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— Ele reclama da cobran?a. De fato, h? uma atmosfera mais pesada no Pal?cio do Planalto, mas n?o ficamos dando gra?as a Deus a cada dia que passa como se estiv?ssemos numa luta pela sobreviv?ncia — diz um auxiliar.

Um assessor pr?ximo de Temer admite que os acontecimentos relacionados ? Lava-Jato o obrigaram a adotar um comportamento m?ltiplo, com os p?s no Executivo, o olho no Legislativo e atento aos movimentos do Judici?rio. Al?m dos tiros fatais que atingiram dois de seus ministros, Juc? e Fabiano Silveira (Transpar?ncia e Combate ? Corrup??o), tamb?m pego em grampos, o afastamento do presidente da C?mara Eduardo Cunha gerou uma situa??o de fragilidade no comando da Casa, por onde precisam passar as mat?rias econ?micas.

Pela situa??o at?pica em que vive a C?mara, com o presidente afastado e o interino, Waldir Maranh?o (PP-MA), sem nenhum respaldo dos parlamentares, o Planalto virou uma segunda casa da base aliada. Rodrigo Rocha Loures, assessor especial de Temer, diz que Temer acredita que o Congresso deva ser o protagonista da a??o governamental.



Tags: Após recuos, Temer - BRASÍLIA Há exato

Fonte: globo  |  Publicado por: Da Redação
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