Piaui em Pauta

Argentina entra em contagem regressiva para evitar segundo calote em 13 anos

Publicada em 30 de Junho de 2014 às 12h20


O governo argentino vive dias decisivos para evitar cair no segundo calote da sua d?vida em 13 anos. O governo deveria pagar nesta segunda-feira o vencimento de um t?tulo p?blico, chamado Discount, aos que aceitaram a renegocia??o da d?vida argentina em 2005 e em 2010. Os acordos preveem o pagamento dos valores devidos com descontos, ap?s o pa?s ter declarado morat?ria da sua d?vida em 2001.?No entanto, os contratos de reestrutura??o da d?vida d?o um prazo de car?ncia de 30 dias para o pagamento dos t?tulos ap?s a data do vencimento, explica o economista Orlando Ferreres, da consultoria OJF&Associados. Segundo este documento, somente se n?o pagar nos pr?ximos 30 dias ? que a Argentina entraria em default. A expectativa ? que o pagamento seja feito dentro desse limite.?Ou seja, a partir desta segunda come?a a contagem regressiva para que se evite o que os especialistas chamam de "default t?cnico", que poderia afetar a economia interna argentina e sua rela??o comercial com o Brasil. "S?o trinta dias a partir desta segunda para se evitar o default, mas existe grande expectativa de acordo at? l?", afirmou o economista Dante Sica, da consultoria Abeceb.?Ferreres observou que neste per?odo o governo argentino dever? negociar com os chamados holdouts - ou "fundos abutres" -, que compraram pap?is daquela d?vida de 2001 mas que recusaram as ofertas de pagamento feitas em 2005 e em 2010. Isso foi determinado pelo juiz de Nova York Thomas Griesa na semana passada. Ele condicionou o pagamento dos credores que aceitaram a renegocia??o da d?vida a que antes o governo argentino chegue a um acordo com os holdouts. Situa??o dif?cil Em discurso, a presidente Cristina Kirchner disse que se for feito o pagamento integral exigido por estes fundos, outros credores, que j? aceitaram o acordo, podem acabar apelando ? justi?a pelos mesmos direitos. Segundo a presidente, a Argentina estaria em uma situa??o delicada se tivesse que pagar a todos o valor integral da d?vida – que em 2001, em uma gest?o anterior ao kirchnerismo, foi considerada a maior da hist?ria do capitalismo. Estes fundos pedem cerca de US$ 1,3 bilh?o. Se tiver que pagar a todos que brigam na justi?a porque tamb?m recusaram os acordos de 2005 e de 2010, a Argentina deveria desembolsar cerca de US$ 15 bilh?es - mais de metade das suas reservas do Banco Central de US$ 28,8 bilh?es. "Devemos nos preocupar com aqueles que confiaram, que acreditaram na Argentina", disse Kirchner, em rela??o aos cerca de 92% que aceitaram as propostas de 2005 e de 2010.?Na semana passada, o governo argentino realizou um dep?sito de US$ 539 milh?es no Bank of New York-Mellon para pagar a parte internacional do vencimento desta segunda-feira. Depositou tamb?m outros recursos em outros bancos internacionais que totalizariam quase US$ 1 bilh?o, de acordo com Ferreres.?Na Argentina, temeu-se que a Justi?a americana determinasse o embargo do dinheiro para uso em pagamento aos "fundos abutres". Mas o juiz mandou que o banco de Nova York devolvesse o dinheiro ? Argentina, pois, segundo o entendimento da Justi?a americana, o pagamento s? poderia ser feito se o governo pagasse tamb?m os holdouts. Griesa deu ao governo um prazo de 30 dias para alcan?ar o acordo com os "fundos abutres". O imbr?glio da d?vida argentina voltou a gerar preocupa??o depois que a Suprema Corte de Justi?a dos Estados Unidos n?o aceitou o apelo do governo argentino para estudar o caso dos holdouts e o devolveu ao juiz Griesa. Brasil A falta de d?lares na Argentina ? o que preocupa os negociadores brasileiros e especialistas no com?rcio bilateral. "S?o necess?rios d?lares para financiar as importa?es. E hoje a Argentina tem reservas limitadas", disse o economista Marcelo Elizondo. Ele lembrou que o Brasil ? o principal parceiro comercial argentino, mas que o com?rcio bilateral est? em queda.?"O com?rcio bilateral est? em queda e a ind?stria dos dois pa?ses em desacelera??o. A incerteza sobre a d?vida argentina surge neste momento que j? ? complicado e complica mais", disse Ferreres. Segundo ele, o menor crescimento econ?mico nos dois pa?ses tamb?m contribui para o menor ritmo do com?rcio bilateral. O default, dizem especialistas, geraria uma crise cambial e deixaria o pa?s em situa??o ainda mais complicada para honrar seus compromissos e manter o ritmo de seu com?rcio bilateral. Ferreres, como Sica, acredita em acordo com os holdouts - o que possibilitaria que a Argentina volte aos mercados internacionais e atraia d?lares, fundamentais para o com?rcio com o Brasil, disse.

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Fonte: Vooz  |  Publicado por:
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